{"id":188867,"date":"2021-09-27T18:06:48","date_gmt":"2021-09-27T21:06:48","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=188867"},"modified":"2021-09-27T18:06:48","modified_gmt":"2021-09-27T21:06:48","slug":"governo-de-minas-estabelece-diretrizes-para-cuidados-paliativos-na-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=188867","title":{"rendered":"Governo de Minas estabelece diretrizes para cuidados paliativos na sa\u00fade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Princ\u00edpios, diretrizes e objetivos para as a\u00e7\u00f5es do Estado voltadas para os cuidados paliativos, no contexto da sa\u00fade p\u00fablica, agora t\u00eam amparo na legisla\u00e7\u00e3o estadual. A Lei 23.938\/21 foi publicada no\u00a0<a title=\"Edi\u00e7\u00e3o de 24\/9\/2021\" href=\"http:\/\/www.jornalminasgerais.mg.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di\u00e1rio Oficial do Estado<\/a>, ap\u00f3s san\u00e7\u00e3o do governador Romeu Zema.<\/p>\n<p>O cuidado paliativo \u00e9 a assist\u00eancia promovida por uma equipe multidisciplinar, que visa \u00e0 melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares, por meio da preven\u00e7\u00e3o e do al\u00edvio do sofrimento, da identifica\u00e7\u00e3o precoce, da avalia\u00e7\u00e3o e do tratamento de dor e demais sintomas f\u00edsicos, sociais e psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, as unidades de sa\u00fade passaram a utilizar os cuidados paliativos, de forma estruturada, h\u00e1 pouco mais de dez anos.<\/p>\n<p>\u201cNossas equipes j\u00e1 cumprem essas diretrizes. Os crit\u00e9rios para o cuidado intensivo t\u00eam que ser muito bem estabelecidos para que n\u00e3o exponha o paciente em terminalidade a maior risco de sofrimento por medica\u00e7\u00e3o e terapia intensiva ineficazes, e a publica\u00e7\u00e3o da lei ficou muito condizente com os princ\u00edpios do respeito ao ser humano neste momento de sua vida&#8221;, observa a m\u00e9dica infectologista Lucin\u00e9ia Carvalhais,\u00a0diretora Assistencial da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fhemig.mg.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig)<\/a>.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da sa\u00fade p\u00fablica, Lucin\u00e9ia ainda contextualiza:\u00a0&#8220;a regulamenta\u00e7\u00e3o de atividades j\u00e1 executadas chega para estimular os profissionais. \u00c9 um avan\u00e7o para o estado\u201d, sinaliza.<\/p>\n<p><strong>Pioneirismo<\/strong><\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1980, o Hospital Eduardo de Menezes (HEM) realiza atendimento a pacientes com HIV. Neste per\u00edodo, explica Lucin\u00e9ia Carvalhais, n\u00e3o havia tratamento eficaz e os cuidados eram, basicamente, promover a qualidade de vida dentro do poss\u00edvel e prescrever medicamentos que eram de dif\u00edcil toler\u00e2ncia. E tudo isso em um contexto de preconceito em alt\u00edssimo grau, rejei\u00e7\u00e3o e sofrimento para o paciente e seus familiares.<\/p>\n<p>\u201cDesde que o hospital acolheu o primeiro paciente, a unidade come\u00e7ou, ainda que de forma n\u00e3o organizada, a trabalhar com cuidados paliativos at\u00e9 pela pr\u00f3pria caracter\u00edstica com que se apresentava a doen\u00e7a diante da escassez de tratamento daquela \u00e9poca; e o HEM foi pioneiro nessa pr\u00e1tica\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo Lucin\u00e9ia, os cuidados paliativos s\u00e3o, mais comumente, aplicados para doen\u00e7as terminais, principalmente neopl\u00e1sicas, ou associadas \u00e0 senilidade, como o Alzheimer ou outros tipos de dem\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Pandemia<\/strong><\/p>\n<p>Com a pandemia, o Hospital Eduardo de Menezes foi revocacionado para o atendimento a pacientes com covid-19, e a equipe de cuidados paliativos foi absorvida em plant\u00f5es diante da dificuldade de contrata\u00e7\u00e3o de profissionais experientes em atendimento a casos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>O paliativista Jo\u00e3o Paulo Ramos Campos foi um dos m\u00e9dicos transferidos do atendimento ambulatorial a pacientes de HIV para o CTI Covid.\u200b Ele explica que a equipe multidisciplinar de cuidados paliativos &#8211; formada por m\u00e9dico, psic\u00f3logo, assistente social, fisioterapeuta e enfermeiro &#8211; precisou se dividir para realizar o trabalho em um novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cNosso papel \u00e9 aumentar a qualidade de vida do paciente, melhorando sintomas f\u00edsicos, como dor, n\u00e1usea, sofrimento ps\u00edquico, psicol\u00f3gico, depress\u00e3o e conflitos familiares. Ajudamos o paciente evitando a distan\u00e1sia, ou seja, procedimentos que al\u00e9m de n\u00e3o reverter o quadro, trazem mais sofrimento e o prolongamento de sintomas desnecess\u00e1rios\u201d, descreve.