{"id":187980,"date":"2021-09-06T16:42:31","date_gmt":"2021-09-06T19:42:31","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=187980"},"modified":"2021-09-06T16:42:31","modified_gmt":"2021-09-06T19:42:31","slug":"interlocucao-das-politicas-publicas-avanca-na-atencao-a-populacao-em-situacao-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=187980","title":{"rendered":"Interlocu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas avan\u00e7a na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua"},"content":{"rendered":"<div id=\"box_texto_noticia\">\u00c9 preciso pensar a interlocu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas sociais nos munic\u00edpios para avan\u00e7ar na agenda da Assist\u00eancia Social, principalmente, quando o alvo \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. Segundo informa\u00e7\u00f5es do site da Prefeitura de Juiz de Fora, a atua\u00e7\u00e3o de um Comit\u00ea Intersetorial da Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua articulado, sem hierarquia, \u00e9 a aposta do pesquisador e doutor em Servi\u00e7o Social e Pol\u00edtica Social, Luciano M\u00e1rcio Freitas de Oliveira, como uma ferramenta fundamental para pensar todas as pol\u00edticas como parte de uma rede de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO Comit\u00ea \u00e9 um mecanismo da pol\u00edtica nacional, implantado em muitos munic\u00edpios brasileiros, que vai possibilitar construir essa cultura institucional que \u00e9 pensar a partir da prote\u00e7\u00e3o da rede de aten\u00e7\u00e3o como um todo. Assist\u00eancia, Habita\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Direitos Humanos, entre outras, s\u00e3o pol\u00edticas importantes e nenhuma \u00e9 melhor que a outra.\u201d<\/p>\n<p>Em sua palestra, na \u00faltima ter\u00e7a-feira, dia 31, para os profissionais da Secretaria de Assist\u00eancia Social (SAS), com media\u00e7\u00e3o da subsecret\u00e1ria de Prote\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o Social, Val\u00e9ria Gonelli, Luciano Freitas, tra\u00e7ou as ra\u00edzes sociohist\u00f3ricas de resgate do atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil. A secret\u00e1ria de Assist\u00eancia Social, Malu Salim, considerou os estudos e experi\u00eancias do pesquisador muito instigante e, ao mesmo tempo, um enorme desafio para SAS. \u201cA gente j\u00e1 sabia que tinha de reorganizar o nosso servi\u00e7o assistencial, agora, tenho certeza disso. Al\u00e9m de organizar \u00e9 necess\u00e1rio dar aten\u00e7\u00e3o ao nosso processo de trabalho. N\u00e3o adianta mudar os servi\u00e7os se n\u00e3o se organiza, n\u00e3o se refaz e n\u00e3o v\u00ea a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, historicamente.\u201d<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o do fen\u00f4meno social da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua passa pelo vi\u00e9s de como o pa\u00eds tratou e trata a pobreza urbana. \u201cA presen\u00e7a de pobres no contexto urbano das cidades promoveu, ao longo dos s\u00e9culos, imagens e representa\u00e7\u00f5es e uma multiplicidade de discursos sobre esse fen\u00f4meno que arrebate at\u00e9 hoje as formas explicativas para compreender essas quest\u00f5es no Brasil\u201d.<\/p>\n<p><b>Momentos s\u00f3cio-hist\u00f3ricos<\/b><\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria s\u00f3cio-hist\u00f3rica, segundo Luciano Freitas, deve ser entendida a partir de cinco momentos: de 1500 ao in\u00edcio do S\u00e9culo XX; 1930 \u00e0 d\u00e9cada de 1970; anos 1980 ao in\u00edcio dos anos 2000; 2004 a 2011; 2012 a 2019. No primeiro momento, parte-se do princ\u00edpio de que a invas\u00e3o das terras americanas brasileiras come\u00e7ou com a expans\u00e3o comercial europeia. Os mecanismos adotados por Portugal, a partir do s\u00e9culo 16, articulados com o processo de povoamento da terra, passaram por um complexo sistema de banimento. Isso significou expulsar os sujeitos indesejados da metr\u00f3pole portuguesa para as suas Col\u00f4nias por meio do degredo, afastamento volunt\u00e1rio ou compuls\u00f3rio de um contexto social.