{"id":184640,"date":"2021-06-30T18:06:30","date_gmt":"2021-06-30T21:06:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=184640"},"modified":"2021-06-30T18:29:12","modified_gmt":"2021-06-30T21:29:12","slug":"ipea-revisa-pib-deste-ano-de-3-para-48","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=184640","title":{"rendered":"Ipea revisa PIB deste ano de 3% para 4,8%"},"content":{"rendered":"<p>O Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) elevou de 3% para 4,8% a previs\u00e3o de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds), para 2021. A revis\u00e3o foi baseada na expectativa de crescimento mais sustentado da atividade econ\u00f4mica no segundo semestre, com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19; o ambiente externo mais favor\u00e1vel e a redu\u00e7\u00e3o das incertezas fiscais no curto prazo. A revis\u00e3o faz parte da an\u00e1lise trimestral da economia brasileira, divulgada hoje (30) pelo Ipea.<\/p>\n<p>\u201cIsso muda bastante a perspectiva para a m\u00e9dia do ano. Quando a gente olha o PIB, analisa o produzido no ano todo comparado ao que foi produzido no ano anterior. Como a gente tem metade do ano vindo melhor do que estava, isso melhora bastante a perspectiva para o ano todo\u201d, disse em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil o diretor de Estudos e Pol\u00edticas Macroecon\u00f4micas do Ipea, Jos\u00e9 Ronaldo de Souza J\u00fanior.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o de crescimento interanual no segundo trimestre \u00e9 de 12,6%. J\u00e1 para 2022, a expectativa dos pesquisadores \u00e9 um avan\u00e7o de 2% para o PIB. O percentual \u00e9 menor do que os 2,8% que tinham sido previstos na divulga\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o, na Carta de Conjuntura do Ipea. A raz\u00e3o \u00e9 o aumento da base de compara\u00e7\u00e3o com o PIB em 2021, que ser\u00e1 mais alto do que o estimado anteriormente. Mesmo com o recuo na previs\u00e3o do PIB 2022, o crescimento acumulado no bi\u00eanio 2021\/2022 passou de 5,9% para 6,9%.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es levam em conta um panorama com controle da pandemia no Brasil por meio de vacina\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio relativamente est\u00e1vel para a pol\u00edtica fiscal no curto prazo, principalmente com o compromisso de manuten\u00e7\u00e3o do teto dos gastos. A an\u00e1lise chama aten\u00e7\u00e3o, no entanto, para o poss\u00edvel aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, que representa um fator de risco, j\u00e1 que pode pressionar o c\u00e2mbio e os juros no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Infla\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO Ipea alterou tamb\u00e9m a proje\u00e7\u00e3o para o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, passando de 5,3% para 5,9%. No acumulado de 12 meses, at\u00e9 maio deste ano, a taxa de infla\u00e7\u00e3o subiu de 6,8% para 8,1%, por causa do impacto da alta nos pre\u00e7os monitorados e bens industriais. A an\u00e1lise destacou que a alta de 2,1% nos pre\u00e7os administrados em maio refletiu n\u00e3o apenas o acionamento da bandeira vermelha e seus impactos sobre a energia el\u00e9trica, como tamb\u00e9m os novos aumentos dos medicamentos, do g\u00e1s e da gasolina.<\/p>\n<p>\u201cEssa bandeira de fato aumenta a expectativa de infla\u00e7\u00e3o e por isso a gente tem essa nova revis\u00e3o para a infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 bem significativa, mas, por outro lado, a gente tem agora uma perspectiva melhor em termos de d\u00f3lar. Isso vai ajudar a desacelerar o pre\u00e7o para o produtor e por consequ\u00eancia para o consumidor. Mantida uma trajet\u00f3ria mais ben\u00e9fica da taxa de c\u00e2mbio, isso pode contribuir para deter os pre\u00e7os ao consumidor. \u00c9 o que a gente espera\u201d, explicou.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos pre\u00e7os monitorados, a proje\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o subiu de 8,4% para 9,7% este ano. Os bens de consumo industriais devem subir de 4,3% para 4,8%. Nos servi\u00e7os livres, exceto educa\u00e7\u00e3o, a expectativa foi alterada de 4% para 4,2%. As taxas dos alimentos e da educa\u00e7\u00e3o foram mantidas em 5% e 3,8%, respectivamente.<\/p>\n<p>Para 2022, os pesquisadores estimaram uma desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, tanto para o IPCA quanto para o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC). O IPCA deve encerrar o ano que vem em 3,9%, um pouco acima da estimativa de 3,7% para o INPC.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio externo<br \/>\n<\/strong><br \/>\nSegundo os pesquisadores, a valoriza\u00e7\u00e3o das commodities exportadas pelo pa\u00eds, o aumento dos fluxos de com\u00e9rcio internacional e as condi\u00e7\u00f5es financeiras globais, que estimulam o apetite por risco, t\u00eam impactado positivamente a economia brasileira. Conforme a an\u00e1lise, o pre\u00e7o internacional das commodities reflete a retomada da atividade econ\u00f4mica global, com forte crescimento nos \u00faltimos meses e n\u00edvel hist\u00f3rico elevado.