{"id":200941,"date":"2022-06-29T19:31:51","date_gmt":"2022-06-29T22:31:51","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=200941"},"modified":"2022-06-29T19:31:51","modified_gmt":"2022-06-29T22:31:51","slug":"vitimas-de-violencia-domestica-encontram-apoio-e-estrutura-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=200941","title":{"rendered":"V\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica encontram apoio e estrutura do Estado"},"content":{"rendered":"<p>A necessidade de isolamento social em fun\u00e7\u00e3o da pandemia resultou em aumento significativo de den\u00fancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica no pa\u00eds. Em Minas Gerais, mulheres t\u00eam podido contar com servi\u00e7os especializados n\u00e3o somente para denunciar e solicitar medida protetiva contra o agressor, como tamb\u00e9m para receber apoio e superar o trauma. Em equipamentos disponibilizados pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mg.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Governo de Minas Gerais<\/a>, v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar recebem escuta, carinho, aten\u00e7\u00e3o. Seja por meio de atendimento psicol\u00f3gico, seja pela disponibilidade de um espa\u00e7o para que as crian\u00e7as brinquem enquanto a m\u00e3e \u00e9 atendida, elas encontram suporte para buscar esperan\u00e7a e supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inaugurada em Belo Horizonte h\u00e1 pouco menos de tr\u00eas meses, a Casa da Mulher Mineira \u00e9 uma nova unidade da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.policiacivil.mg.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pol\u00edcia Civil<\/a>\u00a0que tem o objetivo de atender ocorr\u00eancias de demanda espont\u00e2nea (quando n\u00e3o h\u00e1 flagrante) das mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. Localizada \u00e0 Avenida Augusto de Lima, 1.845, no Barro Preto, o espa\u00e7o garante acolhimento humanizado e c\u00e9lere.<\/p>\n<p>Em pouco mais de dois meses de funcionamento, mais de 500 mulheres foram atendidas na casa e cerca de 450 medidas protetivas foram solicitadas.<\/p>\n<p>uando decidiu se afastar do marido, com quem vivia h\u00e1 tr\u00eas anos e meio e tem uma filha de 1, Andreia Vasquez*, 31 anos, com doutorado em andamento, foi orientada em uma delegacia comum a procurar a Casa da Mulher Mineira. &#8220;Fiquei emocionada l\u00e1. Al\u00e9m de resolver a quest\u00e3o da medida protetiva e da escolta para que possa voltar em casa e fazer as malas, me senti fortalecida. A estrutura lembra a de uma casa, assistimos v\u00eddeos que reafirmam nossa valoriza\u00e7\u00e3o \u2013 porque a v\u00edtima de viol\u00eancia se sente extremamente fragilizada &#8211; e h\u00e1, at\u00e9, o Espa\u00e7o Reviver, uma sala em que podemos escolher vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados, doados por outras mulheres. Isso \u00e9 muito importante porque sa\u00ed de casa fugida, com a roupa do corpo&#8221;, detalha.<\/p>\n<p>Acolhida na casa de um irm\u00e3o, Andreia, que sofreu viol\u00eancia f\u00edsica e amea\u00e7as de morte do ex-marido, retornou \u00e0 Casa da Mulher Mineira no dia seguinte. &#8220;Senti que n\u00e3o estamos sozinhas. Mulher que sofre viol\u00eancia fica deprimida, mas pude perceber que a casa \u00e9 uma forma de abra\u00e7ar, de dar carinho \u00e0s mulheres. Todos aqui falaram para eu ter coragem e os policiais at\u00e9 indicaram terapia, disseram que ningu\u00e9m precisa viver assim. Daqui vou para o f\u00f3rum, acelerar o processo de guarda da minha filha&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Estrutura<\/strong><br \/>\nChefe do Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o, Orienta\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Fam\u00edlia, a delegada Carolina Bechelany refor\u00e7a que o equipamento lida com \u00e1reas sens\u00edveis. \u201cExiste toda uma cultura patriarcal e machista na nossa sociedade. Ent\u00e3o, trabalhamos para oferecer mais que a investiga\u00e7\u00e3o. Procuramos, por meio de diversas a\u00e7\u00f5es, levar conhecimento a essas mulheres. Usamos cartilhas, v\u00eddeos, campanhas, trabalho em rede, porque juntos somos muito mais fortes\u201d.