<\/p>\n<p>O pesquisador explica a pol\u00edtica adotada pela Col\u00f4nia Portuguesa, ressaltando que, ao mesmo tempo, que ocupava as terras, visibilizava-se a desinfesta\u00e7\u00e3o do reino, livrando-se dos indiv\u00edduos indesej\u00e1veis, classificando-os como respons\u00e1veis pelos conflitos sociais na metr\u00f3pole portuguesa. \u201cIsso teve um impacto muito grande na forma\u00e7\u00e3o social brasileira, porque essa massa de homens e mulheres pobres e livres, condenados pelo degredo, foram enviados ao Brasil para serem respons\u00e1veis pela pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Dessa forma, esse segmento social classificado como despossu\u00eddo, e, formalmente livre, de acordo com Luciano Freitas, estava fora das rela\u00e7\u00f5es de trabalho institu\u00eddas no per\u00edodo colonial, onde estava em opera\u00e7\u00e3o a m\u00e3o-de-obra escrava de grandes latif\u00fandios. Essa era a estrutura social de produ\u00e7\u00e3o e essa popula\u00e7\u00e3o estava fora disso e tinha como \u00fanica op\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia nesse cen\u00e1rio desempenhar fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o enquadradas e totalmente dispens\u00e1veis \u00e0 medida que n\u00e3o participava do sistema de produ\u00e7\u00e3o essencial.<\/p>\n<p>Essa forma de organiza\u00e7\u00e3o social relegou a uma massa de homens e mulheres livres a um papel de nexos nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, instituindo-lhes uma representa\u00e7\u00e3o da inaptid\u00e3o para o trabalho como recurso ideol\u00f3gico, utilizado desde o per\u00edodo colonial. Ap\u00f3s 1889, ajunta-se a esse segmento social os escravos que foram relegados \u00e0 pr\u00f3pria sorte. \u201cEnt\u00e3o, essa massa da popula\u00e7\u00e3o, no fim do s\u00e9culo XIX, refor\u00e7ou uma representa\u00e7\u00e3o sobre esse segmento social como indolentes, indisciplinados e todos compreendidos na vadiagem. E o \u00f3cio dessa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 caracterizado a partir da vis\u00e3o ideol\u00f3gica dos cafeicultores paulistas. Segundo essa elite, constitu\u00eda-se a g\u00eanese dos males sociais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNesse primeiro per\u00edodo, a principal institui\u00e7\u00e3o voltada para aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza, colonial e imperial, por exemplo em S\u00e3o Paulo, foi a Irmandade de Miseric\u00f3rdia, que veio transplantada do modelo portugu\u00eas das confrarias, cujo objetivo voltava-se para o recolhimento das contribui\u00e7\u00f5es dos ricos e distribuir em forma de esmola aos pobres. Mediante a esse processo de classifica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza urbana, esses pobres e livres recorriam \u00e0s a\u00e7\u00f5es assistenciais. Em SP, foi preciso muita rigidez nos crit\u00e9rios para acesso \u00e0s esmolas da Irmandade, pois o que significava ajudar um determinado tipo de pobre seria apoiar um vadio\u201d.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os primeiros elementos dessa popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, que \u00e9 considerada como \u201cvagabundos\u201d. Assim, constr\u00f3i-se uma imagem de representa\u00e7\u00e3o desse segmento social que rebate at\u00e9 a atualidade como modelo brasileiro para entender a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua como um recurso ideol\u00f3gico para criminaliz\u00e1-la.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a emerg\u00eancia de um saber policial aparece com a finalidade de controlar os comportamentos de modo de vida encontrados nesse espa\u00e7o p\u00fablico. Principalmente, o que era chamado de condutas impr\u00f3prias: mendic\u00e2ncia, vadiagem, prostitui\u00e7\u00e3o, que eram compreendidas como uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica e prescritas como crime de contraven\u00e7\u00e3o penal, tanto no c\u00f3digo de 1830 como de 1890.