{"id":188033,"date":"2021-09-08T17:45:29","date_gmt":"2021-09-08T20:45:29","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=188033"},"modified":"2021-09-08T17:45:29","modified_gmt":"2021-09-08T20:45:29","slug":"na-melhor-campanha-do-brasil-na-historia-atletas-com-menos-de-25-anos-respondem-por-28-das-72-medalhas-do-brasil-em-nove-modalidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=188033","title":{"rendered":"Na melhor campanha do Brasil na hist\u00f3ria, atletas com menos de 25 anos respondem por 28 das 72 medalhas do Brasil, em nove modalidades"},"content":{"rendered":"<p>A dancinha de Gabriel Ara\u00fajo no p\u00f3dio do Centro Aqu\u00e1tico de T\u00f3quio se tornou uma das marcas registradas da passagem da delega\u00e7\u00e3o nacional por T\u00f3quio. N\u00e3o s\u00f3 pelo tom bem humorado e por trazer ao cen\u00e1rio competitivo dos Jogos Paral\u00edmpicos um ar de leveza, mas por simbolizar ali uma renova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do esporte paral\u00edmpico nacional. Gabriel tem 19 anos. Subiu ao p\u00f3dio tr\u00eas vezes, com dois ouros (50m costas e 200m livre) e uma prata (100m costas) na classe S2. Tem potencial para crescer tecnicamente e representar o Brasil por muitos novos ciclos.<\/p>\n<p>\u201cEu comecei em 2015 e sempre gostei de assistir \u00e0 nata\u00e7\u00e3o. Sempre gostei de assistir ao Daniel Dias. Eu n\u00e3o conhecia muito o esporte paral\u00edmpico, a galera, mas via aquilo ali e, ainda mais quando voc\u00ea est\u00e1 no come\u00e7o, pensava: \u2018Nossa! Ainda vou estar numa Paralimp\u00edada&#8230;\u2019 E aconteceu t\u00e3o r\u00e1pido&#8230; Cinco anos depois, com 19 anos ainda. Foi sensacional. Sonhar e estar aqui realizando tudo \u00e9 bacana demais\u201d, afirmou o atleta.<\/p>\n<p>Ao todo, 28 medalhas das 72 conquistadas pelo Brasil em nove modalidades na melhor campanha de sua hist\u00f3ria em Jogos Paral\u00edmpicos, em T\u00f3quio, vieram do trabalho de atletas com menos de 25 anos. Uma sinaliza\u00e7\u00e3o que, segundo atletas, porta-vozes e autoridades, demonstra o vigor do trabalho feito pelo pa\u00eds de renovar a delega\u00e7\u00e3o e manter a consist\u00eancia dos resultados. O Brasil deixou a capital japonesa na s\u00e9tima posi\u00e7\u00e3o no geral do quadro de medalhas, com 22 ouros, 20 pratas e 30 bronzes. O maior n\u00famero de ouros da hist\u00f3ria. E um empate com os Jogos Rio 2016 na quantidade de medalhas.<\/p>\n<p>Outros dois exemplos desse frescor vieram da pr\u00f3pria nata\u00e7\u00e3o. Wendell Belarmino, que em 2019 j\u00e1 havia conquistado o t\u00edtulo mundial, aos 21 anos, confirmou a condi\u00e7\u00e3o de mais r\u00e1pido atleta na classe 11, para deficientes visuais. De quebra, ainda saiu de T\u00f3quio com o bronze nos 100m borboleta e a prata no revezamento 4 x 100m 49 pontos.<\/p>\n<p>\u201cSempre costumo pensar que a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 onde me divirto. Se a gente for bem pr\u00e1tico, o nosso esporte \u00e9 como brincadeira de crian\u00e7a, aquela de ver quem atravessa a piscina mais r\u00e1pido. S\u00f3 que isso elevado a patamar de profiss\u00e3o. E isso vale tanto hoje, em que ainda sou jovem, quanto para quando estiver mais velho. A ideia \u00e9 sempre dar o melhor, mas sem se pressionar, sendo capaz de se divertir\u201d, ensinou.<\/p>\n<p>J\u00e1 Gabriel Bandeira, de 21 anos, estreou nas competi\u00e7\u00f5es do universo paral\u00edmpico apenas em 2020. Chegou aos Jogos de T\u00f3quio e demonstrou uma competitividade impressionante. Saiu da piscina com um ouro (100m borboleta), duas pratas (200m livre e 200m medley) e um bronze (revezamento 4 x 100m) na classe S14, para atletas com defici\u00eancia intelectual.