{"id":157850,"date":"2020-04-02T18:35:23","date_gmt":"2020-04-02T21:35:23","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=157850"},"modified":"2020-04-02T18:35:23","modified_gmt":"2020-04-02T21:35:23","slug":"atletas-brasileiros-adaptam-treinos-para-o-periodo-de-quarentena-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=157850","title":{"rendered":"Atletas brasileiros adaptam treinos para o per\u00edodo de quarentena em casa"},"content":{"rendered":"<p>A rotina de um atleta de alto rendimento envolve sequ\u00eancias pesadas de treinos, prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica, fisioterapia e acompanhamento de m\u00e9dicos, psic\u00f3logos e nutricionistas. Nos tatames, nas piscinas, nos gin\u00e1sios e nas quadras, os dias s\u00e3o intensos. Nada parecido com o imposto pelo per\u00edodo de quarentena e isolamento social provocado pela pandemia do novo coronav\u00edrus, que fechou as portas de clubes e adiou os Jogos Ol\u00edmpicos de T\u00f3quio para 2021. Impossibilitados de treinar da forma habitual e com um ano extra no calend\u00e1rio ol\u00edmpico, os atletas adotaram uma nova palavra ao momento vivido: adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o nova, uma experi\u00eancia que todos os atletas est\u00e3o vivendo agora. \u00c9 complicado porque n\u00e3o conseguimos treinar como gostar\u00edamos, mas a gente sabe que \u00e9 desse jeito e tem que se adaptar, trabalhar com o que a gente tem. N\u00e3o \u00e9 o momento de ficar se lamentando. A gente tem que manter o corpo ativo e estar preparado para quando voltar, que a gente n\u00e3o sabe quando vai ser\u201d, avalia o mesatenista Vitor Ishiy.<\/p>\n<p>Aos 24 anos, o paulista vinha em um dos melhores momentos da carreira. Terceiro brasileiro do ranking mundial, Ishiy participou da conquista da vaga para a equipe durante o Pr\u00e9-Ol\u00edmpico de Lima, em outubro do ano passado. Na partida final e decisiva, venceu o argentino Pablo Tabachnik e confirmou o Brasil em T\u00f3quio. At\u00e9 ent\u00e3o, apenas Hugo Calderano tinha a vaga individual assegurada pela conquista dos Jogos Pan-Americanos.<\/p>\n<p>Mesmo sem a defini\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o da equipe, Vitor Ishiy sabe que tinha grandes chances de ocupar uma das outras duas vagas na equipe do t\u00eanis de mesa. \u201cSeria bom se a Olimp\u00edada fosse agora. Daqui a um ano, o ranking vai mudar e n\u00e3o d\u00e1 para saber se eu vou ou n\u00e3o, mas n\u00e3o adianta. Eles tinham que adiar. Acho que era imposs\u00edvel sediarem os Jogos nessas condi\u00e7\u00f5es. Agora tenho que trabalhar duro de novo por mais um ano\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Trabalhar duro, contudo, n\u00e3o tem sido exatamente f\u00e1cil. Com o clube fechado, Ishiy e Calderano est\u00e3o se virando como podem na cidade alem\u00e3 de Ochsenhausen. Conseguiram uma mesa e materiais de prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica emprestados da equipe e montaram a esta\u00e7\u00e3o de treinos na casa de Hugo. Vitor, que mora em outro lugar, mudou-se provisoriamente para a casa de um preparador f\u00edsico franc\u00eas, que retornou ao pa\u00eds de origem. \u201c\u00c9 no mesmo condom\u00ednio do Hugo, assim n\u00e3o preciso andar pela rua\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 complicado. A gente tenta se adaptar, mas n\u00e3o d\u00e1 para treinar igual antes. Tem dia que treinamos duas vezes, tem dia que treinamos uma s\u00f3 ou pegamos para descanso. Com a not\u00edcia da Olimp\u00edada adiada, \u00e9 tamb\u00e9m um per\u00edodo para pensar bem no que \u00e9 preciso trabalhar de novo\u201d, acredita Vitor. \u201c\u00c9 uma mistura de emo\u00e7\u00f5es. No primeiro dia fiquei um pouco afetado, dei uma desanimada, mas no outro dia j\u00e1 tem que pensar positivo. Tem que pegar a melhor parte disso, pensar que d\u00e1 para se preparar melhor. Se eu classificar, vou estar mais bem preparado para representar o Brasil\u201d, confia.<\/p>\n<p>Uma das maiores dificuldades do modelo de treino atual \u00e9 n\u00e3o poder variar os advers\u00e1rios na mesa. \u201cNormalmente somos 20 jogadores no clube, mas todos voltaram para suas casas e os brasileiros ficaram aqui. A gente se conhece bem, consegue treinar bem, mas \u00e9 limitado. N\u00e3o tem essa varia\u00e7\u00e3o de advers\u00e1rios que \u00e9 muito importante para o t\u00eanis de mesa\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Ainda assim, ter os materiais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi um certo al\u00edvio. \u201cO fato de a gente estar tocando na raquete j\u00e1 \u00e9 muito bom. Quando eu fico duas semanas sem tocar na raquete, eu volto sem ritmo de bola\u201d, explica. \u201cMas chegar em um jogo, em uma competi\u00e7\u00e3o, \u00e9 diferente. Vai demorar um pouquinho para voltar, mas acredito que vai ser para todo mundo. N\u00e3o tem privil\u00e9gio de alguns\u201d, ressalta Ishiy.