{"id":158825,"date":"2020-04-22T18:08:33","date_gmt":"2020-04-22T21:08:33","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=158825"},"modified":"2020-04-22T18:08:33","modified_gmt":"2020-04-22T21:08:33","slug":"pesquisa-interpreta-dados-sobre-saude-mental-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=158825","title":{"rendered":"Pesquisa interpreta dados sobre sa\u00fade mental durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Embora n\u00e3o seja a primeira pandemia que os seres humanos enfrentam, a Covid-19 acontece em uma \u00e9poca que possui uma singularidade in\u00e9dita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras: em tempos de internet, as redes sociais tornaram-se escapes ainda maiores para lidar com o distanciamento social. Al\u00e9m de utiliz\u00e1-las para socializa\u00e7\u00e3o, os usu\u00e1rios tamb\u00e9m comentam suas experi\u00eancias na pandemia, relatando comportamentos e sentimentos decorrentes da nova rotina.<\/p>\n<p>Um tipo espec\u00edfico de compartilhamento nas redes despertou a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A professora e o mestrando do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Modelagem Computacional, Priscila Capriles e Thallys Nogueira, observaram a possibilidade do mapeamento e da an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es compartilhadas a respeito da sa\u00fade mental dos usu\u00e1rios durante a pandemia. Para desenvolver a pesquisa, estabeleceram uma parceria com a professora Laisa Sartes, atuante no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia. Em conjunto, o grupo de pesquisadores coleta, interpreta e acompanha os dados sobre depress\u00e3o e ansiedade relatados em redes sociais.<\/p>\n<p><strong>Aumento de relatos<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora Priscila Capriles explica que a an\u00e1lise sobre sa\u00fade mental nasceu devido a um projeto j\u00e1 em andamento, desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), o Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o da UFJF e o Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais (IFSudeste-MG), voltado para a an\u00e1lise do uso de derivados de leite feito pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPercebemos que, desde o come\u00e7o do alarme a respeito do coronav\u00edrus no mundo, especialmente no Brasil, aconteceu um aumento do consumo de alimentos indulgentes \u2013 ou seja, mais cal\u00f3ricos e menos nutritivos, mas que servem justamente para causar aquela sensa\u00e7\u00e3o de melhora da ansiedade. Diante desse cen\u00e1rio, eu e o Thallys despertamos a aten\u00e7\u00e3o para entender como estaria o estado emocional das pessoas durante esse per\u00edodo.\u201d<\/p>\n<p>Usando a t\u00e9cnica de minera\u00e7\u00e3o de dados de m\u00eddias sociais e de an\u00e1lise de sentimentos, os pesquisadores iniciaram a an\u00e1lise coletando informa\u00e7\u00f5es, principalmente no Twitter e no Google Trends. \u201cNossos resultados come\u00e7aram a mostrar que, realmente, um n\u00famero crescente de pessoas estava relatando ansiedade, depress\u00e3o e fobias. Ent\u00e3o, resolvemos procurar parcerias com profissionais da Psicologia.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 feita a coleta e a an\u00e1lise de dados<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAs an\u00e1lises s\u00e3o feitas a partir dos coment\u00e1rios das pessoas e, ent\u00e3o, ajudamos a identificar palavras-chave mais relevantes, relacionadas \u00e0s principais teorias em psicologia e psiquiatria sobre sa\u00fade mental, e a levantar hip\u00f3teses sobre a rela\u00e7\u00e3o entre determinados comportamentos e a pandemia\u201d, explica a psic\u00f3loga e pesquisadora Laisa Sartes. \u201cO m\u00e9todo de minera\u00e7\u00e3o de dados das redes sociais traz a possibilidade de avaliar dados em larga escala e saber o que est\u00e1 acontecendo agora, a cada momento. Portanto, \u00e9 uma possibilidade de obter informa\u00e7\u00f5es muito rica, principalmente se considerarmos que, nessa pandemia, muitos est\u00e3o utilizando as redes sociais para falar, serem ouvidos, trocar informa\u00e7\u00f5es e desabafar.\u201d<\/p>\n<p>O mestrando em Modelagem Computacional, Thallys Nogueira, explica como \u00e9 o processo de minera\u00e7\u00e3o de dados. Primeiramente, foi criada uma conta de desenvolvedor na rede social Twitter. Para ser liberada, \u00e9 necess\u00e1rio um processo de an\u00e1lise para que, s\u00f3 ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o, o pesquisador obtenha acesso dos dados. Quando isso aconteceu, Nogueira desenvolveu aplica\u00e7\u00f5es na plataforma para que fosse poss\u00edvel realizar a coleta dos dados de forma paralela, agilizando, assim, este processo.<\/p>\n<p>\u201cCom isso, fiz grupos de palavras-chave e algumas <em>hashtags <\/em>relacionadas ao tema e realizei a minera\u00e7\u00e3o dos dados em si. Para a coleta, desenvolvi um <em>script, <\/em>que \u00e9 executado uma vez por semana e com hor\u00e1rio programado, devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es que a conta padr\u00e3o possui\u201d, especifica Nogueira. Com os dados em m\u00e3os e a an\u00e1lise iniciada, o mestrando adianta alguns dos pr\u00f3ximos passos: o mapeamento das localiza\u00e7\u00f5es de onde surgiram os relatos coletados e a apresenta\u00e7\u00e3o de algoritmos para auxiliar na visualiza\u00e7\u00e3o dos termos mais recorrentes. Por meio de um modelo de <em>machine learning <\/em>(em portugu\u00eas, \u201caprendizado de m\u00e1quina\u201d; trata-se de uma \u00e1rea de pesquisa em intelig\u00eancia artificial), o mestrando explica que ser\u00e1 poss\u00edvel classificar o conte\u00fado coletado de acordo com crit\u00e9rios estabelecidos por Paul Ekman, psic\u00f3logo norte-americano pioneiro no estudo das emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEstamos desenvolvendo um estudo para avaliar a porcentagem significativa da popula\u00e7\u00e3o brasileira que vem expressando isso; tentar quantificar, por regi\u00e3o, o quanto isso est\u00e1 sendo manifestado; e georreferenciar os dados, para que possamos gerar alguns mapas que mostram a densidade dessas manifesta\u00e7\u00f5es\u201d, complementa Priscila Capriles. \u201cDe semana a semana, tamb\u00e9m poderemos acompanhar como as a\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e do Governo Federal ressoam na popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO que pudemos identificar at\u00e9 o momento \u00e9 que grande parte dos coment\u00e1rios sobre problemas de sa\u00fade mental est\u00e3o relacionados a quarentena em si, e n\u00e3o ao coronav\u00edrus propriamente, e que esses coment\u00e1rios parecem sofrer impacto de determinadas not\u00edcias nacionais\u201d, completa Laisa Sartes. \u201cMas ainda estamos no in\u00edcio da quarentena, e estamos muito interessados em saber como ser\u00e1 ao longo do tempo.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte:\u00a0<\/strong>Assessoria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora n\u00e3o seja a primeira pandemia que os seres humanos enfrentam, a Covid-19 acontece em uma \u00e9poca que possui uma singularidade in\u00e9dita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras: em tempos de internet, as redes sociais tornaram-se escapes ainda maiores para lidar com o distanciamento social. 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