{"id":173789,"date":"2020-11-25T11:08:19","date_gmt":"2020-11-25T14:08:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=173789"},"modified":"2020-11-25T11:08:19","modified_gmt":"2020-11-25T14:08:19","slug":"30-da-populacao-com-menores-rendimentos-vivem-com-menos-que-o-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=173789","title":{"rendered":"30% da popula\u00e7\u00e3o com menores rendimentos vivem com menos que o necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cerca de 30% das pessoas que tinham os menores rendimentos no pa\u00eds, entre 2017 e 2018, viviam com menos do que consideravam necess\u00e1rio para chegar ao fim do m\u00eas. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 da Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF) &#8211; Perfil das Despesas no Brasil, divulgada nessa quarta-feira (25), pelo IBGE, que mostra que a renda m\u00e9dia mensal dispon\u00edvel dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o era menor que a renda m\u00ednima declarada como necess\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na primeira faixa de renda, uma pessoa recebia, em m\u00e9dia, R$ 244,60 mensais, mas precisava de quase o dobro (R$ 470,29) para suprir o que consideram suas necessidades. Essa diferen\u00e7a continua at\u00e9 a terceira faixa de rendimento e s\u00f3 muda na quarta faixa, quando a renda <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> passa a ser maior (R$ 808,40) do que a renda m\u00ednima (R$ 789,59).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa propor\u00e7\u00e3o se inverte conforme a renda aumenta. Na \u00faltima faixa, em que a renda dispon\u00edvel era de R$ 6.294,83, as pessoas consideravam R$ 4.001,09 o m\u00ednimo necess\u00e1rio para viver. Ou seja, os 10% com os maiores rendimentos declararam precisar receber 8,5 vezes a renda m\u00ednima dos 10% com os menores rendimentos (R$ 470,30) para chegar ao fim do m\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO que uma pessoa considera a renda m\u00ednima depende da sua renda dispon\u00edvel e, claro, dos seus h\u00e1bitos de consumo. Esses dados mostram que a percep\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e9 bastante diferente, dependendo da faixa de renda\u201d, afirma o analista da pesquisa, Leonardo Oliveira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre 2017 e 2018, a renda dispon\u00edvel era de R$ 1.650,78, em m\u00e9dia, e a renda m\u00ednima, R$ 1.331,57. Do total da renda dispon\u00edvel, 86,9% foram obtidos de forma monet\u00e1ria, 23% n\u00e3o monet\u00e1ria menos 9,9% de impostos diretos, contribui\u00e7\u00f5es e outras dedu\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA parcela monet\u00e1ria da renda corresponde a valores que v\u00eam do trabalho ou de transfer\u00eancias, como aposentadorias, pens\u00f5es e programas sociais. J\u00e1 a renda n\u00e3o monet\u00e1ria se refere a valores de bens e servi\u00e7os que as fam\u00edlias n\u00e3o precisam pagar, o que inclui os providos pelo governo, institui\u00e7\u00f5es e outras fam\u00edlias, como um rem\u00e9dio retirado em um posto de sa\u00fade, um presente recebido de algu\u00e9m ou uma hortali\u00e7a retirada da pr\u00f3pria horta, por exemplo\u201d, explica Oliveira.<\/span><\/p>\n<p><b>Despesa de consumo \u00e9 maior com habita\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 as despesas de consumo totalizaram R$ 1.370,53, sendo a maior parcela com habita\u00e7\u00e3o (R$ 466,34), seguida das despesas com transporte (R$ 234,08) e alimenta\u00e7\u00e3o (R$ 219,44).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em m\u00e9dia, uma pessoa gastou R$ 264,66, por m\u00eas, com moradia, que inclui aluguel, aluguel estimado, condom\u00ednio e impostos. \u201cCerca de 1,7% das pessoas viviam em domic\u00edlios cujo valor pago do aluguel ultrapassavam 1\/3 da renda familiar l\u00edquida dispon\u00edvel, o que \u00e9 considerado \u00f4nus excessivo de aluguel. Entre as regi\u00f5es, o maior percentual estava no Sudeste (1,0%)\u201d, comenta a analista Luciana Santos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 a despesa com servi\u00e7os de utilidade p\u00fablica, como energia el\u00e9trica, \u00e1gua e esgoto, g\u00e1s dom\u00e9stico e comunica\u00e7\u00e3o (telefone fixo e celular, TV por assinatura e internet), foi de R$ 114,12, sendo os maiores gastos com servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o (R$ 45,16) e energia el\u00e9trica (R$ 39,64).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs pessoas que pertenciam aos d\u00e9cimos mais baixos de renda gastaram a maior parte do seu or\u00e7amento com o servi\u00e7o de energia el\u00e9trica, sendo 42,2% na primeira faixa de renda. Por outro lado, os servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o representaram a maior parte das despesas das fam\u00edlias com maiores rendimentos, 53,7% das pessoas pertencem \u00e0s fam\u00edlias da \u00faltima faixa de renda\u201d, acrescenta Luciana.