<\/p>\n<p>A delegada frisa que a demanda da Casa das Mulheres Mineiras tamb\u00e9m \u00e9 social, e passa por instruir v\u00edtimas ou potenciais v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Outra realidade, segundo Carolina, \u00e9 o fato de a viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o ter nicho, segmento ou classe social espec\u00edfica. \u201cMuitas mulheres n\u00e3o tomam atitude porque se sentem envergonhadas. Tanto que mais de 90% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio n\u00e3o tinham nenhuma medida protetiva. Quantos homens t\u00eam perfil machista e se acham propriet\u00e1rios da mulher? Precisamos lembrar ainda que h\u00e1 v\u00e1rios tipos de viol\u00eancia, inclusive a psicol\u00f3gica. E isso n\u00e3o ocorre apenas em lares mais simples\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A Casa da Mulher Mineira tem 12 salas planejadas para o atendimento \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. L\u00e1, elas podem solicitar Medidas Protetivas de Urg\u00eancia, acompanhamento at\u00e9 a resid\u00eancia para retirada de pertences em seguran\u00e7a (roupas, documentos e medicamentos), receber a guia de exame de corpo de delito, realizar a representa\u00e7\u00e3o criminal para a devida responsabiliza\u00e7\u00e3o do agressor, al\u00e9m de ser encaminhada para casas abrigo, para servi\u00e7os de atendimento psicossocial e para orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica na Defensoria P\u00fablica. O ambiente favorece a privacidade e a escuta qualificada durante atendimento.<\/p>\n<p><strong>Interior<\/strong><\/p>\n<p>Por enquanto, a Casa da Mulher Mineira funciona apenas em Belo Horizonte. Mas a v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar residente no interior pode buscar ajuda por meio do Centro Risoleta Neves de Atendimento \u00e0 Mulher (Cerna). A ferramenta, vinculada ao Sistema Integrado de Monitoramento e Avalia\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos (Sima-Mulher) do Governo de Minas, registra casos de viola\u00e7\u00e3o e fornece mecanismos para promo\u00e7\u00e3o do atendimento \u00e0 v\u00edtima em rede.<\/p>\n<p>O equipamento, sediado em BH, tamb\u00e9m atua junto aos munic\u00edpios por meio de orienta\u00e7\u00f5es, supervis\u00e3o de equipes t\u00e9cnicas, informa\u00e7\u00f5es sobre abrigo e acesso a demais direitos das v\u00edtimas de viol\u00eancia. Em 2022, j\u00e1 foram realizados 1.025 acompanhamentos para 66 mulheres.<\/p>\n<p>\u201cHoje, a pauta das mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia \u00e9 de grande interesse da sociedade. Um pouco disso \u00e9 devido \u00e0 pandemia que evidenciou de forma tr\u00e1gica a viol\u00eancia contra as mulheres por meio de in\u00fameras reportagens, artigos e dados oficiais. H\u00e1 um lado bom nisso tudo, pois podemos fortalecer cada vez mais as pol\u00edticas de direitos humanos voltadas para as mulheres\u201d, detalha a gerente do Cerna, Cl\u00e1udia Natividade.<\/p>\n<p>Ainda segundo a gerente, h\u00e1, neste cen\u00e1rio, mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e fortalecimento da mulher mineira. \u201cPodemos dizer que os munic\u00edpios de Minas Gerais buscam se organizar de forma mais efetiva para promover os direitos de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. Diariamente, respondo a diversas equipes e gestoras do interior que buscam informa\u00e7\u00f5es sobre como manejar um caso espec\u00edfico ou mesmo como compor equipes especializadas para o atendimento desse casos\u201d.<\/p>\n<p>Acaba de receber alta do tratamento realizado no Cerna a maquiadora e designer de sobrancelhas Clara Ferrarezi, 24 anos. \u201cQuando me casei, aos 19 anos, gr\u00e1vida, o pai dos meus filhos j\u00e1 era muito agressivo. Com o tempo, a situa\u00e7\u00e3o piorou. Ele dizia que eu n\u00e3o seria nada sem ele, diversas vezes chegou a me prender em casa e a tomar o meu celular para que eu n\u00e3o pudesse pedir socorro\u201d.<\/p>\n<p>Ela conta que s\u00f3 decidiu encerrar a rela\u00e7\u00e3o abusiva quando o ent\u00e3o companheiro teve uma rea\u00e7\u00e3o extremamente agressiva ap\u00f3s uma discuss\u00e3o. \u201cEle me arrastou pelos cabelos por toda a casa, foi uma explos\u00e3o de viol\u00eancia\u201d. Ali, a mulher decidiu pedir a medida protetiva e foi encaminhada ao Cerna. \u201cConheci a Luci, psic\u00f3loga que me acompanhou durante quase um ano. Ela me ajudou a perceber as estrat\u00e9gias de manipula\u00e7\u00e3o dele, a enxergar que havia uma sa\u00edda, que sou uma mulher livre\u201d, revela.