{"id":180373,"date":"2021-04-03T09:58:55","date_gmt":"2021-04-03T12:58:55","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=180373"},"modified":"2021-04-03T09:58:55","modified_gmt":"2021-04-03T12:58:55","slug":"pesquisador-ve-bolha-como-unica-alternativa-para-futebol-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=180373","title":{"rendered":"Pesquisador v\u00ea bolha como \u00fanica alternativa para futebol em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>O futebol em territ\u00f3rio paulista est\u00e1 paralisado h\u00e1 duas semanas por conta do aumento de casos e interna\u00e7\u00f5es pelo novo coronav\u00edrus (covid-19). A proibi\u00e7\u00e3o de eventos esportivos foi determinada pelo Governo de S\u00e3o Paulo ap\u00f3s recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual. O pesquisador Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP), por\u00e9m, entende que a retomada s\u00f3 poderia ocorrer no formato de bolha sanit\u00e1ria, onde os envolvidos (jogadores, comiss\u00e3o t\u00e9cnica, etc) ficam totalmente isolados.<\/p>\n<p>\u201cEm um cen\u00e1rio como o nosso, onde a transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria [da covid-19] permanece cada vez mais descontrolada, a \u00fanica maneira que voc\u00ea tem para dar segmento a qualquer tipo de setor, n\u00e3o s\u00f3 o esporte, \u00e9 isol\u00e1-lo da comunidade. Ou isola, ou para\u201d, avalia em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Gualano integra a coaliz\u00e3o Esporte Covid-19, que re\u00fane pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es como os hospitais das Cl\u00ednicas da FM-USP, Albert Einstein e do Cora\u00e7\u00e3o, a Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), o Complexo Hospitalar de Niter\u00f3i (RJ), o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e o N\u00facleo de Alto Rendimento Esportivo de S\u00e3o Paulo (NAR-SP), com apoio da pr\u00f3pria Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol (FPF). O professor coordenou um estudo, divulgado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), em cima dos testes feitos em 4.269 atletas que disputaram as competi\u00e7\u00f5es paulistas em 2020 (masculinas e femininas, profissionais e de base) e em 2.231 membros de equipes de apoio.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise observou que a incid\u00eancia de infec\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus foi de 11,7% (501) entre os esportistas e 7% (161) entre membros de estafe. O \u00faltimo grupo, que re\u00fane dirigentes e membros de comiss\u00e3o t\u00e9cnica, onde a idade \u00e9 mais elevada e as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade variam bastante, \u00e9 o que registrou os casos mais graves. Entre eles, um \u00f3bito.<\/p>\n<p>Segundo Gualano, a porcentagem equivale \u00e0 da incid\u00eancia em profissionais de sa\u00fade da linha de frente na pandemia. Em nota, o Comit\u00ea M\u00e9dico da FPF sustentou que a compara\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 cientificamente incorreta, pois seguramente a testagem frequente em todos os atletas possibilitou maior n\u00famero de diagn\u00f3sticos, principalmente por serem assintom\u00e1ticos\u201d e que o futebol \u201crealiza mais testes\u201d que a maioria dos segmentos da sociedade.<\/p>\n<p>\u201cA compara\u00e7\u00e3o que fizemos \u00e9 com base cient\u00edfica\u201d, afirma Gualano. \u201cOs profissionais da linha de frente da sa\u00fade foram testados por sorologia, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 de se falar de eventuais casos n\u00e3o detectados pelo exame de PCR que acontece no futebol. O PCR n\u00e3o \u00e9 o instrumento mais sens\u00edvel para se detectar exposi\u00e7\u00f5es a doen\u00e7a, uma vez que ele tem sensibilidade a uma faixa curta de tempo, tr\u00eas a dez dias. Os inqu\u00e9ritos sorol\u00f3gicos s\u00e3o mais informativos nesse sentido\u201d, completa.<\/p>\n<p>O pesquisador entende que a realiza\u00e7\u00e3o de mais de 30 mil testes (precisamente 31.632, segundo a FPF, entre 1\u00ba de julho e 31 de dezembro de 2020) mostra que a aplica\u00e7\u00e3o do protocolo no meio esportivo foi cumprida. O problema, segundo ele, est\u00e1 fora do ambiente do futebol.