{"id":160091,"date":"2020-05-12T12:43:52","date_gmt":"2020-05-12T15:43:52","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=160091"},"modified":"2020-05-12T12:43:52","modified_gmt":"2020-05-12T15:43:52","slug":"mais-de-50-dos-adultos-tem-fator-de-risco-para-ter-covid-19-grave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=160091","title":{"rendered":"Mais de 50% dos adultos t\u00eam fator de risco para ter covid-19 grave"},"content":{"rendered":"<p>Uma parcela de 54,5% da popula\u00e7\u00e3o adulta brasileira, ou cerca de 86 milh\u00f5es de pessoas, apresenta ao menos um fator de risco para manifesta\u00e7\u00f5es graves da covid-19, de acordo com estudo da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). Entre os adultos que conclu\u00edram somente a primeira etapa do ensino fundamental, que representam na pesquisa a parcela da popula\u00e7\u00e3o com menor n\u00edvel socioecon\u00f4mico, esse \u00edndice chega a 80,2%.<\/p>\n<p>Foram considerados fatores risco ter mais de 65 anos, doen\u00e7as cr\u00f4nicas &#8211; cardiovasculares, diabetes, hipertens\u00e3o e doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica -, c\u00e2nceres diagnosticados h\u00e1 menos de cinco anos, realiza\u00e7\u00e3o de di\u00e1lise ou outro tratamento para doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, obesidade, asma moderada ou grave e tabagismo.<\/p>\n<p>Se considerados apenas os brasileiros com menos de 65 anos, essa propor\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 alta e chega a 47%. Entre os brasileiros com mais de 65 anos, 75,9% apresentaram pelo menos outro fator de risco para os casos graves da doen\u00e7a. Os pesquisadores usaram dados de 51.770 participantes da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Diante dos resultados, o coordenador da pesquisa Leandro Rezende, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp), avalia que o isolamento social \u00e9 a melhor medida para este momento.<\/p>\n<p>\u201cAinda temos poucas informa\u00e7\u00f5es da parcela da popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi infectada pelo v\u00edrus e, portanto, quando observamos em um estudo populacional, de amostra representativa da popula\u00e7\u00e3o brasileira, que mais de 50% dos adultos apresenta pelo menos um fator de risco para covid-19 &#8211; desses que tem sido relatados na literatura &#8211; \u00e9 bastante preocupante a tentativa de flexibiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nos parece a melhor alternativa para esse momento\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Entre os adultos que conclu\u00edram somente a primeira etapa do ensino fundamental, a presen\u00e7a dos fatores de risco para a forma grave da covid-19 foi muito maior do que entre os adultos com n\u00edvel superior completo. A parcela de 80,2% dos adultos com a primeira etapa do ensino fundamental se encaixou no grupo de risco com pelo menos um fator de risco relacionado com quadros graves da covid-19, enquanto entre as pessoas com n\u00edvel superior essa propor\u00e7\u00e3o foi de 46%.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 conhecemos as desigualdades em sa\u00fade no Brasil, v\u00e1rios estudos t\u00eam relatado isso em outras perspectivas e, dentro da covid-19, temos visto uma discuss\u00e3o muito grande da dificuldade das medidas de isolamento em pessoas em vulnerabilidade social alta, morando, por exemplo, em comunidades, com muitas pessoas por domic\u00edlio. Isso j\u00e1 \u00e9 uma dificuldade para esse grupo e o nosso estudo mostrou que, ainda por cima, pessoas com baixa escolaridade, ou menor n\u00edvel socioecon\u00f4mico, tamb\u00e9m tendem a acumular maior propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no grupo de risco\u201d, disse Rezende.<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o do pesquisador \u00e9 que o grupo com menor escolaridade e mais pobre tende a ser menos diagnosticado sobre condi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o fatores de risco para a covid-19 grave. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que esse grupo ainda tenha um menor diagn\u00f3stico de doen\u00e7as comuns como, por exemplo, diabetes, hipertens\u00e3o e, portanto, ficamos bastante preocupado com esse resultado, o que sugere que a medida de isolamento social, especialmente para esse grupo, \u00e9 bastante importante\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da poss\u00edvel subnotifica\u00e7\u00e3o dos fatores de risco por terem menos acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade para diagn\u00f3stico m\u00e9dico, Rezende destacou o trabalho importante realizado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) no atendimento a essa popula\u00e7\u00e3o. \u201cNovamente a pandemia vem ressaltando a import\u00e2ncia do SUS nesse contexto. Com o SUS, a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria foi altamente expandida no Brasil e portanto permite para essas pessoas terem, pelo menos, o m\u00ednimo de cobertura para assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade. \u00c9 poss\u00edvel que seja subnotificado, mas o que vale ressaltar \u00e9 que, se n\u00e3o fosse o SUS, certamente essa subnotifica\u00e7\u00e3o seria maior ainda\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram separadamente os dados estaduais e observaram que a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no grupo de risco \u00e9 maior no Rio Grande do Sul (58,4%), em S\u00e3o Paulo (58,2%) e no Rio de Janeiro (55,8%). J\u00e1 os estados com menor propor\u00e7\u00e3o foram Amap\u00e1 (45,9%), Roraima (48,6%) e Amazonas (48,7%). Rezende avalia que os indicadores estaduais podem ser utilizados para orientar gestores p\u00fablicos em estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e controle da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte:\u00a0<\/strong>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma parcela de 54,5% da popula\u00e7\u00e3o adulta brasileira, ou cerca de 86 milh\u00f5es de pessoas, apresenta ao menos um fator de risco para manifesta\u00e7\u00f5es graves da covid-19, de acordo com estudo da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). 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