{"id":168018,"date":"2020-09-01T17:16:37","date_gmt":"2020-09-01T20:16:37","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=168018"},"modified":"2020-09-01T17:16:37","modified_gmt":"2020-09-01T20:16:37","slug":"pesquisa-visa-desenvolver-mascaras-com-nanomateriais-para-eliminar-microrganismos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=168018","title":{"rendered":"Pesquisa visa desenvolver m\u00e1scaras com nanomateriais para eliminar microrganismos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a pandemia de Covid-19, o uso de m\u00e1scaras se tornou indispens\u00e1vel. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o novo coronav\u00edrus \u00e9 transmitido principalmente por got\u00edculas respirat\u00f3rias expelidas por espirros, tosse ou pela fala. A m\u00e1scara \u00e9 uma das medidas de conten\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, devendo ser utilizada tanto por pessoas que apresentam sintomas, tanto por indiv\u00edduos saud\u00e1veis. Tendo isso em mente, pesquisadores do Grupo de Nanoci\u00eancias e Nanotecnologia (Nano) do Instituto de Ci\u00eancias Exatas (ICE), do Centro de Estudos em Microbiologia e o Laborat\u00f3rio de Ecologia e Biologia Molecular de Microrganismos (LEBIOMM) do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (ICB) da UFJF, com parceria com o Laborat\u00f3rio de T\u00e9cnicas de Biologia do N\u00facleo de Biologia do IF Sudeste MG, desenvolvem projeto para o uso de nanotecnologia para funcionaliza\u00e7\u00e3o de tecidos normalmente utilizados na confec\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras e vestimentas hospitalares, como algod\u00e3o e TNT.<\/span><\/p>\n<p><b>Uma estrutura microsc\u00f3pica para uma amea\u00e7a microsc\u00f3pica<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o coordenador do projeto, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Welber Quirino<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, a tecnologia aplicada visa a a\u00e7\u00e3o antimicrobiana dos tecidos e promete torn\u00e1-los reutiliz\u00e1veis mesmo ap\u00f3s v\u00e1rios ciclos de lavagem e a temperaturas mais elevadas, possibilitando a aplica\u00e7\u00e3o de processos de esteriliza\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pidos e eficazes. Para isso, os tecidos s\u00e3o desenvolvidos com nanomateriais \u00e0 base de carbono, conhecidos como \u00f3xidos de grafeno (GO) e\/ou \u00f3xidos de grafeno reduzidos (rGO), e\/ou uma mistura de GO e rGO com nanofios de prata. Por serem microsc\u00f3picos, estes nanomateriais podem ser utilizados no combate a microrganismos como v\u00edrus e bact\u00e9rias. \u201cOs resultados preliminares mostram enorme afinidade dos nanomateriais empregados com as fibras dos tecidos estudados. O estudo est\u00e1 na fase de testes microbianos\u201d, revela Quirino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs intera\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas das bordas das nanofolhas de GO e rGO com os microrganismos podem causar pequenas rupturas, ou at\u00e9 mesmo, o completo rompimento das membranas celulares, causando sua destrui\u00e7\u00e3o\u201d, explica Quirino. Segundo o pesquisador, esses materiais possuem, em geral, uma carga superficial negativa, que por sua vez, interagem com as cargas el\u00e9tricas das membranas celulares de bact\u00e9rias e de v\u00edrus. \u201cAs intera\u00e7\u00f5es eletrost\u00e1ticas podem dificultar que os microrganismos com cargas negativas (bact\u00e9rias, por exemplo) fiquem fortemente aderidos em superf\u00edcies recobertas com o tecido desenvolvido, devido \u00e0s intera\u00e7\u00f5es repulsivas entre as cargas envolvidas\u201d, aponta. Essa caracter\u00edstica diminui a permeabilidade das bact\u00e9rias atrav\u00e9s do tecido, e consequentemente diminui as taxas contamina\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as nanofolhas de GO e rGO podem recobrir e inativar microrganismos com cargas superficiais positivas (v\u00edrus, por exemplo), impedindo que eles permeiem as superf\u00edcies celulares e causem