<\/p>\n<p>\u201cA positividade [considerando o total de testes realizados] foi baixa, o que significa que se testou adequadamente, isso \u00e9 importante. O fator preponderante para o alto n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es \u00e9 a falta de controle de transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria. Os jogadores seguiram o protocolo no ambiente esportivo. Fora dele, n\u00e3o houve qualquer tipo de controle. N\u00e3o sab\u00edamos onde esses jogadores iriam se reunir \u00e0 noite, onde sairiam para jantar, com quantas pessoas conviviam, se eles se higienizavam, se cumpriam o distanciamento. O protocolo n\u00e3o ia at\u00e9 esse ponto\u201d, argumenta Gualano.<\/p>\n<p>A pesquisa ainda comparou a incid\u00eancia da covid-19 nos atletas do futebol paulista com outros pa\u00edses, e constatou que o percentual superou ligas como a do Catar (4%) e a Bundesliga, primeira divis\u00e3o do Campeonato Alem\u00e3o (0,6%). A nota do Comit\u00ea M\u00e9dico da FPF entende que, \u201cdo ponto de vista cient\u00edfico\u201d, tal correla\u00e7\u00e3o seria invi\u00e1vel, \u201cafinal, existem enormes diferen\u00e7as entre os pa\u00edses\/ligas\u201d, como as caracter\u00edsticas de protocolos, o per\u00edodo da an\u00e1lise, as caracter\u00edsticas sociais e o est\u00e1gio da pandemia.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente faz um estudo como o nosso, de incid\u00eancia de infec\u00e7\u00e3o em uma popula\u00e7\u00e3o restrita, o objetivo \u00e9 comparar com outros cen\u00e1rios, saber em que est\u00e1gio estamos de controle epid\u00eamico. O que comparamos, basicamente, foi a abertura do futebol com outros pa\u00edses, que tinham dados publicados cientificamente. Claro que h\u00e1 peculiaridades no cen\u00e1rio epid\u00eamico dos v\u00e1rios pa\u00edses, mais referentes \u00e0 transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria e menos com rela\u00e7\u00e3o aos protocolos. Justamente pela compara\u00e7\u00e3o com outros cen\u00e1rios, a gente consegue chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que a abertura do esporte em um ambiente n\u00e3o mitigado, de transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria elevada, requer medidas mais r\u00edgidas de controle de transmiss\u00e3o\u201d, conclui o professor da FM-USP.<\/p>\n<p>Os jogos de futebol est\u00e3o proibidos em S\u00e3o Paulo pelo menos at\u00e9 12 de abril, um dia ap\u00f3s o t\u00e9rmino da Fase Emergencial, a mais restritiva do Plano S\u00e3o Paulo, de combate \u00e0 covid-19. A FPF se reuniu, no in\u00edcio da semana, com o Minist\u00e9rio P\u00fablico para apresentar um novo protocolo, mais exigente, para tentar viabilizar a retomada da competi\u00e7\u00e3o antes do dia 11. Entre as medidas, est\u00e3o a ado\u00e7\u00e3o de bolhas para concentra\u00e7\u00e3o de atletas e comiss\u00f5es t\u00e9cnicas, com testagem nas 24 horas que antecederem a entrada no isolamento, exames de PCR antes e depois de cada jogo e afastamento do atleta e rastreio de contatos no caso de resultados positivos. A entidade tem afirmado que a S\u00e9rie A1 (primeira divis\u00e3o) estadual ser\u00e1 finalizada na data prevista, em 23 de maio.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futebol em territ\u00f3rio paulista est\u00e1 paralisado h\u00e1 duas semanas por conta do aumento de casos e interna\u00e7\u00f5es pelo novo coronav\u00edrus (covid-19). A proibi\u00e7\u00e3o de eventos esportivos foi determinada pelo Governo de S\u00e3o Paulo ap\u00f3s recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual. O pesquisador Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP), [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":246,"featured_media":180374,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[436,257,262,439],"tags":[],"class_list":["post-180373","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-da-semana","category-esporte","category-noticias","category-ultima-hora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/180373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/246"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=180373"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/180373\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":180375,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/180373\/revisions\/180375"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/180374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=180373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=180373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=180373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}