<\/p>\n<p>S\u00f3 em 2009, a mendic\u00e2ncia deixa de ser uma contraven\u00e7\u00e3o penal. Esse crime era descrito de forma gen\u00e9rica, cerceados de valores morais, a ideia de v\u00edcio, pudor, do \u00f3cio. \u201cA conduta mais objetiva que se colocava toda essa perspectiva moral era vista na quest\u00e3o da mendic\u00e2ncia. Para responder \u00e0 mendic\u00e2ncia nas cidades as velhas pr\u00e1ticas do degredo, enviar para outras cidades essas pessoas ou prend\u00ea-las nas delegacias.\u201d<\/p>\n<p>O segundo momento de identifica\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, de 1930 aos anos 1970, introduz uma alian\u00e7a estrat\u00e9gica entre o poder policial e as organiza\u00e7\u00f5es sociais e a pr\u00f3pria igreja. E a resposta institucional para esse segmento da sociedade foi a cria\u00e7\u00e3o das delegacias de mendic\u00e2ncias, que realizavam suas capturas nas rondas visando coibir as \u201cpessoas indesejadas\u201d nos espa\u00e7os p\u00fablicos. Essas pessoas, consideradas \u201cvagabundas\u2019 e \u201cindigentes\u201d, eram encaminhados para \u201calbergues noturnos\u201d e at\u00e9 enviados para outras cidades.<br \/>\n\u201cA pol\u00edtica de passar as pessoas para frente, para outro munic\u00edpio, repete aquele modelo do degredo e se revela como um &#8220;modus operandi\u201d at\u00e9 hoje. Esse modelo vai trabalhar com recolhimento compuls\u00f3rio, que se intensificou com a migra\u00e7\u00e3o de pessoas do nordeste brasileiro para outras regi\u00f5es na busca de oportunidades de emprego. Por n\u00e3o terem \u00eaxito acabaram indo parar na rua.\u201d<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica do recolhimento compuls\u00f3rio passou por toda a d\u00e9cada de 70, refor\u00e7ado pelo per\u00edodo da ditadura militar como pr\u00e1tica voltada para a Seguran\u00e7a Nacional. Em SP, por exemplo, surgiu a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Inverno\u201d, que consistia na a\u00e7\u00e3o das secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica e de Promo\u00e7\u00e3o Social no recolhimento de pedintes e indigentes transit\u00f3rios ou permanentes, sujeitando-se ao tratamento das institui\u00e7\u00f5es policiais, a partir de uma triagem com base nas per\u00edcias m\u00e9dica, policial e social. Assim, nasce uma pol\u00edtica de circula\u00e7\u00e3o para aqueles considerados itinerantes em SP e replicada em muitos outros munic\u00edpios. Luciano Freitas observou que essa resposta aos migrantes foi muito utilizada na Sul, Centro Oeste e Sudeste.<\/p>\n<p>As respostas institucionais para al\u00e9m da pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica foram t\u00edmidas nesse per\u00edodo. O destaque fica para a institui\u00e7\u00e3o do \u201cAux\u00edlio Fraterno\u201d. Se at\u00e9 1970 os problemas eram os migrantes, agora, observa-se a materializa\u00e7\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o do saber policial e assistencial benemerente como respostas institucionais \u00e0 quest\u00e3o da pobreza urbana. Tem-se as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de reconhecimento desse segmento social por parte do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>O terceiro momento ocorre a partir da d\u00e9cada de 1980. Com a crise econ\u00f4mica brasileira, Luciano Freitas destacou a intensifica\u00e7\u00e3o do debate sobre o atendimento \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua como resultado da desigualdade social, principalmente, mediada pelas discuss\u00f5es provocadas pelos movimentos sociais e grupos ligados aos direitos humanos.