<\/p>\n<p>Retornar ao Brasil chegou a ser uma possibilidade, mas acabou descartada. \u201cSou de S\u00e3o Paulo e o Hugo \u00e9 do Rio. A gente pensou em voltar para o Rio de Janeiro e alugar alguma casa que tivesse um espa\u00e7o grande para poder treinar entre a gente, mas a situa\u00e7\u00e3o no Brasil ainda estava come\u00e7ando e a Alemanha j\u00e1 estava em quarentena\u201d, relembra. Preservar os pais foi o fator decisivo para a estadia na Europa durante a pandemia. \u201cMeus pais j\u00e1 s\u00e3o de idade. Eu poderia pegar o v\u00edrus no aeroporto, fiquei com medo de passar para eles\u201d, conta Vitor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Luta em casa<\/strong><\/p>\n<p>Para quem cumpre a quarentena no Brasil, o momento tamb\u00e9m \u00e9 de adapta\u00e7\u00e3o. Nas redes sociais, diversos judocas publicam como \u00e9 a nova rotina: Rafael Silva faz agachamentos com a esposa, Bruna Lu\u00edsa, nas costas. Mayra Aguiar faz treino de bra\u00e7os puxando a irm\u00e3 Hellen pelo quimono. Eric Takabatake e Alexia Castilhos, que s\u00e3o namorados, elaboraram uma sequ\u00eancia de entradas de golpes e fazem dois treinos por dia, al\u00e9m da prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 tentando manter a rotina de dois treinos por dia, como j\u00e1 est\u00e1vamos acostumados, e o preparador f\u00edsico passa o que temos que fazer. A gente tenta se virar usando garrafa de \u00e1gua como peso, el\u00e1stico&#8230; O jud\u00f4 j\u00e1 \u00e9 um pouco mais dif\u00edcil, n\u00e3o temos nem espa\u00e7o para lutas\u201d, explica Takabatake.<\/p>\n<p>Em 12\u00ba lugar no ranking mundial da categoria ligeiro (60kg), o atleta era presen\u00e7a praticamente certa em T\u00f3quio. Agora encara a necessidade de se manter entre os melhores em mais um ano de espera at\u00e9 o evento. \u201c\u00c9 bem dif\u00edcil principalmente pela etapa em que a gente estava, a poucos meses dos Jogos, mas temos que ver o contexto geral. Esse isolamento \u00e9 a melhor coisa a se fazer, \u00e9 o certo\u201d, acredita. \u201cClaro que voc\u00ea fica um pouco chateado, mas o adiamento foi justo. Agora \u00e9 n\u00e3o perder o foco e carimbar essa vaga no ano que vem\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Jud\u00f4 (CBJ) tamb\u00e9m entrou na onda dos treinos em casa e lan\u00e7ou um Desafio Ol\u00edmpico nas redes sociais, em parceria com clubes. Todos os s\u00e1bados, dois atletas se enfrentam virtualmente em um treino espec\u00edfico para judocas de alto rendimento proposto pelo clube anfitri\u00e3o. Na estreia, o desafio foi entre Victor Penalber e Felipe Kitadai. No pr\u00f3ximo s\u00e1bado, as redes ter\u00e3o os veteranos Luciano Corr\u00eaa e Leandro Guilheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Improvisos<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de toda a seriedade do momento vivido ao redor do mundo, atletas brasileiros tamb\u00e9m aproveitam para descontrair um pouco nas redes sociais. Assim, o ginasta Arthur Nory publicou v\u00eddeos subindo escadas em parada de m\u00e3os e at\u00e9 levando um tombo durante outro exerc\u00edcio. J\u00e1 o companheiro de sele\u00e7\u00e3o Francisco Barretto postou um v\u00eddeo em que estaria fazendo uma libera\u00e7\u00e3o de musculatura usando um tambor.<\/p>\n<p>Entre os atletas paral\u00edmpicos, os treinos tamb\u00e9m seguem em casa. Nadador multimedalhista, Daniel Dias publicou como est\u00e1 se exercitando, usando el\u00e1sticos e carregando os filhos. J\u00e1 Debora Menezes, do parataekwondo, divulgou uma parte do treino de membros superiores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desafios<\/strong><\/p>\n<p>Diretor-geral do Comit\u00ea Ol\u00edmpico do Brasil (COB) e campe\u00e3o ol\u00edmpico de jud\u00f4 em Barcelona 1992, Rog\u00e9rio Sampaio sabe que os treinos dom\u00e9sticos n\u00e3o chegam perto da rotina habitual dos atletas. \u201cCada um est\u00e1 fazendo o que pode, como abdominais e fortalecimento f\u00edsico, mas isso \u00e9 muito distante do treinamento de um atleta ol\u00edmpico, que vai disputar Jogos Ol\u00edmpicos e que pensa em conquistar uma medalha. O retorno vai ser duro, mas esse \u00e9 um panorama que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para o atleta brasileiro\u201d, comenta.<\/p>\n<p>\u201cO importante \u00e9 a gente ter todo mundo animado, estimulado, para retornar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Acho o adiamento desses Jogos Ol\u00edmpicos tem esse aspecto motivacional. Em um primeiro momento, os atletas estavam muito preocupados com os Jogos Ol\u00edmpicos este ano porque n\u00e3o conseguiriam chegar no melhor de suas formas f\u00edsicas. Com o adiamento, todos ter\u00e3o tempo para recuperar o ritmo de competi\u00e7\u00e3o internacional. Acho que a mudan\u00e7a traz uma motiva\u00e7\u00e3o muito grande para os nossos atletas\u201d, acredita Sampaio.<\/p>\n<p><strong>Fonte:\u00a0<\/strong>Assessoria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rotina de um atleta de alto rendimento envolve sequ\u00eancias pesadas de treinos, prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica, fisioterapia e acompanhamento de m\u00e9dicos, psic\u00f3logos e nutricionistas. Nos tatames, nas piscinas, nos gin\u00e1sios e nas quadras, os dias s\u00e3o intensos. 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