{"id":191893,"date":"2021-12-03T15:34:49","date_gmt":"2021-12-03T18:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=191893"},"modified":"2021-12-03T15:34:49","modified_gmt":"2021-12-03T18:34:49","slug":"pesquisa-do-ibge-mostra-enfraquecimento-do-mercado-de-trabalho-em-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=191893","title":{"rendered":"Pesquisa do IBGE mostra enfraquecimento do mercado de trabalho em 2020"},"content":{"rendered":"<p>A pandemia de covid-19, que come\u00e7ou\u00a0em 2020, causou impacto\u00a0negativo\u00a0\u00e0\u00a0economia brasileira e, especialmente, ao mercado de trabalho, piorando os resultados que j\u00e1 eram insuficientes para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que mostra a S\u00edntese de Indicadores Sociais (SIS): uma an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira, divulgada\u00a0hoje\u00a0(3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), no cap\u00edtulo sobre estrutura econ\u00f4mica e mercado de trabalho.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1430245&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1430245&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) e da din\u00e2mica do consumo das fam\u00edlias, ambos\u00a0<em>per capita<\/em>, isto \u00e9, por indiv\u00edduo, revela que os resultados positivos observados at\u00e9 metade da d\u00e9cada passada, com taxas de crescimento acumulado entre 2010 e 2014 de 12,9% e 16,6%, deram lugar, nos seis anos finais da s\u00e9rie, a quedas de 10,8% e 10,6%, respectivamente. Em 2020, as retra\u00e7\u00f5es foram de 4,8% do PIB e de 6,2% do consumo das fam\u00edlias\u00a0<em>per capita<\/em>.<\/p>\n<p>A pandemia provocou forte retra\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. As taxas de desocupa\u00e7\u00e3o e de subutiliza\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 vinham elevadas ap\u00f3s a crise de 2015-2016, aumentaram mais em 2020, alcan\u00e7ando, respectivamente, 13,8% e 28,3%. O n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o ficou, pela primeira vez, em 51%, o menor da s\u00e9rie. Segundo o IBGE, entre os jovens com 14 e\u00a029 anos, esse indicador caiu de 49,4% em 2019 para 42,8% em 2020. Em 2012, era 53,7%. Entre 2019 e 2020, a taxa de informalidade da popula\u00e7\u00e3o ocupada do pa\u00eds caiu de 41,1% para 38,8%. Entre os pretos e pardos, essa taxa em 2020 foi 44,7%, ante 31,8% da popula\u00e7\u00e3o ocupada branca. Al\u00e9m disso, pretos e pardos representavam 53,5% da popula\u00e7\u00e3o ocupada e 64,5% dos subocupados por insufici\u00eancia de horas.<\/p>\n<p>Os trabalhadores ocupados com v\u00ednculo, que englobam empregados com carteira, militares e funcion\u00e1rios p\u00fablicos estatut\u00e1rios, tiveram aumento relativo em 2020 de 49,6%, enquanto os empregados sem carteira ca\u00edram de 20,2%, em 2019, para 18,1%, no ano passado. Os trabalhadores por conta pr\u00f3pria mantiveram-se est\u00e1veis, com taxa de 25,4%.<\/p>\n<p>A crise da covid-19 afetou, particularmente, os empregos na atividade de servi\u00e7os, com destaque para alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o, com queda de 21,9%; servi\u00e7os\u00a0dom\u00e9sticos (-19,6%); e outros (-13,7%).<\/p>\n<p><strong>Desigualdades<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa do IBGE confirma a manuten\u00e7\u00e3o das desigualdades hist\u00f3ricas no mercado de trabalho nacional. Enquanto a popula\u00e7\u00e3o ocupada total (PO) tem predom\u00ednio da cor preta ou parda (46,3 milh\u00f5es), superando em 17% a PO branca (39,5 milh\u00f5es), h\u00e1 diferen\u00e7a evidente na distribui\u00e7\u00e3o, uma vez que nas atividades de menor remunera\u00e7\u00e3o e maior informalidade predominam trabalhadores da cor ou ra\u00e7a preta ou parda. Exemplos, em 2020, foram servi\u00e7os\u00a0dom\u00e9sticos (+91%), constru\u00e7\u00e3o (+83%) e agropecu\u00e1ria (+58%). Em m\u00e9dia, o rendimento m\u00e9dio real da popula\u00e7\u00e3o ocupada branca (R$ 3.056) era 73,3% maior que o da popula\u00e7\u00e3o preta ou parda (R$ 1.764) em 2020.<\/p>\n<p>O rendimento dos homens (R$ 2.608) era 28,1% maior que o das mulheres (R$ 2.037). Com a pandemia, 18,6% dos trabalhadores foram afastados do trabalho, com predom\u00ednio de mulheres (23,5%) em rela\u00e7\u00e3o aos\u00a0homens (15%).<\/p>\n<p>Em termos do rendimento m\u00e9dio por hora de trabalho, a desigualdade entre brancos e pretos ou pardos alcan\u00e7ou +69,5% no ano passado e se manteve entre as ra\u00e7as, independentemente do n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o. Com ensino superior completo, a diferen\u00e7a entre os rendimentos por hora atingiu 44,2% a mais para brancos.<\/p>\n<p>No ano passado, os homens predominavam na popula\u00e7\u00e3o ocupada, com 58,3%, contra 41,7% de mulheres. Entre a popula\u00e7\u00e3o subocupada por insufici\u00eancia de horas, as mulheres foram maioria em 2020 (52,4%), o mesmo ocorrendo entre as pessoas de cor ou ra\u00e7a preta ou parda (64,5%). Os trabalhadores com ensino m\u00e9dio completo ou superior incompleto foram maioria (36,9%), seguidos das pessoas sem instru\u00e7\u00e3o ou com ensino fundamental incompleto (31,5%).