{"id":170394,"date":"2020-10-05T19:34:46","date_gmt":"2020-10-05T22:34:46","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=170394"},"modified":"2020-10-05T19:34:46","modified_gmt":"2020-10-05T22:34:46","slug":"projeto-a-peca-da-semana-apresenta-uma-das-obras-literarias-de-belmiro-braga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=170394","title":{"rendered":"Projeto \u201cA pe\u00e7a da semana\u201d apresenta uma das obras liter\u00e1rias de Belmiro Braga"},"content":{"rendered":"<p>Seguindo a programa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados em celebra\u00e7\u00e3o aos dias &#8220;Internacional&#8221; e &#8220;Nacional do Poeta&#8221;, o projeto &#8220;A Pe\u00e7a da Semana&#8221; apresenta um dos livros do escritor juiz-forano Belmiro Braga (1870-1937). Intitulada \u201cMontezinas\u201d, a obra foi editada pelo &#8220;Jornal do Commercio&#8221; de Juiz de Fora e impressa pela Tipografia Universal do Porto, em Portugal, em 1902. Embora sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria j\u00e1 tivesse come\u00e7ado na imprensa local alguns anos antes, esta foi a primeira obra publicada por ele. Acompanhando as informa\u00e7\u00f5es e imagens, nesta edi\u00e7\u00e3o da \u201cPe\u00e7a\u201d, al\u00e9m das fotos, ser\u00e3o divulgados nas redes sociais do Museu (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/museu.marianoprocopio\">facebook.com\/museu.marianoprocopio<\/a>\u00a0e instagram, @museumarianoprocopio), v\u00eddeo complementar, com o conte\u00fado de pesquisa do historiador S\u00e9rgio Augusto Vicente, e texto com demais refer\u00eancias de estudo sobre o tema.<\/p>\n<p>O \u201cTrovador de Vargem Grande\u201d, como ficou conhecido nas terras onde passou parte da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, ajudando o pai no balc\u00e3o de venda de ro\u00e7a, na beira da estrada, destacou-se com seus versos l\u00edricos e sat\u00edricos, afeitos \u00e0 abordagem espont\u00e2nea da natureza, das mem\u00f3rias e situa\u00e7\u00f5es prosaicas do cotidiano. Belmiro tamb\u00e9m deixa entrever em seus versos a inser\u00e7\u00e3o do Brasil na modernidade, a transi\u00e7\u00e3o do rural para o urbano e as mudan\u00e7as que esse per\u00edodo, conhecido como \u201cbelle \u00e9poque\u201d nos tr\u00f3picos, trouxe para os costumes sociais.<\/p>\n<p>\u201cMontezinas\u201d foi publicada poucos anos ap\u00f3s Belmiro conhecer o poeta cearense Ant\u00f4nio Salles, frequentador do circuito liter\u00e1rio carioca e grupo da Livraria Garnier, no Rio de Janeiro, composto por escritores colaboradores da \u201cRevista Brasileira\u201d, respons\u00e1vel por impulsionar, em 1897, a inaugura\u00e7\u00e3o da Academia Brasileira de Letras. Salles era casado com Alice, tia do futuro memorialista juiz-forano Pedro Nava. Foi em uma venda situada na esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Cotegipe, outro distrito de Juiz de Fora, que ambos se conheceram em 1900. A partir da\u00ed, deu-se in\u00edcio longeva amizade entre ambos.<\/p>\n<p>Construindo densa rede de sociabilidade dentro e fora do campo liter\u00e1rio, Belmiro se tornou escritor com significativa inser\u00e7\u00e3o nos peri\u00f3dicos daquele tempo. Tal inser\u00e7\u00e3o extrapolou em muito o \u00e2mbito regional, onde colaborou com os jornais \u201cO Pharol\u201d e \u201cdo Commercio\u201d, dentre outros, e participou da funda\u00e7\u00e3o da revista \u201cMarilia\u201d. O escritor tamb\u00e9m se tornou bastante conhecido nas revistas humor\u00edsticas ilustradas de circula\u00e7\u00e3o nacional, como \u201cFon-Fon\u201d, \u201cda Semana\u201d, \u201cO Malho\u201d e \u201cA Cigarra\u201d, assim como outros jornais famosos, a exemplo da \u201cGazeta de Not\u00edcias\u201d e \u201cA Noite\u201d, e outros.<\/p>\n<p>Em 1910, Belmiro estreou sua produ\u00e7\u00e3o no teatro, especificamente no \u201cg\u00eanero ligeiro\u201d, com pe\u00e7as curtas, de cunho sat\u00edrico, dotadas de vi\u00e9s comercial e mobilizadoras de p\u00fablico amplo e heterog\u00eaneo. Segundo o historiador Elias Thom\u00e9 Saliba, muitas dessas pe\u00e7as eram apresentadas antes das exibi\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas, prestando-se ao importante papel de aproxima\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao cinema. Nesse sentido, pode-se falar que suas burletas constitu\u00edam uma esp\u00e9cie de \u201cagente rotinizador\u201d desse novo produto cultural, que ganhava espa\u00e7o no incipiente mercado cultural brasileiro.