{"id":188929,"date":"2021-09-28T16:59:25","date_gmt":"2021-09-28T19:59:25","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=188929"},"modified":"2021-09-28T16:59:25","modified_gmt":"2021-09-28T19:59:25","slug":"prevent-senior-obrigou-uso-de-remedios-sem-comprovacao-diz-advogada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=188929","title":{"rendered":"Prevent Senior obrigou uso de rem\u00e9dios sem comprova\u00e7\u00e3o, diz advogada"},"content":{"rendered":"<p>Em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Pandemia do Senado, nesta ter\u00e7a-feira (28), a advogada Bruna Morato, que representa um grupo de\u00a0 ex-m\u00e9dicos da Prevent Senior, afirmou que os profissionais n\u00e3o tinham autonomia para retirar medicamentos do kit covid ou pedir exames para os pacientes. Segundo a advogada, a empresa punia com demiss\u00e3o quem descumprisse a orienta\u00e7\u00e3o de prescrever o conjunto de medicamentos sem efic\u00e1cia.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1422837&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1422837&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existia autoriza\u00e7\u00e3o para fazer determinados exames. Se prescrevia hidroxicloroquina sem a realiza\u00e7\u00e3o do eletrocardiograma. Existia a dispensa\u00e7\u00e3o de ivermectina, e o m\u00e9dico n\u00e3o tinha autonomia para retirar esse item. Os m\u00e9dicos eram orientados \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o do kit, que vinha num pacote fechado e lacrado. Quando o m\u00e9dico queria tirar algum item, ainda que ele riscasse (sic) na receita, o paciente recebia completo. A receita tamb\u00e9m j\u00e1 estava pronta\u201d, denunciou Bruna Morato.<\/p>\n<p>A advogada entrou no radar da comiss\u00e3o por representar um grupo de 12 ex-m\u00e9dicos da operadora de sa\u00fade e ter ajudado a elaborar dossi\u00ea reunindo supostas irregularidades cometidas pela empresa. Com base nesse documento, den\u00fancias de\u00a0 realiza\u00e7\u00e3o de experimentos com pacientes sem autoriza\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional de \u00c9tica em Pesquisa (Conep) e de altera\u00e7\u00e3o de dados de atestados de \u00f3bito de pacientes v\u00edtimas do novo coronav\u00edrus est\u00e3o sob investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>CID<\/strong><\/p>\n<p>A advogada afirmou que a Prevent Senior alterava a Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID) no prontu\u00e1rio dos pacientes, retirando a men\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19, &#8220;para que houvesse uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de sucesso em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento preventivo&#8221;. Segundo a advogada, partiu da Diretoria Executiva da operadora a ordem para os m\u00e9dicos omitirem das declara\u00e7\u00f5es de \u00f3bito a covid-19 como causa de morte. Todas as den\u00fancias foram negadas pelo diretor da Prevent, Pedro Batista J\u00fanior, que dep\u00f4s na comiss\u00e3o na semana passada.<\/p>\n<p>Sobre qual seria a rela\u00e7\u00e3o da Prevent Senior com o governo federal e o suposto gabinete paralelo, a advogada disse desconhecer uma rela\u00e7\u00e3o direta entre eles. \u201c As informa\u00e7\u00f5es que tenho s\u00e3o que eles [Prevent Senior] colaboraram de forma muito efetiva para a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sobre a efic\u00e1cia do tratamento precoce\u201d, relatou.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1-f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 CPI, Bruna Morato ressaltou que a maior parte dos clientes da operadora \u00e9 idosa, o que torna a prescri\u00e7\u00e3o do kit covid, cuja efic\u00e1cia n\u00e3o tem embasamento cient\u00edfico, ainda mais perigosa. \u201cA Prevent Senior \u00e9 um plano em que a faixa et\u00e1ria m\u00e9dia \u00e9 de 68 anos. Os pacientes que utilizavam esses kits j\u00e1 tinham muitas comorbidades associadas. O conjunto de medicamentos, apesar de ser ineficaz, se tornava potencialmente letal para aquela popula\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou a advogada.<\/p>\n<p>Sobre um dos diretores da Prevent Senior, identificado como Felipe Cavalca, Morato disse que ele encaminhou mensagens em que orientava m\u00e9dicos do plano de sa\u00fade a n\u00e3o informar a pacientes e familiares sobre os riscos do tratamento com o kit covid. Segundo a depoente, os usu\u00e1rios &#8220;foram ludibriados&#8221; para assinar termos de consentimento para a realiza\u00e7\u00e3o de estudos sobre os medicamentos ineficazes.<\/p>\n<p>\u201cO paciente idoso \u00e9 extremamente vulner\u00e1vel. Eles n\u00e3o sabiam que seriam feitos de cobaia. Eles sabiam que iriam receber medicamentos. Isso s\u00e3o coisas diferentes. Quando chegava para retirar o medicamento, era passada a seguinte informa\u00e7\u00e3o: \u2018Para retirar essa medica\u00e7\u00e3o, o senhor precisa assinar aqui\u2019. Eles n\u00e3o tinham ci\u00eancia de que esse \u201cassina aqui\u201d era o termo de consentimento\u201d, detalhou a depoente.