infec\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><b>Pr\u00f3ximos passos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com os pesquisadores, as intera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas entre os tecidos e os microrganismos est\u00e3o sendo consideradas como o principal mecanismo respons\u00e1vel pelo elevado potencial antimicrobiano dos nanomateriais de carbono. As a\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas dos nanomateriais com microrganismos envolvem diferentes processos, como as intera\u00e7\u00f5es oxidativas \u2013 tamb\u00e9m conhecidas como estresses oxidativos \u2013\u00a0 nestes microrganismos. \u201cO estresse oxidativo \u00e9 oriundo das rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas entre grupos oxidantes altamente reativos (ROS) e os microrganismos. Os ROS podem ser formados a partir da intera\u00e7\u00e3o dos el\u00e9trons transferidos dos microrganismos para os nanomateriais\u201d, esclarece Quirino. Estes grupos oxidantes altamente reativos s\u00e3o capazes de causar danos irrevers\u00edveis aos microrganismos, levando \u00e0 morte de bact\u00e9rias e inativando a a\u00e7\u00e3o de v\u00edrus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No momento o grupo est\u00e1 realizando testes microbianos, com an\u00e1lise de crescimento de microrganismos nas m\u00e1scaras tratadas e n\u00e3o tratadas com GO e nanofios de prata. \u201cNeste primeiro momento, estamos utilizando bact\u00e9rias comuns no sistema respirat\u00f3rio humano, do grupo das bact\u00e9rias gram-positivas (Staphyloccus aureus), e outra do grupo gram negativas, mais relacionada ao sistema digestivo (Escherichia coli)\u201d, afirma Quirino. A partir destes testes, foi observada inibi\u00e7\u00e3o do crescimento das bact\u00e9rias nos tratamentos com os nanomateriais. De acordo com Welber Quirino, a pr\u00f3xima etapa \u00e9 avaliar o crescimento de comunidade microbiana que inclua um coronav\u00edrus de outros animais, sem risco para sa\u00fade humana.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>A import\u00e2ncia do uso de m\u00e1scaras<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante do contexto atual de pandemia em que o mundo inteiro est\u00e1 vivenciando, a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras passou a ser indispens\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o como forma de prote\u00e7\u00e3o individual e coletiva. De acordo com os crit\u00e9rios da OMS, as m\u00e1scaras podem ser compradas ou podem ser caseiras, mas devem ter tr\u00eas camadas: idealmente um forro de algod\u00e3o, uma camada externa de poli\u00e9ster e um \u201cfiltro\u201d m\u00e9dio feito de polipropileno ou algum outro material n\u00e3o tecido. Ainda que as m\u00e1scaras de tecidos convencionais apresentem boa efic\u00e1cia para a reten\u00e7\u00e3o dos microrganismos, elas n\u00e3o possuem a capacidade de elimin\u00e1-los e nem a capacidade de inibir sua prolifera\u00e7\u00e3o nestes materiais. \u201cEsse projeto tem como objetivo o desenvolvimento de tecidos tecnol\u00f3gicos para confec\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras e vestimentas hospitalares (jalecos, toucas, len\u00e7\u00f3is, etc.), bem como filtros de ar para equipamentos m\u00e9dicos e ambientes fechados, que apresentem maior efic\u00e1cia na reten\u00e7\u00e3o, elimina\u00e7\u00e3o e inibi\u00e7\u00e3o do crescimento de microrganismos (como v\u00edrus e bact\u00e9rias)\u201d, apresenta Quirino. Al\u00e9m disso, o pesquisador acredita que o desenvolvimento desse projeto hoje \u00e9 uma forma de precau\u00e7\u00e3o para futuras pandemias relacionadas ao trato respirat\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Assessoria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a pandemia de Covid-19, o uso de m\u00e1scaras se tornou indispens\u00e1vel. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o novo coronav\u00edrus \u00e9 transmitido principalmente por got\u00edculas respirat\u00f3rias expelidas por espirros, tosse ou pela fala. 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