{"id":175253,"date":"2020-12-18T10:42:25","date_gmt":"2020-12-18T13:42:25","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=175253"},"modified":"2020-12-18T10:42:25","modified_gmt":"2020-12-18T13:42:25","slug":"trabalho-infantil-cai-em-2019-mas-18-milhao-de-criancas-esteve-nessa-situacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=175253","title":{"rendered":"Trabalho infantil cai em 2019, mas 1,8 milh\u00e3o de crian\u00e7as esteve nessa situa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho infantil caiu de 5,3%, em 2016, para 4,6% das pessoas de 5 a 17 anos, em 2019. Embora em tr\u00eas anos tenha havido redu\u00e7\u00e3o de cerca de 357 mil, ainda havia 1,8 milh\u00e3o de crian\u00e7as e jovens nessa situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, sendo 1,3 milh\u00e3o em atividades econ\u00f4micas e 463 mil em atividades de autoconsumo. Houve uma redu\u00e7\u00e3o de 16,8% no contingente de crian\u00e7as e adolescentes em trabalho infantil frente a 2016, quando havia 2,1 milh\u00f5es de crian\u00e7as trabalhando. Entre as crian\u00e7as e adolescentes que realizavam atividade econ\u00f4mica, 45,9% estavam ocupadas em trabalho perigoso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o que mostra a PNAD Cont\u00ednua sobre Trabalho de Crian\u00e7as e Adolescentes, que integra as estat\u00edsticas experimentais do IBGE e que capta informa\u00e7\u00f5es sobre as atividades econ\u00f4micas e de autoconsumo, escolares e dom\u00e9sticas, no territ\u00f3rio nacional. Ainda em car\u00e1ter experimental, a pesquisa tem como foco principal a ado\u00e7\u00e3o em 2018 da Resolu\u00e7\u00e3o IV da 20\u00aa Confer\u00eancia Internacional de Estat\u00edsticos do Trabalho \u2013 CIET.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA queda do trabalho infantil foi observada tanto em termos absolutos como na propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, e foi ligeiramente maior para a popula\u00e7\u00e3o de rapazes e meninos, do que entre as mulheres. Essa queda maior j\u00e1 era de se esperar, porque h\u00e1 mais meninos que meninas no trabalho infantil\u201d, explicou a gerente da pesquisa Maria Lucia Vieira.<\/span><\/p>\n<p><b>Perfil do trabalho infantil: 16 e 17 anos, sexo masculino e pretos e pardos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto \u00e0 faixa de idade, o total da popula\u00e7\u00e3o em trabalho infantil (1,8 milh\u00e3o) seguia a seguinte distribui\u00e7\u00e3o: 21,3% tinham de 5 a 13 anos; 25,0%, 14 e 15 anos e a maioria, 53,7%, tinham 16 e 17 anos de idade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho infantil concentrava mais pessoas do sexo masculino (66,4%) do que feminino (33,6%). O percentual de pessoas de cor branca em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil era bastante inferior (32,8%) \u00e0queles de cor preta ou parda (66,1%).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Houve diferen\u00e7as, tamb\u00e9m, na frequ\u00eancia \u00e0 escola, uma vez que 96,6% da popula\u00e7\u00e3o de 5 a 17 era formada por estudantes, enquanto entre os trabalhadores infantis a estimativa baixava para 86,1%.<\/span><\/p>\n<p><b>Cerca de 25% dos jovens de 16 a 17 anos que trabalhavam cumpriam jornada de mais de 40 horas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo indica que as jornadas de trabalho aumentavam na medida em que a idade das crian\u00e7as e jovens se elevava. Entre as crian\u00e7as mais novas, de 5 a 13 anos, 83,1% cumpriam at\u00e9 14 horas semanais, enquanto apenas 25,8% dos jovens de 16 e 17 anos tinham essa jornada menor. Na faixa de 16 e 17 anos, 24,2% trabalhavam mais de 40 horas semanais.<\/span><\/p>\n<p><b>Mulheres recebiam 87,9% do rendimento dos homens em trabalho infantil<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2019, o rendimento m\u00e9dio real das pessoas de 5 a 17 anos em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil que realizavam atividade econ\u00f4mica foi estimado em R$ 503. Quando se desagregava por sexo, os homens tinham rendimento de R$ 524, enquanto as mulheres recebiam 87,9% desse valor (R$ 461). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cor ou ra\u00e7a, o valor m\u00e9dio recebido por crian\u00e7as e jovens de cor branca era de R$ 559, reduzindo para R$ 467 pelas de cor preta ou parda.<\/span><\/p>\n<p><b>92,7 mil crian\u00e7as e jovens trabalhavam como empregados dom\u00e9sticos e 722 mil de 16 e 17 anos estavam em trabalhos informais<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O contingente de 1,3 milh\u00e3o de trabalhadores que realizavam atividades econ\u00f4micas em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil concentrava-se principalmente na atividade n\u00e3o-agr\u00edcola (75,8%). Eles estavam inseridos, majoritariamente, como empregados (57,7%), seguidos pelos que eram trabalhadores familiares auxiliares (30,9%). Os servi\u00e7os dom\u00e9sticos respondiam por 7,1%, ou seja, havia 92,7 mil nesta atividade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto \u00e0s ocupa\u00e7\u00f5es, a pessoa em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil era, principalmente, trabalhador dos servi\u00e7os, vendedor dos com\u00e9rcios e mercados (29,0%) e trabalhador em ocupa\u00e7\u00f5es elementares(36,2%).