<\/p>\n<p><strong>Custos<\/strong><\/p>\n<p>Questionada sobre os motivos que teriam levado a Prevent Senior a prescrever o chamado kit covid, a advogada respondeu que a medida era uma estrat\u00e9gia para evitar a interna\u00e7\u00e3o de pacientes nos hospitais da rede e, com isso, permitir a redu\u00e7\u00e3o de custos. \u201cAs mensagens de texto disponibilizadas \u00e0 CPI mostram que a Prevent Senior n\u00e3o tinha a quantidade de leitos necess\u00e1rios de UTI e, por isso, orientava o &#8216;tratamento precoce&#8217;. \u00c9 muito mais barato voc\u00ea disponibilizar um conjunto de medicamentos aos pacientes do que fazer a interna\u00e7\u00e3o desses pacientes. Era uma estrat\u00e9gia para redu\u00e7\u00e3o de custos&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Acordos<\/strong><\/p>\n<p>Questionada se procurou o jur\u00eddico da Prevent Senior para tratar a quest\u00e3o que era alvo de queixas de m\u00e9dicos, ela disse sim. A ideia, contou, era fazer um acordo que, segundo ela, nunca foi financeiro. A advogada afirmou que seus clientes pediram que a empresa tomasse tr\u00eas atitudes, mas n\u00e3o houve sucesso. Os pedidos eram que a Prevent Senior assumisse publicamente que o estudo sobre &#8220;tratamento precoce&#8221; foi inconclusivo, al\u00e9m de assumir o protocolo institucional da empresa, deixando claro que os profissionais n\u00e3o tinham autonomia. Os m\u00e9dicos tamb\u00e9m exigiam que a empresa fizesse um documento se responsabilizando a arcar com custos de poss\u00edveis processos vindos de fam\u00edlias das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>A advogada disse que, no in\u00edcio da pandemia, o diretor da Prevent Senior, Pedro Batista J\u00fanior, tentou se aproximar do ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade,\u00a0 Luiz Henrique Mandetta, que havia criticado a empresa ap\u00f3s v\u00e1rias mortes por covid-19 no hospital Sancta Maggiore, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Segundo Bruna Morato, sem \u00eaxito na aproxima\u00e7\u00e3o com Mandetta, a Prevent teria fechado uma &#8220;alian\u00e7a&#8221; com um grupo de m\u00e9dicos que assessorava o governo federal, &#8220;totalmente alinhados com o Minist\u00e9rio da Economia&#8221;. \u201cExistia um interesse do Minist\u00e9rio da Economia para que o pa\u00eds n\u00e3o parasse. Existia um plano para que as pessoas pudessem sair \u00e0s ruas sem medo\u201d, explicou com a ressalva de nunca ter ouvido o nome do ministro Paulo Guedes nas conversas.<\/p>\n<p>A advogada explicou \u00e0 comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito o papel de cada um dos m\u00e9dicos que assessorava o governo federal na defesa da ado\u00e7\u00e3o de um tratamento precoce para Covid-19. Durante o depoimento, ela disse que\u00a0o m\u00e9dico toxicologista Anthony Wong, que morreu por complica\u00e7\u00f5es do novo coronav\u00edrus, era respons\u00e1vel por desenvolver um &#8220;conjunto medicamentoso at\u00f3xico&#8221;. A m\u00e9dica imunologista Nise Yamaguchi, por disseminar informa\u00e7\u00f5es sobre a resposta imunol\u00f3gica; e Paolo Zanotto, virologista, falaria sobre o v\u00edrus de forma mais abrangente. Nas palavras da advogada, a Prevent Senior fez um &#8220;pacto&#8221; para colaborar com essas pessoas. \u201cA economia n\u00e3o podia parar, e eles tinham que conceder esperan\u00e7a para que as pessoas sa\u00edssem para as ruas. E a esperan\u00e7a tinha um nome: era hidroxicloroquina&#8221;, contou. Procurado pela Ag\u00eancia Brasil, at\u00e9 o fechamento desta reportagem, o Minist\u00e9rio da Economia n\u00e3o havia se manifestado sobre as declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A advogada tamb\u00e9m contou aos senadores que se sentiu amea\u00e7ada ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o pela imprensa das den\u00fancias dos m\u00e9dicos, em abril. Ela relatou que, depois desse momento, seu escrit\u00f3rio foi invadido por uma \u201cquadrilha muito bem estruturada\u201d. Os invasores, disse, duplicaram o IP de todas as c\u00e2meras e deixaram o sistema de seguran\u00e7a vulner\u00e1vel por quatro dias. Al\u00e9m disso, ela relatou que canos foram cortados causando inunda\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios andares do pr\u00e9dio onde fica o escrit\u00f3rio. De acordo com Morato, apesar de terem levado apenas um iPad e um computador \u201csem mem\u00f3ria\u201d, a a\u00e7\u00e3o teria sido uma tentativa de intimid\u00e1-la. \u201cN\u00e3o posso afirmar qualquer rela\u00e7\u00e3o com a empresa, mas aconteceu, e desde ent\u00e3o, tenho me sentido amea\u00e7ada\u201d, admitiu.