<\/p>\n<p><b>Evolu\u00e7\u00e3o constante<\/b><\/p>\n<p>O vigor da renova\u00e7\u00e3o se transp\u00f5e para outras modalidades. Mariana D&#8217;Andrea, de 23 anos, levantou 137 quilos na disputa da categoria para atletas com menos de 73kg e conquistou um ouro in\u00e9dito para a hist\u00f3ria modalidade.<\/p>\n<p>No atletismo, a ca\u00e7ula da delega\u00e7\u00e3o nacional, Jard\u00eania F\u00e9lix, conquistou o bronze nos 400m da classe T20 com apenas 17 anos. Na mesma pista dos Est\u00e1dio Ol\u00edmpico de T\u00f3quio, a velocista Thalita Simpl\u00edcio, da classe T11, para deficientes visuais, conquistou duas pratas nas provas dos 200m e 400m aos 23 anos. \u201cSou nova e ainda tem muita coisa para acontecer\u201d, avisou Thalita.<\/p>\n<p>Principal destaque entre os velocistas brasileiros, Petr\u00facio Ferreira ainda tem 24 anos e ostenta os recordes mundiais e paral\u00edmpicos dos 100m da classe T47. Saiu de T\u00f3quio com um ouro nos 100m e um bronze nos 400m. Nos 400m, ali\u00e1s, a medalha de prata foi do paulista Thomaz Ruan de Moraes, de apenas 20 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso demonstra que o nosso esporte paral\u00edmpico n\u00e3o para de crescer. H\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o natural da cadeia inteira e tem muito investimento federal para dar suporte a isso&#8221;, afirmou Bruno Souza, secret\u00e1rio nacional de Esporte de Alto Rendimento da Secretaria Especial do Esporte do Minist\u00e9rio da Cidadania. Ele foi o representante do Governo Federal nos Jogos Paral\u00edmpicos de T\u00f3quio.<\/p>\n<p>No geral, 94,4% das medalhas vieram de atletas contemplados pelo Bolsa Atleta, programa de patroc\u00ednio direto da Secretaria Especial do Esporte do Minist\u00e9rio da Cidadania.\u00a0O programa acompanha muitos desses atletas desde as categorias de base at\u00e9 o ingresso na P\u00f3dio, a principal, voltada para atletas que se destacam entre os 20 melhores do mundo em suas modalidades, com repasses mensais entre R$ 5 mil e R$ 15 mil.\u00a0 A delega\u00e7\u00e3o brasileira chegou a T\u00f3quio respaldada por um investimento de mais de R$ 117 milh\u00f5es de forma direta, via Bolsa Atleta, repassados historicamente, desde 2005, a 226 dos 236 titulares da equipe.<\/p>\n<p><b>In\u00e9ditas e promissoras<\/b><\/p>\n<p>Na canoagem, o paranaense Giovane Vieira, de 23 anos, foi uma das grandes surpresas da modalidade e conquistou a medalha de prata na prova do VL3. J\u00e1 no taekwondo, a campanha que deixou o Brasil no topo do quadro de medalhas da modalidade na estreia do esporte no programa paral\u00edmpico teve a contribui\u00e7\u00e3o de dois jovens talentos. O paulista Nathan Torquato, de 20 anos, levou o ouro na categoria -61kg. A paraibana Silvana Fernandes, de 22, foi bronze na categoria -58kg.<\/p>\n<p>Goleador da campanha do in\u00e9dito ouro do goalball nos Jogos de T\u00f3quio, com 26 gols, Parazinho tem 25 anos. No v\u00f4lei feminino que subiu novamente ao p\u00f3dio com o bronze no Jap\u00e3o, Luiza Fiorese, Ana Lu\u00edsa Soares e Edwarda Dias tamb\u00e9m s\u00e3o integrantes da nova gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o resultados que a gente espera que despertem novos atletas para serem inseridos no paradesporto. Isso faz com que o Brasil, a m\u00e9dio e longo prazo, tenha ainda mais representantes nas diversas modalidades. No caso espec\u00edfico das coletivas, o goalball e o basquete em cadeira de rodas, al\u00e9m do v\u00f4lei sentado&#8221;, comentou o t\u00e9cnico Agt\u00f4nio Guedes, secret\u00e1rio nacional de Paradesporto da Secretaria Especial do Esporte do Minist\u00e9rio da Cidadania.<\/p>\n<p>&#8220;Isso ficou bem marcado nas pessoas de outros pa\u00edses que vieram falar comigo. Muitos nos perguntavam: &#8216;Qual \u00e9 o segredo, onde nasce tanta gente? Voc\u00eas t\u00eam sumidades, como o Daniel Dias, e n\u00e3o para de chegar gente boa em todas as modalidades&#8221;, relatou Bruno Souza.