{"id":172869,"date":"2020-11-12T10:46:58","date_gmt":"2020-11-12T13:46:58","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=172869"},"modified":"2020-11-12T10:46:58","modified_gmt":"2020-11-12T13:46:58","slug":"covid-19-vacina-propria-da-fiocruz-pode-ter-testes-clinicos-em-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=172869","title":{"rendered":"Covid-19: vacina pr\u00f3pria da Fiocruz pode ter testes cl\u00ednicos em 2021"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto se prepara para produzir a vacina contra covid-19 desenvolvida pela farmac\u00eautica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) trabalha em projetos pr\u00f3prios de imunizantes que podem chegar a testes em humanos em 2021. Caso esses experimentos tenham resultados positivos ao longo do ano que vem, a expectativa \u00e9 que uma dessas vacinas esteja dispon\u00edvel em 2022.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As duas iniciativas em desenvolvimento s\u00e3o do Instituto de Tecnologia em Imunobiol\u00f3gicos (Bio-Manguinhos) e usam plataformas tecnol\u00f3gicas pioneiras. Segundo o vice-diretor de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico de Bio-Manguinhos\/Fiocruz, Sotiris Missailidis, ambas est\u00e3o em testes pr\u00e9-cl\u00ednicos, em laborat\u00f3rio, e devem passar por uma nova etapa de testes em animais conhecida como &#8220;estudo de desafio&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As vacinas j\u00e1 foram aprovadas na fase de imunogenicidade e toxicidade em animais, o que significa que produziram resposta imune sem prejudicar a sa\u00fade das cobaias. No pr\u00f3ximo passo, os pesquisadores v\u00e3o conferir como cobaias vacinadas responder\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao SARS-CoV-2. Por envolver o v\u00edrus em condi\u00e7\u00f5es de causar infec\u00e7\u00e3o, o teste aguardava disponibilidade de laborat\u00f3rio um biosseguran\u00e7a elevada (NB3) e est\u00e1 programado para ocorrer ainda neste m\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Essas duas abordagens que a gente est\u00e1 utilizando n\u00e3o competem com as linhas de produ\u00e7\u00e3o que vamos usar para a AstraZeneca. Ent\u00e3o, potencialmente, poder\u00edamos oferecer as duas ao mesmo tempo, o que oferece uma soberania nacional&#8221;, avalia Missailidis. Ele explica que Bio-Manguinhos vai escolher qual das duas propostas de vacina \u00e9 mais promissora para seguir para os testes cl\u00ednicos no ano que vem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O vice-diretor de Bio-Manguinhos destaca que \u00e9 importante prosseguir com a pesquisa, independentemente do sucesso dos testes da vacina AstraZeneca\/Oxford, cuja oferta total em 2021 deve chegar a 210 milh\u00f5es de doses, em um esquema de vacina\u00e7\u00e3o que, a princ\u00edpio, prev\u00ea duas doses por pessoa. Todas essas proje\u00e7\u00f5es ainda dependem da confirma\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a e da efic\u00e1cia da vacina, com os resultados dos testes cl\u00ednicos de Fase 3 e o registro da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Entendo que temos garantido um quantitativo significativo [de doses], mas ainda n\u00e3o se sabe a efic\u00e1cia das vacinas que est\u00e3o na frente. Ainda n\u00e3o se sabe se uma vacina\u00e7\u00e3o vai ser suficiente ou se vamos ter que nos vacinar todo ano, como acontece com a vacina do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Influenza<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ter uma vacina pr\u00f3pria, com que voc\u00ea pode garantir o mercado nacional, com a mesma efic\u00e1cia de vacinas de grande farmac\u00eauticas, \u00e9 muito importante para as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, para a sa\u00fade e para a ci\u00eancia brasileira&#8221;, afirma o pesquisador. Segundo Missailidis, o Brasil poderia, ent\u00e3o, exportar uma vacina pr\u00f3pria para ajudar no combate \u00e0 pandemia internacionalmente.<\/span><\/p>\n<h2><b>Novas tecnologias<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das propostas de vacina em desenvolvimento aproveitou a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas S e N do SARS-CoV-2 que Bio-Manguinhos j\u00e1 conduzia para a produ\u00e7\u00e3o de testes diagn\u00f3sticos de covid-19. Classificada como vacina de subunidade, a tecnologia usada prev\u00ea a inje\u00e7\u00e3o dessas prote\u00ednas no corpo humano, para que suas defesas as reconhe\u00e7am e se preparem para quando o coronav\u00edrus de fato inicie uma invas\u00e3o. A prote\u00edna S \u00e9 a que forma a coroa de espinhos que d\u00e3o nome ao coronav\u00edrus, e a prote\u00edna N comp\u00f5e o n\u00facleo do v\u00edrus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A segunda proposta desenvolvida na Fiocruz \u00e9 uma vacina sint\u00e9tica, que utiliza pept\u00eddeos das prote\u00ednas S e N produzidos em laborat\u00f3rio por s\u00ednteses qu\u00edmicas e acoplados a nanopart\u00edculas. Esses pept\u00eddeos foram identificados por meio de modelo computacional e ativam tanto a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos quanto a imunidade celular, em que o organismo elimina as c\u00e9lulas infectadas e impede o desenvolvimento dos sintomas.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma dessas propostas deve chegar a testes cl\u00ednicos de Fase 1, em humanos, j\u00e1 no in\u00edcio de 2021, e a agilidade de tais testes, especialmente na Fase 3, vai depender tamb\u00e9m de fatores externos, como a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Caso o n\u00famero de novas infec\u00e7\u00f5es caia, o tempo da pesquisa pode precisar se estender, j\u00e1 que os testes de Fase 3 dependem de que os milhares de volunt\u00e1rios se exponham ao v\u00edrus no seu dia a dia para testar a efic\u00e1cia da vacina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m das vacinas inteiramente desenvolvidas em Bio-Manguinhos, h\u00e1 ainda dois projetos j\u00e1 em curso com parcerias de outros institutos de pesquisa: uma vacina sint\u00e9tica com a Universidade Oxford e uma vacina proteica recombinante com o Centro de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico em Sa\u00fade (CDTS) da Fiocruz.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Moderniza\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As dezenas de vacinas de covid-19 que j\u00e1 alcan\u00e7aram os testes cl\u00ednicos devem chegar ao mercado com plataformas tecnol\u00f3gicas in\u00e9ditas, como as vacinas sint\u00e9ticas, as de vetor viral e as de RNA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso dos trabalhos em Bio-Manguinhos, Missailidis destaca que as pesquisas em curso podem levar \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o de outros imunizantes dispon\u00edveis no pa\u00eds, como vacinas que usam tecnologias de v\u00edrus vivo atenuado e, por isso, t\u00eam maiores restri\u00e7\u00f5es de p\u00fablico. &#8220;Essas plataformas s\u00e3o tecnologias novas. Havia um investimento mundial nessas novas tecnologias antes da pandemia, exatamente para preparar a humanidade para dar uma resposta mais r\u00e1pida do que era a forma tradicional. Depois da consolida\u00e7\u00e3o dessas tecnologias, \u00e9 claro que isso vai mudar um pouco a nossa vis\u00e3o de vacinologia, dependendo do custo dessas vacinas e da seguran\u00e7a.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto se prepara para produzir a vacina contra covid-19 desenvolvida pela farmac\u00eautica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) trabalha em projetos pr\u00f3prios de imunizantes que podem chegar a testes em humanos em 2021. 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