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico esclarece que o cuidado paliativo n\u00e3o adia nem acelera a chegada da morte, e que quanto mais cedo a abordagem for feita, melhor. Isso porque h\u00e1 ganho de tempo para conversar com o paciente, fazer a diretiva &#8211; processo de escuta de sua hist\u00f3ria visando ao respeito \u00e0 sua vontade\u00a0sem, contudo, desconsiderar as indica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas -, planejar o tratamento e o cuidado.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o tem cura que n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer. Pelo contr\u00e1rio, o atendimento permanece sendo realizado de forma humanizada e com muito acolhimento\u201d, observa.<\/p>\n<p>O atendimento \u00e0s fam\u00edlias, que at\u00e9 mar\u00e7o de 2020 era presencial, passou a ocorrer de forma remota. Como as visitas est\u00e3o restritas em raz\u00e3o da covid, os psic\u00f3logos realizam videochamadas com os parentes de todos os pacientes, especialmente daqueles em estado grave, que podem evoluir para \u00f3bito.<\/p>\n<p>O paliativista Jo\u00e3o Paulo Campos conta que j\u00e1 chegou a se reunir com dez filhos de um paciente em uma sala, antes da pandemia. Hoje, as conversas s\u00e3o feitas presencialmente com um parente\u00a0e,\u00a0com os demais, por videochamada ou telefone.<\/p>\n<p>\u201cO lado ruim \u00e9 que o paliativista gosta de abra\u00e7ar e acolher. J\u00e1 o lado bom foi conseguir conversar com filhos que estavam em outros estados e at\u00e9 em outros pa\u00edses, algo que at\u00e9 a ocorr\u00eancia desta crise sanit\u00e1ria era impensado. Essa proximidade virtual \u00e9 algo que veio para ficar\u201d, aponta.<\/p>\n<p>De acordo com o m\u00e9dico, quase 99% das fam\u00edlias aceitam bem a proposta de ado\u00e7\u00e3o dos cuidados paliativos. \u201cElas agradecem e dizem que seria muito mais dif\u00edcil se o pai, o irm\u00e3o n\u00e3o tivesse essa oportunidade\u201d, completa o paliativista.<\/p>\n<p><strong>Repercuss\u00e3o positiva<\/strong><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o da lei foi comemorada pelos especialistas. \u201cRecebi o arquivo em todos os grupos (de mensagens) de cuidados paliativos de que participo, inclusive no nacional. Esta iniciativa do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mg.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Governo de Minas<\/a>\u00a0\u00e9 extremamente importante, todo hospital deveria ter uma equipe de cuidados paliativos. Esperamos que este est\u00edmulo permita que mais pacientes tenham acesso a um atendimento humanizado e que suas fam\u00edlias sejam acolhidas neste momento de tamanha tristeza\u201d, argumenta Campos.<\/p>\n<p><strong>Crian\u00e7as e adolescentes<\/strong><\/p>\n<p>A a\u00e7\u00f5es de cuidados paliativos n\u00e3o s\u00e3o voltadas somente para adultos e idosos, e, por isso, a lei traz um artigo de diretrizes especialmente dedicado \u00e0 aten\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es preveem:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0atendimento individual e, sempre que poss\u00edvel, pela mesma equipe de sa\u00fade;<br \/>\n&#8211; presen\u00e7a do pai e da m\u00e3e ou dos respons\u00e1veis legais pelo\u00a0m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel durante a interna\u00e7\u00e3o hospitalar;<br \/>\n&#8211;\u00a0 hospitaliza\u00e7\u00e3o em \u00e1rea destinada a crian\u00e7as e adolescentes, evitando-se o compartilhamento com habita\u00e7\u00e3o de adultos;<br \/>\n&#8211;\u00a0adequa\u00e7\u00e3o dos cuidados \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente, e \u00e0s suas fam\u00edlias; e<br \/>\n&#8211;\u00a0respeito \u00e0s cren\u00e7as e valores da crian\u00e7a, do adolescente e de seus familiares.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do Hospital Eduardo de Menezes, a Rede Fhemig conta com equipes de cuidados paliativos nos hospitais Alberto Cavalcanti, Infantil Jo\u00e3o Paulo II, Jo\u00e3o XXIII e J\u00falia Kubitschek, em Belo Horizonte, e, mais recentemente, no Complexo Hospitalar de Barbacena, no munic\u00edpio de mesmo nome.<\/p>\n<p>Com o revocacionamento que vem sendo realizado nas Casas de Sa\u00fade &#8211; localizadas em Bambu\u00ed, Betim, Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es e Ub\u00e1 -, os cuidados paliativos tamb\u00e9m t\u00eam sido foco de desenvolvimento de habilidades nas equipes em fun\u00e7\u00e3o das atividades que elas v\u00eam executando na reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNa linha de cuidado e de alta complexidade assistencial que a Rede Fhemig presta, recebemos, em todas as nossas unidades hospitalares de maior porte, pacientes com perfis de terminalidade da vida que precisam ser tratados com alt\u00edssima qualidade e t\u00e9cnica por essas equipes de cuidados paliativos\u201d, conclui a diretora assistencial Lucin\u00e9ia Carvalhais.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Ag\u00eancia Minas <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Princ\u00edpios, diretrizes e objetivos para as a\u00e7\u00f5es do Estado voltadas para os cuidados paliativos, no contexto da sa\u00fade p\u00fablica, agora t\u00eam amparo na legisla\u00e7\u00e3o estadual. 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