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na faixa de 16 a 17 anos, o contingente desses trabalhadores em ocupa\u00e7\u00f5es informais foi estimado em 772 mil pessoas, o que significava uma taxa de informalidade de 74,1% entre os que realizavam atividades econ\u00f4micas nesse grupo et\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><b>Lista de Trabalho Infantil Perigoso descreve 89 ocupa\u00e7\u00f5es perigosas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa verificou, tamb\u00e9m, que em 2019, havia 706 mil pessoas de 5 a 17 anos de idade em ocupa\u00e7\u00f5es consideradas as piores formas de trabalho infantil. Para chegar ao n\u00famero, buscou correlacionar a lista de Trabalho Infantil Perigoso (TIP) com as ocupa\u00e7\u00f5es presentes no question\u00e1rio da PNAD.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas faixas de 5 a 13 anos e 14 e 15 anos, mais da metade estavam nessa situa\u00e7\u00e3o de risco, com 65,1% e 54,4%, respectivamente. Enquanto 20,6% dos que realizavam atividades econ\u00f4micas estavam em atividade agr\u00edcola, para os que exerciam ocupa\u00e7\u00f5es em trabalho infantil perigoso o percentual praticamente dobrava, atingindo 41,9%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTemos 706 mil pessoas em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil em ocupa\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a lista TIP. Ent\u00e3o 45,9% de crian\u00e7as e adolescentes que realizavam atividade econ\u00f4mica estavam em ocupa\u00e7\u00e3o de trabalho perigoso. O perfil dessa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 bem parecido com a popula\u00e7\u00e3o em trabalho infantil como um todo: rapazes, popula\u00e7\u00e3o que se declarou preta ou parda. Eles atuam como trabalhadores familiares auxiliares e empregados e nas atividades de agricultura e com\u00e9rcio e repara\u00e7\u00e3o como no trabalho infantil de forma geral, afirma Maria Lucia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A lista TIP inclui 89 tipos de trabalhos em todos os setores econ\u00f4micos e os respectivos riscos ocupacionais e repercuss\u00f5es \u00e0 sa\u00fade. Por exemplo, crian\u00e7as que trabalham em serralherias, e est\u00e3o expostas a poeiras met\u00e1licas t\u00f3xicas, mon\u00f3xido de carbono, estilha\u00e7os de metal, calor, e acidentes com m\u00e1quinas e equipamentos, podendo afetar os pulm\u00f5es ou sofrer cortes e traumatismos. Ou que atuam na coleta, sele\u00e7\u00e3o e beneficiamento de lixo, onde as crian\u00e7as e jovens ficam expostos a esfor\u00e7os f\u00edsicos intensos e riscos f\u00edsicos, qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos, podendo adquirir deformidades da coluna vertebral, infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, piodermites e desidrata\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b>Mais da metade das crian\u00e7as e jovens realizam afazeres dom\u00e9sticos e cuidados de pessoas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa mostra, tamb\u00e9m, que 51,8% da popula\u00e7\u00e3o de 38,3 milh\u00f5es de pessoas de 5 a 17 anos de idade em 2019, realizavam afazeres dom\u00e9sticos e\/ou cuidado de pessoas. Eram 19,8 milh\u00f5es de pessoas ajudando das tarefas do lar ou cuidando de crian\u00e7as e idosos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O grupo de 16 e 17 anos de idade tinha o maior percentual de realiza\u00e7\u00e3o dessas tarefas (76,9%), seguido das pessoas de 14 e 15 anos (74,8%). Mas mesmo entre crian\u00e7as de 5 a 13 anos percentual chegava a 39,9%. Entre as mulheres (57,5%), esse trabalho em casa e os cuidados de pessoas era mais comum do que entre os homens (46,4%). Apenas 1,2 milh\u00f5es das crian\u00e7as e jovens conseguiam conciliar afazeres dom\u00e9sticos com atividade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuase a totalidade das pessoas que realizavam afazeres dom\u00e9sticos eram estudantes, mas quando condicionamos que al\u00e9m dos afazeres dom\u00e9sticos a pessoa trabalhe, o percentual daquelas que continuavam como estudantes ca\u00eda para 83,7%. Ou seja, o fato da pessoa realizar ou n\u00e3o afazeres dom\u00e9sticos n\u00e3o tem tanto impacto na condi\u00e7\u00e3o de estudante quanto o fato dela trabalhar\u201d, conclui Maria Lucia.<\/span><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Ag\u00eancia IBGE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho infantil caiu de 5,3%, em 2016, para 4,6% das pessoas de 5 a 17 anos, em 2019. 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