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es estruturais e conjunturais produzem a vida na rua. Segundo Luciano Freitas, \u00e9 preciso dar uma resposta a estes contextos com a devida compreens\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, que passa a ser consequ\u00eancia ao desemprego em massa. A tr\u00edade migra\u00e7\u00e3o, desemprego e rua passa a ser debatida. A gest\u00e3o de Luiza Erundina (1989-1992) na Prefeitura de S\u00e3o Paulo foi citada pelo pesquisador como o exemplo de responsabilidade p\u00fablica na oferta de servi\u00e7os para popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o municipal na assist\u00eancia passa a ser matriz constru\u00edda na rede de servi\u00e7os. Nos anos 1990 surge os primeiros debates de cria\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica para a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. \u00c9 a emerg\u00eancia da quest\u00e3o como responsabilidade p\u00fablica. N\u00e3o se tratava de classificar uma quest\u00e3o individual e isolada, mas de um experiencia de desprote\u00e7\u00e3o vivenciada de um grupo social. \u201cPassava-se a compreender a quest\u00e3o da vida na rua como fen\u00f4meno social coletivo. \u00c9 resultado das quest\u00f5es estruturais da desigualdade social no Brasil.\u201d<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o dessa compreens\u00e3o municipal para a nacional marca o quarto momento, de acordo com Luciano Freitas, que chama essa chave \u201cDa Rua ao Pal\u00e1cio Planalto\u201d. O reconhecimento do Estado brasileiro para as quest\u00f5es desse segmento da sociedade ganha corpo nos anos 2000. A partir de 2004, ampliou-se o debate sobre as pessoas que buscam sobreviv\u00eancia nas ruas das medias e grandes cidades.<\/p>\n<p>A tem\u00e1tica ganha import\u00e2ncia no debate p\u00fablico da gest\u00e3o federal. A sensibilidade do governo do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva para quest\u00e3o social come\u00e7a influenciar nas mudan\u00e7as institucionais com as pol\u00edticas p\u00fablicas para popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. A articula\u00e7\u00e3o como movimento social estadual e nacional, que se fez representar na luta, traz o reconhecimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua enquanto sujeito direito, ou seja, ter direito aos atendimentos sociais.<\/p>\n<p>Ao se organizar como coletivo social, a representa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua passa reivindicar direitos e ser reconhecida pelo Estado brasileiro. Tem-se a incorpora\u00e7\u00e3o desse segmento social nas pol\u00edticas p\u00fablicas, com destaque para as pol\u00edticas de Assist\u00eancia Social, como resultado das a\u00e7\u00f5es de luta. A Lei Org\u00e2nica da Assist\u00eancia Social, em 2005, traz no seu bojo a obrigatoriedade de servi\u00e7os socioassistenciais para a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. Com dois encontros nacionais dessa pol\u00edtica social brasileira surge um modelo institucional a partir do debate e da demanda de gestores, pesquisadores, usu\u00e1rios, trabalhadores etc.<\/p>\n<p>Num processo participativo em 2009, a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua \u00e9 reconhecida como sujeito direito no Brasil. A materializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 no Decreto n\u00ba 7.053- 23\/12\/2009, que instituiu a \u201cPol\u00edtica Nacional para a Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua e seu Comit\u00ea Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento. A reorganiza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas garantiu a aten\u00e7\u00e3o a esse segmento social atrav\u00e9s da Sa\u00fade, Assist\u00eancia Social, Trabalho e Renda e Habita\u00e7\u00e3o. At\u00e9 2011, a resposta esteve na perspectiva da aten\u00e7\u00e3o com mudan\u00e7as e reorganiza\u00e7\u00e3o. Esse recorte \u00e9 pequeno mais impacta o novo paradigma para pensar as quest\u00f5es institucionais dessa pop rua.<\/p>\n<p>O quinto momento, a partir de 2012, tem-se a Rua e o Crack. Percebe-se o uso abusivo de crack e outras drogas no espa\u00e7o social da rua. Essa tem\u00e1tica esvazia a for\u00e7a explicativa do fen\u00f4meno social pelo vi\u00e9s das quest\u00f5es da falta de trabalho e da migra\u00e7\u00e3o. \u201cO uso de drogas faz com que as pessoas permane\u00e7am na rua. Surge as pautas de a\u00e7\u00f5es governamentais, mas faltam pesquisas e estudos nesse per\u00edodo de 2012 a 2017. As pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o redirecionadas para essa problem\u00e1tica da \u2018crackrol\u00e2ndia\u2019, com a influ\u00eancia da m\u00eddia nessas a\u00e7\u00f5es deliberadas em torno do crack. O resultado foi a estrutura\u00e7\u00e3o de antigas representa\u00e7\u00f5es sobre a pobreza urbana. Quando veio o momento da rua e crack foi percept\u00edvel a volta de a\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia, seguran\u00e7a e sa\u00fade, com foco no recolhimento para sociedade ver. Foi a retomada de pr\u00e1ticas institucionais focadas nas velhas respostas.