{"id":175102,"date":"2020-12-16T14:24:42","date_gmt":"2020-12-16T17:24:42","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=175102"},"modified":"2020-12-16T14:24:42","modified_gmt":"2020-12-16T17:24:42","slug":"quase-metade-do-pib-do-pais-estava-concentrado-em-71-municipios-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=175102","title":{"rendered":"Quase metade do PIB do pa\u00eds estava concentrado em 71 munic\u00edpios em 2018"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds, em 2018, foi gerado por 71 munic\u00edpios, o que corresponde a apenas 1,3% das 5.570 cidades brasileiras, e onde vivia um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. Essa concentra\u00e7\u00e3o da economia em poucas cidades, contudo, vem reduzindo, como mostra o PIB dos Munic\u00edpios 2018, divulgado nessa quarta-fiera (16), pelo IBGE.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de munic\u00edpios, entre 2002 e 2018, permite identificar a tend\u00eancia \u00e0 desconcentra\u00e7\u00e3o, com munic\u00edpios de menor PIB ganhando participa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos de maior. Em 2002, 48 munic\u00edpios concentravam quase a metade do PIB (49,9%). J\u00e1 em 2018, foram necess\u00e1rios 71 munic\u00edpios para alcan\u00e7ar esse mesmo percentual\u201d, explica o analista de Contas Nacionais, Luiz Ant\u00f4nio de S\u00e1.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa desconcentra\u00e7\u00e3o pode ser vista em outros recortes. Em 2018, oito munic\u00edpios somaram quase 25% do PIB nacional: S\u00e3o Paulo (SP) com 10,2%; Rio de Janeiro (RJ) com 5,2%; Bras\u00edlia (DF) com 3,6%; Belo Horizonte (MG) com 1,3%; Curitiba (PR) com 1,2% e, com 1,1% cada, Manaus (AM), Porto Alegre (RS) e Osasco (SP). Em 2002, apenas quatro munic\u00edpios detinham um quarto da economia nacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre os 25 munic\u00edpios de maior PIB, 13 eram n\u00e3o capitais e 12 capitais em 2018. Na compara\u00e7\u00e3o com 2017, Bel\u00e9m (PA) perdeu o posto nesse ranking para a Niter\u00f3i (RJ). Dentre os que n\u00e3o eram capitais, todos estavam na regi\u00e3o Sudeste: dez eram paulistas, dois fluminenses e um mineiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEm 2018, os munic\u00edpios das capitais representavam 31,8% do PIB nacional, menor participa\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie, iniciada em 2002. A cidade de S\u00e3o Paulo tinha maior participa\u00e7\u00e3o (10,2%) e Rio Branco, no Acre, era a \u00faltima da posi\u00e7\u00e3o entre as capitais, com contribui\u00e7\u00e3o de 0,1% entre as capitais\u201d, detalha o analista do IBGE.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A participa\u00e7\u00e3o dos 100 munic\u00edpios com os maiores PIBs tamb\u00e9m reduziu, entre 2002 e 2018, de 60% para 55,0%. Na compara\u00e7\u00e3o anual, a queda de concentra\u00e7\u00e3o foi de 0,3 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a 2017, quando a participa\u00e7\u00e3o era de 55,3%. Tr\u00eas capitais estavam fora da lista dos 100 maiores PIBs: Boa Vista (RR), na 105\u00aa posi\u00e7\u00e3o; Palmas (TO), na 116\u00aa; e Rio Branco (AC), na 127\u00aa posi\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo alavanca ganho de participa\u00e7\u00e3o de munic\u00edpios no PIB<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Maric\u00e1, Niter\u00f3i e Campos dos Goytacazes, todas cidades do estado Rio de Janeiro, tiveram o maior o ganho de participa\u00e7\u00e3o no PIB do pa\u00eds (0,2 p.p), em 2018, atrelado \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, atividade que foi beneficiada pelo aumento dos pre\u00e7os internacionais da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">commodity<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> naquele ano. Ilhabela, no litoral de S\u00e3o Paulo, avan\u00e7ou 0,1 p.p. pelo mesmo motivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As capitais Vit\u00f3ria e Rio de Janeiro tamb\u00e9m ganharam 0,1 p.p de participa\u00e7\u00e3o no PIB por conta da extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio e da arrecada\u00e7\u00e3o dos impostos, l\u00edquidos de subs\u00eddios, sobre os produtos, respectivamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, as maiores quedas de participa\u00e7\u00e3o ocorreram na capital S\u00e3o Paulo e na vizinha, Osasco, principalmente, em fun\u00e7\u00e3o das atividades financeiras, de seguros e servi\u00e7os relacionados, j\u00e1 que, em 2018, houve redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros e em ambos os munic\u00edpios essa atividade tem peso destacado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Maric\u00e1 tamb\u00e9m foi o munic\u00edpio que mais cresceu em participa\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de 2002 a 2018, um aumento de 0,4 p.p. por conta da extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 