<\/span><\/p>\n<p><b>Quase 25% das pessoas vivem em fam\u00edlias com restri\u00e7\u00e3o a servi\u00e7os de sa\u00fade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A despesa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">per capita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> com sa\u00fade foi de R$ 133,23, sendo R$ 90,91 na forma monet\u00e1ria, quando ocorre desembolso direto para aquisi\u00e7\u00e3o do produto ou servi\u00e7o. J\u00e1 a despesa n\u00e3o monet\u00e1ria foi de R$ 42,32. Nesse caso, n\u00e3o h\u00e1 desembolso e o produto ou servi\u00e7o \u00e9 fornecido pelo estado ou outras entidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Do total de despesas, a maior parte foi com servi\u00e7os de sa\u00fade (R$ 86,48) e o restante com medicamentos e produtos farmac\u00eauticos (R$ 46,75).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre 2017 e 2018, 26,2% das pessoas pertenciam a fam\u00edlias que tiveram alguma restri\u00e7\u00e3o a servi\u00e7os de sa\u00fade e 16,4% a medicamentos. \u201cA falta de dinheiro foi o principal motivo alegado para restri\u00e7\u00e3o ao acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade (16,9%) e para a aquisi\u00e7\u00e3o de medicamentos (11,0%)\u201d, diz a analista Isabel Martins, acrescentando que fam\u00edlias com crian\u00e7as tiveram maiores restri\u00e7\u00f5es em servi\u00e7o de sa\u00fade (12,9%) e medicamentos (8,4%) do que fam\u00edlias com idosos (5,7% e 3,7%, respectivamente).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa tamb\u00e9m mostra que apenas 18,1% das pessoas viviam em fam\u00edlias em que todos possu\u00edam plano sa\u00fade e 17,4% em que ao menos uma pessoa tinha o servi\u00e7o. A maioria, contudo, vivia em fam\u00edlias em que ningu\u00e9m tinha plano de sa\u00fade (64,4%).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No per\u00edodo, 44,6% das pessoas viviam em fam\u00edlias que avaliaram a sa\u00fade como boa, 28,9% como satisfat\u00f3ria e 26,5% como ruim. Dos que avaliaram a sa\u00fade ruim, 22,1% residiam em \u00e1reas urbanas e 4,3% em \u00e1reas rurais. A avalia\u00e7\u00e3o da sa\u00fade foi diferente entre as regi\u00f5es. O maior percentual dos que avaliaram a sa\u00fade como boa foi do Sudeste (19,7%) e o menor, do Norte (3,3%). J\u00e1 a maior propor\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o ruim foi no Sudeste (10,3%) e a menor, no Centro-Oeste (1,90%).<\/span><\/p>\n<p><b>Despesa n\u00e3o monet\u00e1ria com educa\u00e7\u00e3o \u00e9 maior que a monet\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A POF mostra ainda que a despesa m\u00e9dia com educa\u00e7\u00e3o foi de R$ 120,16 por pessoa. Desse total, R$ 68,13 foram de gastos n\u00e3o monet\u00e1rios, que s\u00e3o aqueles efetuados sem pagamento direto, como \u00e9 o caso da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica gratuita oferecida pelo Estado. J\u00e1 a despesa monet\u00e1ria somou R$ 52,03. Esse gasto \u00e9 feito por meio de pagamento, \u00e0 vista ou a prazo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEsse padr\u00e3o se repete em quase todos componentes da despesa com educa\u00e7\u00e3o. Do ensino fundamental ao ensino m\u00e9dio, a despesa n\u00e3o monet\u00e1ria foi maior que a monet\u00e1ria. Isso ocorre porque educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 oferecida, sobretudo, pelo Estado. Por outro lado, no ensino superior (incluindo a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o) e em outros cursos a despesa monet\u00e1ria \u00e9 maior do que a n\u00e3o monet\u00e1ria, pois a oferta dessa modalidade de ensino \u00e9 feita, principalmente, por institui\u00e7\u00f5es privadas\u201d, explica o pesquisador Jos\u00e9 Mauro de Freitas J\u00fanior.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA capacidade de financiamento da educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m varia conforme a renda das fam\u00edlias. Por exemplo, fam\u00edlias com as duas maiores faixas de rendimento acabam investindo mais no ensino privado. O mesmo acontece quando a pessoa de refer\u00eancia do domic\u00edlio tem ensino superior completo\u201d, acrescenta o analista do IBGE.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda segundo a pesquisa, a participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias nas despesas com educa\u00e7\u00e3o foi maior (R$ 73,62) quando a pessoa de refer\u00eancia do domic\u00edlio era homem do que quando mulher (R$ 46,54). Brancos contribu\u00edram com R$ 61,79 e pretos ou pardos com R$ 55,94. Quanto maior a escolariza\u00e7\u00e3o da pessoa de refer\u00eancia, maior a contribui\u00e7\u00e3o para as despesas com educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cerca de 60,9% das pessoas eram moradoras dos domic\u00edlios nos quais o padr\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o foi avaliado como bom, em 27,5% dos domic\u00edlios a avalia\u00e7\u00e3o foi satisfat\u00f3ria e em 11,7%, ruim. Dos que consideravam a educa\u00e7\u00e3o boa, 42% viviam no Sudeste (25,6% do total da popula\u00e7\u00e3o), mesma regi\u00e3o em que 44,4% do total de pessoas em domic\u00edlios nos quais a educa\u00e7\u00e3o foi avaliada como ruim (5,2% da popula\u00e7\u00e3o).<\/span><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Ag\u00eancia IBGE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 30% das pessoas que tinham os menores rendimentos no pa\u00eds, entre 2017 e 2018, viviam com menos do que consideravam necess\u00e1rio para chegar ao fim do m\u00eas. 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