<\/p>\n<p><strong>Ives Gandra<\/strong><\/p>\n<p>Na reta final dos trabalhos, que devem ser conclu\u00eddos no in\u00edcio de outubro, o l\u00edder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), fez um apelo para que a CPI tenha isen\u00e7\u00e3o e imparcialidade nos trabalhos e no relat\u00f3rio final a ser votado. Segundo ele, o documento que est\u00e1 sendo elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) &#8220;n\u00e3o pode ter natureza de senten\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Bezerra Coelho disse que fez uma consulta ao jurista Ives Gandra Martins sobre o andamento da CPI da Pandemia. Segundo o parlamentar, a avalia\u00e7\u00e3o do jurista \u00e9 que\u00a0 a comiss\u00e3o trabalha com \u201cvi\u00e9s pol\u00edtico\u201d e n\u00e3o deveria tomar unicamente o caminho da criminaliza\u00e7\u00e3o. Para contrapor argumentos jur\u00eddicos preparados com a coordena\u00e7\u00e3o de outro jurista, Miguel Reale Junior, consultado pela c\u00fapula da CPI, o emedebista defendeu que Gandra seja ouvido no colegiado.<\/p>\n<p>&#8220;Creio que a opini\u00e3o do doutor Ives Gandra Martins poder\u00e1 contribuir muito com os trabalhos da comiss\u00e3o e mesmo na elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio final para que n\u00e3o enveredemos pelos caminhos duvidosos das prefer\u00eancias e dos ju\u00edzos pr\u00e9vios em detrimento dos fatos, da legalidade e da Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;, defendeu Bezerra.<\/p>\n<p>Em resposta, o presidente da comiss\u00e3o, senador Omar Aziz(PSD-AM), destacou que &#8220;fatos s\u00e3o fatos&#8221; e citou os quase 600 mil mortos em decorr\u00eancia da pandemia.<\/p>\n<p><strong>Teoria da conspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Durante o depoimento, o senador governista Marcos do Val (Podemos-ES) pediu pondera\u00e7\u00e3o aos membros da CPI sobre as den\u00fancias envolvendo a Prevent Senior e disse que o caso parece mais \u201cuma teoria da conspira\u00e7\u00e3o\u201d. Ele questionou o fato de a advogada representar 12 m\u00e9dicos que acusam a operadora, enquanto 5 mil profissionais que exercem essa fun\u00e7\u00e3o ainda continuam ativos na rede. \u201cEu acho que \u00e9 uma porcentagem muito pequena para a gente achar que a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a regra. Porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que 5 mil m\u00e9dicos estariam em sil\u00eancio, compactuando com tudo isso que est\u00e1 sendo dito\u201d, argumentou sob protestos do grupo de senadores independentes.<\/p>\n<p><strong>Requerimentos<\/strong><\/p>\n<p>O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou durante a reuni\u00e3o de hoje que, no dia da demiss\u00e3o de Mandetta, que havia feito cr\u00edticas ao hospital comandado pela Prevent Senior em S\u00e3o Paulo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou a utiliza\u00e7\u00e3o do kit de &#8220;tratamento precoce&#8221; contra a covid-19. Para o senador, o governo federal e o gabinete paralelo que agia junto ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade atuaram em conjunto com o CFM e a Prevent Senior, num \u201cplanejamento criminoso\u201d.<\/p>\n<p>Diante da suspeita, a CPI aprovou requerimento de Costa para que a operadora de sa\u00fade apresente os termos de livre consentimento do kit \u00e0 CPI no prazo de 24 horas. Ele lembrou que o CEO da Prevent Senior, durante depoimento na semana passada, mostrou uma pilha de pap\u00e9is que declarou serem consentimentos de pacientes e familiares para os tratamentos experimentais oferecidos pela Prevent Senior. Os documentos n\u00e3o foram entregues \u00e0 CPI.<\/p>\n<p>Os senadores tamb\u00e9m aprovaram outros dois requerimentos do vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O primeiro prev\u00ea a convoca\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio Ot\u00e1vio Oscar Fakhoury, que seria financiador de canais de dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas.<\/p>\n<p>O outro pede o compartilhamento de dados obtidos pela Opera\u00e7\u00e3o P\u00e9s de Barro, da Pol\u00edcia Federal. A investiga\u00e7\u00e3o apura fraudes na aquisi\u00e7\u00e3o de medicamentos de alto custo pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade durante a gest\u00e3o do ex-ministro e atual l\u00edder do governo na C\u00e2mara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Ag\u00eancia Brasil <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Pandemia do Senado, nesta ter\u00e7a-feira (28), a advogada Bruna Morato, que representa um grupo de\u00a0 ex-m\u00e9dicos da Prevent Senior, afirmou que os profissionais n\u00e3o tinham autonomia para retirar medicamentos do kit covid ou pedir exames para os pacientes. 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