{"id":148933,"date":"2019-10-03T17:56:07","date_gmt":"2019-10-03T20:56:07","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=148933"},"modified":"2019-10-03T17:56:07","modified_gmt":"2019-10-03T20:56:07","slug":"incendios-na-amazonia-afetam-criancas-e-custam-r-15-milhao-ao-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=148933","title":{"rendered":"Inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia afetam crian\u00e7as e custam R$ 1,5 milh\u00e3o ao SUS"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) divulgaram na quarta-feira (2) resultados de um estudo sobre os efeitos que as queimadas na regi\u00e3o na Amaz\u00f4nia Legal t\u00eam provocado sobre a sa\u00fade infantil. Os dados mostram que, entre maio e junho deste ano, as interna\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as com menos de 10 anos que apresentavam problemas respirat\u00f3rios chegaram a 5.091, o dobro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia\u00a0calculada para o mesmo per\u00edodo na s\u00e9rie hist\u00f3rica dos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>Esse aumento, puxado por aproximadamente 100 munic\u00edpios situados pr\u00f3ximos a \u00e1reas mais afetadas por inc\u00eandios, representa um custo excedente de aproximadamente R$ 1,5 milh\u00e3o ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Foram 2.502 interna\u00e7\u00f5es acima do esperado. Cada interna\u00e7\u00e3o dura em m\u00e9dia quatro dias, custando\u00a0R$ 630.\u00a0Em cinco cidades, o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es foi cinco vezes maior do que a m\u00e9dia observada nos meses de maio e junho entre 2008 e 2018: Santo Ant\u00f4nio do Tau\u00e1, Ouril\u00e2ndia do Norte e Bannach, no Par\u00e1; Santa Luzia d&#8217;Oeste, em Rond\u00f4nia; e Comodoro,em Mato Grosso.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 s\u00f3 de interna\u00e7\u00f5es em hospitais que atendem pelo SUS. N\u00e3o est\u00e3o sendo contabilizados a\u00ed o atendimento em pequenas unidades de sa\u00fade, nem os atendimentos domiciliares pelo m\u00e9dico de fam\u00edlia, por exemplo. As interna\u00e7\u00f5es na rede privada tamb\u00e9m n\u00e3o entram nessa conta&#8221;, disse pesquisador da Fiocruz Christovam Barcellos.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado com base em informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas reunidas no Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hospitalares (SIH) do Departamento de Inform\u00e1tica do SUS (DataSUS). Foi feita uma varredura para separar apenas os dados de interna\u00e7\u00e3o hospitalar dos meses de maio e junho, o \u00faltimo per\u00edodo dispon\u00edvel. Ao realizar esse procedimento, os pesquisadores tamb\u00e9m identificaram que a crian\u00e7a que vive em \u00e1rea mais pr\u00f3xima aos inc\u00eandios tem 36% mais chances de precisar se internar por problemas respirat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O levantamento mostra ainda que, em cinco dos nove estados da regi\u00e3o, houve aumento das mortes de crian\u00e7as com menos de 10 anos hospitalizadas por problemas respirat\u00f3rios. Em Roraima, por exemplo, houve 2.398 \u00f3bitos para cada grupo de 100 mil crian\u00e7as entre janeiro e julho de 2019. No mesmo per\u00edodo do ano passado, a propor\u00e7\u00e3o foi de\u00a01.427 para cada grupo de 100 mil.<\/p>\n<h2>Queimadas<\/h2>\n<p>A Amaz\u00f4nia Legal corresponde a cerca de 61% do territ\u00f3rio brasileiro e engloba nove estados: Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Mato Grosso, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e Tocantins e parte do Maranh\u00e3o. Nesta \u00e1rea, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), est\u00e3o 772 munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios s\u00e3o comuns na Amaz\u00f4nia no per\u00edodo de seca, que se estende de maio a setembro. Nos \u00faltimos meses, o aumento das ocorr\u00eancias gerou\u00a0repercuss\u00e3o internacional. Para contornar a situa\u00e7\u00e3o,\u00a0o presidente Jair Bolsonaro decretou, em 23 de agosto, a\u00a0Garantia da Lei e da Ordem (GLO) Ambiental\u00a0para ampliar o trabalho de combate \u00e0s queimadas e a investiga\u00e7\u00e3o sobre suas origens.<\/p>\n<p>Uma\u00a0apura\u00e7\u00e3o\u00a0em andamento verifica ind\u00edcios de que fazendeiros se organizaram para atear fogo em \u00e1reas de floresta no sudoeste do Par\u00e1. Ontem (1\u00ba), um\u00a0balan\u00e7o\u00a0divulgado pelo Minist\u00e9rio da Defesa informou que j\u00e1 foram aplicados R$ 36,37 milh\u00f5es em multas pela Opera\u00e7\u00e3o Verde Brasil, que mobiliza as For\u00e7as Armadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).<\/p>\n<p>Para Christovam Barcellos, parte desses recursos deveria cobrir os gastos excedentes com a sa\u00fade p\u00fablica. &#8220;O Ibama aplica multas aos propriet\u00e1rios rurais por infra\u00e7\u00f5es relacionadas a queimadas e desmatamento. Por que n\u00e3o usar uma parte dessas multas para ressarcimento ao SUS? Isso pode ser uma proposta&#8221;, afirmou.<\/p>\n<h2>Desafios<\/h2>\n<p>Os resultados do estudo foram reunidos em um um informe t\u00e9cnico do Observat\u00f3rio de Clima e Sa\u00fade, coordenado pela Fiocruz.<\/p>\n<p>De acordo com Christovam Barcellos,\u00a0o informe alerta gestores e profissionais do SUS\u00a0sobre a necessidade de programar atendimento a popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, idosos, ind\u00edgenas e pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas, al\u00e9m de crian\u00e7as.\u00a0Mesmo adultos com boa sa\u00fade s\u00e3o afetados. &#8220;\u00c9 bom lembrar ao fazendeiro que provoca um inc\u00eandio que o filho dele tamb\u00e9m est\u00e1 vulner\u00e1vel&#8221;, enfatiizou o pesquisador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o estudo sugere refor\u00e7o na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e na busca ativa, j\u00e1 que alguns grupos populacionais podem n\u00e3o ter acesso a hospitais. Segundo Christovam, embora as maiores cidades da regi\u00e3o sejam bem estruturadas, h\u00e1 um grande contingente populacional na Amaz\u00f4nia que vive em pequenas comunidades agr\u00edcolas, em \u00e1reas de acesso remoto. S\u00e3o locais onde a investiga\u00e7\u00e3o sobre a incid\u00eancia de doen\u00e7as se torna mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 pessoas que podem ter sofrido com asma e bronquite, mas n\u00e3o tiveram acesso a hospital. Os \u00edndios, muitas vezes, t\u00eam que andar dias, usar canoa, para chegar a uma cidade. E isso tamb\u00e9m exige mais investimentos do SUS. As equipes de m\u00e9dicos da fam\u00edlia precisam se deslocar longas dist\u00e2ncias. Em alguns lugares, \u00e9 preciso helic\u00f3ptero&#8221;, destacou.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) divulgaram na quarta-feira (2) resultados de um estudo sobre os efeitos que as queimadas na regi\u00e3o na Amaz\u00f4nia Legal t\u00eam provocado sobre a sa\u00fade infantil. 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