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise sobre o trabalho remoto em fun\u00e7\u00e3o da pandemia mostra que o afastamento foi maior entre maio e agosto do ano passado, com ligeira queda at\u00e9 novembro. As mulheres foram maioria entre os trabalhadores em\u00a0<em>home office<\/em>, o mesmo ocorrendo entre pessoas da cor ou ra\u00e7a branca e entre aquelas com ensino superior completo ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que chegou a ser seis vezes maior do que os trabalhadores com ensino m\u00e9dio completo ou superior incompleto. O IBGE identificou tamb\u00e9m que n\u00e3o houve grandes diferen\u00e7as por grupos et\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Benef\u00edcios sociais<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, o peso dos benef\u00edcios sociais nos rendimentos das fam\u00edlias, por causa\u00a0dos aux\u00edlios emergenciais concedidos pelo governo, evoluiu de 1,7%, em 2019, para 5,9%, em 2020, com impactos mais fortes nas regi\u00f5es Norte (aumento de 4,1% para 11,6%) e Nordeste (de 4,4% para 12,8%), onde existem maiores n\u00edveis de desigualdade e pobreza. Incluindo os benef\u00edcios de programas sociais, o rendimento domiciliar\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0caiu 4,3% no pa\u00eds entre 2019 e 2020. Na simula\u00e7\u00e3o sem os benef\u00edcios sociais, o IBGE apurou queda de 8,4% no rendimento domiciliar por indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Considerando a insufici\u00eancia de rendimentos das fam\u00edlias para provis\u00e3o de seu bem-estar, excluindo outros fatores que caracterizam a pobreza, como acesso \u00e0 moradia adequada, ensino b\u00e1sico de qualidade, prote\u00e7\u00e3o social, entre outros fatores\u00a0importantes, a sondagem apurou que, em 2020, a incid\u00eancia de extrema pobreza podia variar de 3,5% a 10,5% da popula\u00e7\u00e3o e a de pobreza entre 6,5% e 29,1% da popula\u00e7\u00e3o, dependendo da linha adotada.<\/p>\n<p>O n\u00famero de brasileiros na extrema pobreza caiu de 6,8%, em 2019, para 5,7%, em 2020, mas aumentou em rela\u00e7\u00e3o a 2014 (4,7%), mantendo-se est\u00e1vel em compara\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio da s\u00e9rie, em 2012 (6%). J\u00e1 a pobreza caiu para 24,1%, no ano passado, depois de atingir 25,9%, em 2019, mas subiu em rela\u00e7\u00e3o a 2012 (27,3%) e permaneceu est\u00e1vel na compara\u00e7\u00e3o com 2014 (23,8%). O IBGE destacou, contudo, que sem os benef\u00edcios dos programas sociais, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas em extrema pobreza teria aumentado de 9,7% para 12,9%, e a taxa de pessoas na pobreza subiria de 28,2% para 32,1%.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o de pessoas com rendimento domiciliar\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0abaixo de US$ 1,90, linha recomendada pelo Banco Mundial para medir a pobreza nos pa\u00edses mais pobres, superou 11,3% em quatro unidades da Federa\u00e7\u00e3o: Amazonas, Maranh\u00e3o, Pernambuco e Sergipe. Em sete unidades, esse percentual ficou acima de 8,2% (Acre, Roraima, Amap\u00e1, Piau\u00ed, Cear\u00e1, Para\u00edba e Bahia). Para o Brasil, pa\u00eds considerado de renda m\u00e9dia alta, a linha recomendada \u00e9 de US$ 5,50\/dia, lembrou o IBGE.<\/p>\n<p>O rendimento m\u00e9dio domiciliar per capita em 2020 foi de R$ 1.349, queda de 4,3% ante 2019 (R$1.410). Se n\u00e3o houvesse programas sociais no ano passado, esse rendimento teria sido 6% menor (R$ 1.269). O d\u00e9cimo da popula\u00e7\u00e3o com a menor remunera\u00e7\u00e3o teria perdido 75,9% de seus rendimentos sem esses programas sociais, indicaram os pesquisadores do IBGE.<\/p>\n<p>A pobreza foi maior entre as crian\u00e7as, sendo de 38,6% para a faixa de 0 a 14 anos de idade, entre as pessoas com rendimento familiar\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0abaixo de US$ 5,50\/dia, em 2020. Na an\u00e1lise combinada de sexo e cor ou ra\u00e7a, as mulheres pretas e pardas apresentaram as maiores incid\u00eancias de pobreza (31,9%) e de extrema pobreza (7,5%), mostrou\u00a0a S\u00edntese de Indicadores Sociais.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia de covid-19, que come\u00e7ou\u00a0em 2020, causou impacto\u00a0negativo\u00a0\u00e0\u00a0economia brasileira e, especialmente, ao mercado de trabalho, piorando os resultados que j\u00e1 eram insuficientes para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que mostra a S\u00edntese de Indicadores Sociais (SIS): uma an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira, divulgada\u00a0hoje\u00a0(3) pelo Instituto Brasileiro de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":246,"featured_media":191894,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[436,261],"tags":[],"class_list":["post-191893","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-da-semana","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/191893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/246"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=191893"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/191893\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":191896,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/191893\/revisions\/191896"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/191894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=191893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=191893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=191893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}