S\u00e3o Paulo (-2,5 p.p) e Rio de Janeiro (-1,1 p.p) tiveram as maiores quedas de participa\u00e7\u00e3o em 16 anos, o que refor\u00e7a a tend\u00eancia de desconcentra\u00e7\u00e3o do PIB no n\u00edvel municipal. A redu\u00e7\u00e3o na capital paulista foi influenciada pela diminui\u00e7\u00e3o relativa das atividades financeiras. No Rio, a perda veio da diminui\u00e7\u00e3o do seu peso na ind\u00fastria do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O ge\u00f3grafo do IBGE Marcelo Delizio observa que, embora as grandes economias estejam continuamente perdendo participa\u00e7\u00e3o no PIB nacional para munic\u00edpios menores, ainda h\u00e1 uma elevada concentra\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cIsso fica claro quando se observa a distribui\u00e7\u00e3o do PIB por concentra\u00e7\u00f5es urbanas, que s\u00e3o munic\u00edpios ou arranjos populacionais com mais de 100 mil habitantes e que apresentam um alto grau de integra\u00e7\u00e3o devido a deslocamentos para trabalho e estudo. As concentra\u00e7\u00f5es urbanas de S\u00e3o Paulo (16,8%) e Rio de Janeiro (8,1%) respondem juntos por 25% do PIB\u201d, explica Delizio.<\/span><\/p>\n<p><b>Cidade-regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo concentra 24,0% do PIB nacional<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O ge\u00f3grafo observa que essa desigualdade fica ainda mais evidente quando se compara a cidade-regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo, um cont\u00ednuo geogr\u00e1fico em que 92 munic\u00edpios t\u00eam forte integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com a metr\u00f3pole, que concentrava 24,0% do PIB em 2018, com o Semi\u00e1rido (5,2%) e a Amaz\u00f4nia Legal (8,8%).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa diferen\u00e7a permanece mesmo ap\u00f3s uma queda de participa\u00e7\u00e3o de 2,9 pontos percentuais no PIB do pa\u00eds da cidade-regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo entre 2002 e 2018. Ao mesmo tempo, a Amaz\u00f4nia Legal e o Semi\u00e1rido ganharam participa\u00e7\u00e3o de 1,8 e 0,7 p.p., respectivamente, no per\u00edodo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO Semi\u00e1rido tem mais de 1.200 munic\u00edpios e a Amaz\u00f4nia Legal mais de 700. S\u00e3o regi\u00f5es com caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas bastante complexas. J\u00e1 a cidade-regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo, que tem bem menos munic\u00edpios, \u00e9 bastante integrada e se destaca em quase todas atividades econ\u00f4micas, at\u00e9 na agropecu\u00e1ria\u201d, conta Marcelo Delizio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na agropecu\u00e1ria, destaca o ge\u00f3grafo, a Regi\u00e3o Rural da Grande Metr\u00f3pole Nacional de S\u00e3o Paulo teve o sexto maior valor adicionado do pa\u00eds em 2018, chegando a R$ 8,9 bilh\u00f5es, com a produ\u00e7\u00e3o de \u201coutros produtos da lavoura tempor\u00e1ria\u201d, ou seja, hortifr\u00fati para consumo interno das \u00e1reas urbanas. N\u00e3o s\u00e3o, portanto, produtos para exporta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEssa regi\u00e3o chega a ter o mesmo valor de produ\u00e7\u00e3o com legumes e verduras que outras grandes \u00e1reas do pa\u00eds produtoras de soja e cana-de-a\u00e7\u00facar, destinadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta o ge\u00f3grafo.<\/span><\/p>\n<p><b>Presidente Kennedy (ES) tem o maior PIB <\/b><b><i>per capita<\/i><\/b><b> do pa\u00eds<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os dados do IBGE tamb\u00e9m mostram que, em 2018, os dez munic\u00edpios com os maiores PIB <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> somavam 1,5% do PIB nacional e 0,2% da popula\u00e7\u00e3o. Presidente Kennedy, no Esp\u00edrito Santo, tinha o maior PIB <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> do pa\u00eds (R$ 583.171,85), seguido de Ilhabela (SP), sendo ambos devido \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 entre os munic\u00edpios das capitais, a lideran\u00e7a foi de Bras\u00edlia, com R$ 85.661,39, ou seja, o PIB <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> da capital federal era 2,5 vezes maior do que o PIB <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> nacional (R$ 33.593,82). Dez capitais tinham PIB <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> maior que o brasileiro. Em 2002, esse n\u00famero era maior (11 capitais). A menor posi\u00e7\u00e3o foi ocupada por Bel\u00e9m (R$ 21.191,47).<\/span><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Ag\u00eancia IBGE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds, em 2018, foi gerado por 71 munic\u00edpios, o que corresponde a apenas 1,3% das 5.570 cidades brasileiras, e onde vivia um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. 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