<\/p>\n<p><strong>Doa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Funcionando desde junho, o Espa\u00e7o Reviver da Casa da Mulher Mineira disponibiliza pe\u00e7as de vestu\u00e1rio, sapatos, material de higiene pessoal e outros objetos a mulheres que, por conta da viol\u00eancia, perderam ou tiveram, de alguma forma, os bens inutilizados.<\/p>\n<p>A iniciativa tamb\u00e9m tem o objetivo de suprir algumas necessidades daquelas v\u00edtimas que precisaram abandonar seus lares \u00e0s pressas, apenas com as roupas do corpo. Os itens arrecadados s\u00e3o criteriosamente selecionados e organizados em araras de forma a facilitar a escolha por tamanho e estilo. Al\u00e9m de vestimentas, a ideia \u00e9 promover ali dias de beleza, com cortes de cabelo, sobrancelhas e maquiagem.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o recebe doa\u00e7\u00f5es de vestu\u00e1rio, cal\u00e7ados, acess\u00f3rios, itens de higiene pessoal e fraldas infantis. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel doar livros e brinquedos.<\/p>\n<p><strong>Para doar<\/strong>:<\/p>\n<p><strong>Hor\u00e1rio<\/strong>: De segunda a sexta-feira, das 7h \u00e0s 19h<\/p>\n<p><strong>Local<\/strong>: Avenida Augusto de Lima, 1.845, Barro Preto<\/p>\n<p>Se o volume da doa\u00e7\u00e3o for acima de 500l, \u00e9 poss\u00edvel agendar pelo telefone 3248-2109 para que a Pol\u00edcia Civil busque o material.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Onde buscar ajuda:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Casa da Mulher Mineira<\/strong><\/p>\n<p><strong>Local<\/strong>: Avenida Augusto de Lima, 1.845, Barro Preto<\/p>\n<p><strong>Hor\u00e1rio de funcionamento<\/strong>: das 8h30 \u00e0s 18h30<\/p>\n<p><strong>O que oferece<\/strong>: A PCMG disponibiliza ainda \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia a possibilidade de registro de les\u00e3o corporal, vias de fato, amea\u00e7a e descumprimento de medidas protetivas, al\u00e9m da solicita\u00e7\u00e3o das medidas protetivas, por meio da delegacia virtual. Tamb\u00e9m h\u00e1 o programa Chame a Frida, em algumas cidades do interior, o programa oferece uma atendente virtual por meio de aplicativo de mensagem capaz de suprir os primeiros atendimentos e inclusive acionar a pol\u00edcia para casos urgentes.<\/p>\n<p><strong>Cerna<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro atendimento \u00e9 feito por agendamento direto ao servi\u00e7o, por meio dos telefones (31) 3270-3235 ou (31) 3270-3296.<\/p>\n<p><strong>O que oferece<\/strong>: atende mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar baseada no g\u00eanero, oferecendo atendimento psico-jur\u00eddico-social individual e\/ou em grupo. Os atendimentos t\u00eam como objetivo dar condi\u00e7\u00f5es \u00e0 mulher para que rompa com a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia vivida, resgate sua autonomia, autodetermina\u00e7\u00e3o e autoestima.<\/p>\n<p>Cada mulher atendida tem um profissional de refer\u00eancia que \u00e9 o respons\u00e1vel pelo seu Plano de Acompanhamento Pessoal (PAP), documento institucional que descreve a forma de atendimento a ser realizado, define objetivos, planeja e avalia estrat\u00e9gias de cuidado de forma multiprofissional<\/p>\n<p><strong>Veja<\/strong>: Manual B\u00e1sico de Enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a mulher dispon\u00edvel no site da PCMG:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.policiacivil.mg.gov.br\/site-pc\/media\/get\/documento\/2640406\">www.policiacivil.mg.gov.br\/site-pc\/media\/get\/documento\/2640406<\/a><\/p>\n<p><strong>N\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Pol\u00edcia Civil, 55.908 casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica foram registrados em Minas Gerais somente nos cinco primeiros meses deste ano. No mesmo per\u00edodo, houve 55 feminic\u00eddios consumados no estado.<\/p>\n<p><em><strong>*Nome fict\u00edcio<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Ag\u00eancia Minas <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A necessidade de isolamento social em fun\u00e7\u00e3o da pandemia resultou em aumento significativo de den\u00fancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica no pa\u00eds. Em Minas Gerais, mulheres t\u00eam podido contar com servi\u00e7os especializados n\u00e3o somente para denunciar e solicitar medida protetiva contra o agressor, como tamb\u00e9m para receber apoio e superar o trauma. 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