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras aumentaram, tanto em volume quanto em valor. Isso ocorreu por causa do crescimento da economia mundial e do aumento dos pre\u00e7os externos. Nos primeiros cinco meses do ano, as exporta\u00e7\u00f5es apresentaram crescimento de 40%, enquanto no mesmo per\u00edodo do ano passado tinha sido de 12%. Refletindo o n\u00edvel de atividade interno, as importa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se recuperaram. A alta ficou em 21% de janeiro a maio, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2020.<\/p>\n<p><strong>Mobilidade<br \/>\n<\/strong><br \/>\nOs pesquisadores conclu\u00edram que a partir de maio, os indicadores de mobilidade voltaram a aumentar. Antes disso, tinham refletido as dificuldades causadas pela pandemia da covid-19 no Brasil. Conforme a an\u00e1lise, houve queda na evolu\u00e7\u00e3o dos indicadores de mobilidade nos quatro tipos de estabelecimentos mais relacionados \u00e0 atividade econ\u00f4mica como as lojas de varejo e locais de lazer; os mercados e farm\u00e1cias; as esta\u00e7\u00f5es de transporte p\u00fablico e os locais de trabalho, entre o final de 2020 e os meses de mar\u00e7o e de abril de 2021, o que pode ter impactado negativamente a atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cO ano passado foi muito impactado pela pandemia em termos econ\u00f4micos. Este ano aparentemente os setores conseguiram lidar melhor com as restri\u00e7\u00f5es impostas e mesmo as restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram t\u00e3o intensas como no ano passado. Este ano, pelo que a gente viu, foi mais em cada local, mas em termos nacionais este ano n\u00e3o parou setores como a ind\u00fastria\u201d, disse Jos\u00e9 Ronaldo de Souza J\u00fanior.<\/p>\n<p>O diretor do Ipea acrescentou que este ano os servi\u00e7os prestados evolu\u00edram como os sistemas de delivery e isso ajudou a manter as atividades. \u201cO setor de servi\u00e7os, acredito que esteja surpreendendo, porque com o agravamento da crise que a gente viveu, era esperado que o impacto fosse maior nesse per\u00edodo de mais restri\u00e7\u00f5es. As pessoas conseguiram produzir e vender tendo muito menos impacto do que no ano passado. A gente tem delivery melhor, tem esquema de entrega melhor pela internet, WhatsApp e por a\u00ed vai. Na \u00e9poca [ano passado], al\u00e9m do susto muito grande de uma doen\u00e7a desconhecida, havia falta de EPIs normais como m\u00e1scaras e \u00e1lcool em gel, coisa que hoje n\u00e3o h\u00e1 esse tipo de problema. Isso atrapalhou as empresas. Trabalhar nesse ambiente de risco foi um aprendizado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o, como acontece em outros pa\u00edses, no Brasil pode voltar a funcionar alguns segmentos que foram suspensos por causa da pandemia. \u201cSetores de lazer, de cultura, de recrea\u00e7\u00e3o e turismo, que empregam muita gente e ainda est\u00e3o com muitas restri\u00e7\u00f5es porque muitos dependem de aglomera\u00e7\u00e3o. Acho que isso pode contribuir bastante para a recupera\u00e7\u00e3o da economia\u201d, observou o diretor do Ipea.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o fiscal<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEm movimento oposto, as contas p\u00fablicas apresentaram melhora nos \u00faltimos meses. No acumulado do ano at\u00e9 abril, as receitas federais subiram 16,6% em termos reais. O percentual, que \u00e9 superior \u00e0s proje\u00e7\u00f5es, levou a uma revis\u00e3o importante do total estimado para 2021, influenciando na queda do d\u00e9ficit prim\u00e1rio previsto para o ano. Ca\u00edram as previs\u00f5es para as despesas esperadas para o ano, o que reduz a necessidade de ajuste para manter o compromisso com o teto de gastos da Uni\u00e3o. Para 2022, a folga deve ser maior para o cumprimento do teto de gastos, resultado do comportamento esperado dos \u00edndices de pre\u00e7os que corrigir\u00e3o o teto e parcela importante das despesas obrigat\u00f3rias.<\/p>\n<p>O diretor de Estudos e Pol\u00edticas Macroecon\u00f4micas do Ipea destacou que a d\u00edvida como propor\u00e7\u00e3o do PIB foi beneficiada pelo super\u00e1vit prim\u00e1rio do primeiro quadrimestre e do crescimento nominal do PIB, que surpreendeu devido \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o do deflator impl\u00edcito, al\u00e9m do maior crescimento real. Com isso, houve revis\u00e3o para baixo da trajet\u00f3ria prevista para a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida bruta\/PIB nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>\u201cFicou claro o compromisso com o teto de gastos, no momento. Esse tipo de coisa reduziu no curto prazo o risco. N\u00e3o \u00e9 que a quest\u00e3o esteja resolvida, mas isso tem contribu\u00eddo positivamente para as expectativas\u201d, disse.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Ag\u00eancia Brasil <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) elevou de 3% para 4,8% a previs\u00e3o de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds), para 2021. 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