<br \/>\nEnfim, esses cinco momentos s\u00f3cio-hist\u00f3rico refor\u00e7am a luta para que n\u00e3o se reproduzam as pr\u00e1ticas fora da perspectiva dos SUAS \u2013 Sistema \u00danico de Assist\u00eancia Social suas, que \u00e9 o modelo de gest\u00e3o utilizado no Brasil para operacionalizar as a\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia social. A assist\u00eancia social \u00e9 parte do Sistema de Seguridade Social, apresentado pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, \u00e9 necess\u00e1rio romper com as velhas pr\u00e1ticas e entender o processo de vida da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua com novos paradigmas. Avan\u00e7os e elementos novos precisam atravessar as a\u00e7\u00f5es velhas para melhorar a rede de trabalho. Por isso, os comit\u00eas intersetoriais abrem novas perspectivas para articula\u00e7\u00e3o e aproxima\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas sociais. Esse debate tem como fundamento a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de rua e n\u00e3o da cidade. O fundamento da Assist\u00eancia Social \u00e9 pela perspectiva do paradigma do direito, paradigma do SUAS.<\/p>\n<p><b>Comit\u00ea Intersetorial da PJF<\/b><\/p>\n<p>A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) j\u00e1 tem o seu Comit\u00ea Intersetorial de Elabora\u00e7\u00e3o, Acompanhamento e Monitoramento da Pol\u00edtica Municipal para a Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua. O Comit\u00ea Pop Rua &#8211; JF foi criado por meio do Decreto n.\u00ba 14.489\/2021, que tem como proposta elaborar, acompanhar, monitorar e gerir a pol\u00edtica municipal para a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. Esse Comit\u00ea \u00e9 composto por onze representantes do poder p\u00fablico e onze da sociedade civil (titulares), sendo tr\u00eas da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua e oito de entidades que possuam atua\u00e7\u00e3o direta ou indireta na tem\u00e1tica da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua e respectivos suplentes.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"box_compartilhar\" align=\"right\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 preciso pensar a interlocu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas sociais nos munic\u00edpios para avan\u00e7ar na agenda da Assist\u00eancia Social, principalmente, quando o alvo \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. Segundo informa\u00e7\u00f5es do site da Prefeitura de Juiz de Fora, a atua\u00e7\u00e3o de um Comit\u00ea Intersetorial da Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":246,"featured_media":187981,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[253,436],"tags":[],"class_list":["post-187980","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","category-destaque-da-semana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/187980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/246"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=187980"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/187980\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":187982,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/187980\/revisions\/187982"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/187981"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=187980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=187980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=187980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}