<\/p>\n<p>Logicamente, como muitos de seu tempo, Belmiro n\u00e3o sobrevivia exclusivamente atrav\u00e9s das v\u00e1rias colabora\u00e7\u00f5es prestadas aos peri\u00f3dicos. Por conta disso, equilibrou sua vida entre as letras e os m\u00faltiplos of\u00edcios que exerceu, como comerciante, tabeli\u00e3o, inspetor escolar, fiscal de jogos, vendedor de seguros, etc. Em 1915 chegou, inclusive, a candidatar-se a deputado. Mesmo vivendo as instabilidades impostas pelo prec\u00e1rio mercado de bens culturais da Primeira Rep\u00fablica, Belmiro Braga conseguiu se tornar escritor bastante popular e homenageado por seus contempor\u00e2neos, levando sua mensagem n\u00e3o apenas \u00e0s elites, mas tamb\u00e9m aos menos afeitos ao mundo letrado. Devido a uma escrita simples, direta e espont\u00e2nea, que dialogava com a oralidade e oscilava entre humor e lirismo, o poeta cativou p\u00fablico bastante amplo e heterog\u00eaneo. Tais habilidades despertavam o interesse daqueles editores que investiam na expans\u00e3o do mercado consumidor de arte e cultura num pa\u00eds ainda marcado por grande n\u00famero de analfabetos. Al\u00e9m das confer\u00eancias que realizava nas mais diversas cidades brasileiras, Belmiro se dedicou \u00e0 institucionaliza\u00e7\u00e3o das letras em sua cidade, esfor\u00e7o que, juntamente com outros parceiros escritores, resultou na funda\u00e7\u00e3o da Academia Mineira de Letras, em 1909.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua morte, foram empreendidos esfor\u00e7os de perpetua\u00e7\u00e3o de sua mem\u00f3ria em Juiz de Fora, tendo sido erigido busto em sua homenagem no Parque Halfeld, em 1939. No Museu \u201cMariano Proc\u00f3pio\u201d est\u00e3o alguns livros por ele publicados, al\u00e9m do cartaz da exposi\u00e7\u00e3o celebrativa do centen\u00e1rio de seu nascimento, realizada na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, em 1972, pela ent\u00e3o diretora, Geralda Armond (1913-1980), que tamb\u00e9m era poetisa e colaboradora de diversos peri\u00f3dicos e agremia\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias no s\u00e9culo 20. Geralda ficou conhecida em sua gest\u00e3o por estimular a divulga\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios outros escritores do Munic\u00edpio, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o da \u201cSala Juiz de Fora\u201d.<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1970, Belmiro Braga foi objeto de pesquisa de mestrado em teoria liter\u00e1ria, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pela ent\u00e3o professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Leila Barbosa Amaral. Em 2008, a professora de L\u00edngua Portuguesa, Rita de C\u00e1ssia Leite, tamb\u00e9m defendeu disserta\u00e7\u00e3o de mestrado sobre o poeta, no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras do Centro de Ensino Superior (CES\/JF). E, a partir de 2019, tornou-se objeto de estudo de doutorado, pelo historiador S\u00e9rgio Augusto Vicente, no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UFJF. Esta pesquisa, ainda em fase de realiza\u00e7\u00e3o, tem como orientadora a professora e doutora, Cl\u00e1udia Maria Ribeiro Viscardi, inserindo-se no campo da hist\u00f3ria social da literatura. Nela, S\u00e9rgio analisa a trajet\u00f3ria liter\u00e1ria do poeta e suas redes de sociabilidade nos circuitos Minas Gerais, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, debru\u00e7ando-se sobre suas produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias na imprensa e no teatro, consideradas prof\u00edcuas fontes investigativas acerca da cultura e da sociedade brasileiras no contexto da Primeira Rep\u00fablica (1889-1930) e nos primeiros anos do Governo Vargas (1930-1937).<\/p>\n<p>Segundo reportagens veiculadas pelo jornal \u201cTribuna de Minas\u201d, vem-se tentando, h\u00e1 alguns anos, recursos para a produ\u00e7\u00e3o de filme alusivo a parte curiosa da vida de Belmiro Braga. O tema diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de carinho e afeto do \u201ctrovador de Vargem Grande\u201d com Machado de Assis (1839-1908), com quem trocou cartas ao longo de anos. A exemplo do que ocorria com muitos que lhe eram contempor\u00e2neos, Machado era \u201cs\u00edmbolo\u201d de grande venera\u00e7\u00e3o e admira\u00e7\u00e3o de novos escritores, que sonhavam com a inser\u00e7\u00e3o e o t\u00e3o almejado reconhecimento no campo das letras. Em suas mem\u00f3rias autobiogr\u00e1ficas, Belmiro fez quest\u00e3o de enfatizar que o \u201cBruxo do Cosme Velho\u201d teria sido o primeiro escritor famoso a lhe chamar de poeta.<\/p>\n<p><strong>Fonte:\u00a0<\/strong>Assessoria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguindo a programa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados em celebra\u00e7\u00e3o aos dias &#8220;Internacional&#8221; e &#8220;Nacional do Poeta&#8221;, o projeto &#8220;A Pe\u00e7a da Semana&#8221; apresenta um dos livros do escritor juiz-forano Belmiro Braga (1870-1937). 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