<\/p>\n<p><b>Engrenagens que se completam<\/b><\/p>\n<p>Segundo o presidente do Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro, Mizael Conrado, a resposta para esse sistema cont\u00ednuo de renova\u00e7\u00e3o das delega\u00e7\u00f5es nacionais se deve a um trabalho de busca ativa, de ir atr\u00e1s dos atletas. As ferramentas, segundo ele, passam por escolinhas, pela forma\u00e7\u00e3o de professores, pela realiza\u00e7\u00e3o de festivais para detec\u00e7\u00e3o de talentos e pela realiza\u00e7\u00e3o de campings com os destaques das Paralimp\u00edadas Escolares.<\/p>\n<p>&#8220;Antes, os atletas vinham ao CPB por meio de clubes e associa\u00e7\u00f5es. N\u00f3s mudamos essa l\u00f3gica. Passamos a criar programas de modo que o CPB passou a ir atr\u00e1s dos futuros atletas e das pessoas com defici\u00eancia. Temos uma escolinha com mais de 600 crian\u00e7as no contraturno escolar. Criamos o Festival Paral\u00edmpico, para ofertar para muita gente a primeira oportunidade de conhecer o movimento paral\u00edmpico. Atendemos dez mil crian\u00e7as em 70 cidades em 2019&#8221;, explicou Mizael.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, j\u00e1 t\u00ednhamos anualmente a Paralimp\u00edada Escolar. Muitas vezes, contudo, os atletas que se destacavam n\u00e3o tinham como dar sequ\u00eancia. O camping passou a ser uma oportunidade de ter esses atletas em nossa estrutura, em janeiro e em julho. Eles passam a ter conv\u00edvio com a equipe t\u00e9cnica do CPB e com atletas das sele\u00e7\u00f5es&#8221;, detalhou. &#8220;Trabalhamos ainda com a capacita\u00e7\u00e3o de professores. Come\u00e7amos com 30 mil. Queremos chegar a 100 mil em 2025.<\/p>\n<p>Para Mizael, a presen\u00e7a do Bolsa Atleta \u00e9 outro desses elos que garantem a perman\u00eancia do atleta no esporte e faz com que a engrenagem de revela\u00e7\u00e3o de novos talentos e a manuten\u00e7\u00e3o dos bons resultados do pa\u00eds seja mantida. \u201cO Bolsa Atleta tem relev\u00e2ncia muito importante no que a gente est\u00e1 vendo hoje. Ele d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para o atleta se desenvolver. E n\u00e3o s\u00f3 na ponta, mas desde l\u00e1 da base, na escola. Desde o Bolsa Escolar que d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es, incentiva e motiva a crian\u00e7a a persistir no esporte. O Bolsa Atleta tem uma participa\u00e7\u00e3o decisiva em todos os resultados que a gente teve aqui\u201d, concluiu Mizael Conrado.<\/p>\n<p>Das 20 modalidades em que o Brasil esteve presente nos Jogos de T\u00f3quio do total de 22 &#8211; o pa\u00eds n\u00e3o se classificou apenas para o basquete e do r\u00fagbi em cadeira de rodas -, em 14 o pa\u00eds subiu ao p\u00f3dio. Os brasileiros conquistaram medalhas no atletismo, nata\u00e7\u00e3o, bocha, canoagem, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, goalball, halterofilismo, hipismo, jud\u00f4, remo, taekwondo, t\u00eanis de mesa e v\u00f4lei sentado. At\u00e9 ent\u00e3o, a melhor marca havia sido no Rio 2016, quando 13 modalidades deram 72 medalhas ao pa\u00eds.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte:\u00a0 Rede do Esporte<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dancinha de Gabriel Ara\u00fajo no p\u00f3dio do Centro Aqu\u00e1tico de T\u00f3quio se tornou uma das marcas registradas da passagem da delega\u00e7\u00e3o nacional por T\u00f3quio. N\u00e3o s\u00f3 pelo tom bem humorado e por trazer ao cen\u00e1rio competitivo dos Jogos Paral\u00edmpicos um ar de leveza, mas por simbolizar ali uma renova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do esporte paral\u00edmpico nacional. 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