{"id":147353,"date":"2019-09-08T06:00:22","date_gmt":"2019-09-08T09:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=147353"},"modified":"2019-09-05T18:39:26","modified_gmt":"2019-09-05T21:39:26","slug":"um-barco-de-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=147353","title":{"rendered":"UM BARCO DE CULTURA"},"content":{"rendered":"<p>O contratorpedeiro Bauru, nascido nos Estados Unidos, tem uma hist\u00f3ria muito bonita. Esteve na II Guerra Mundial e foi cedido ao Brasil, para operar como navio-escolta. J\u00e1 se chamou U-28 e hoje \u00e9 um navio-museu, ancorado permanentemente no parque ol\u00edmpico do Rio de Janeiro, servindo de inspira\u00e7\u00e3o aos milhares de estudantes que o visitam diariamente. \u00c9 um aut\u00eantico barco de cultura, embora mantenha os seus armamentos originais.<\/p>\n<p>A convite do Vice-Almirante Jos\u00e9 Carlos Mathias, diretor de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Documenta\u00e7\u00e3o da Marinha do Brasil, estivemos em visita ao navio-museu, matando saudades dos velhos tempos em que fizemos o servi\u00e7o militar e viajamos durante 15 dias por mares de Salvador, Recife e Abrolhos. Foram horas extremamente agrad\u00e1veis, de que tamb\u00e9m participou o Almirante de esquadra Alfredo Karam, ministro da Marinha do governo Jo\u00e3o Figueiredo. Aos 94 anos, inteiramente l\u00facido, contou hist\u00f3rias de sua juventude na Tijuca e no Am\u00e9rica F.C., cujas cores defendeu como jogador infantil, embora no fundo jamais tenha deixado de ser um torcedor fan\u00e1tico do Flamengo&#8230;<\/p>\n<p>Nosso est\u00e1gio foi em julho de 1956, depois de dois anos de aulas no CIORM, na Ilha das Enxadas. Como dissemos certa vez, \u201cfoi um aprendizado sobretudo de disciplina e amor ao Brasil, de que jamais esqueceremos.\u201d Na viagem navegamos 122 mil milhas e tivemos quase 10 dias de mar. Tudo verdadeiramente inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>O \u201cBauru\u201d (homenagem ao rio que d\u00e1 nome a essa cidade paulista) foi o quarto navio de uma s\u00e9rie de oito transferidos dos EUA para o Brasil, no esfor\u00e7o de guerra. \u00c9 um dos contratorpedeiros que se tornaram a espinha dorsal da nossa esquadra. Tinha duas miss\u00f5es: opera\u00e7\u00f5es de ca\u00e7a anti-submarino, escolta e comboios e apoio ao servi\u00e7o a\u00e9reo de evacua\u00e7\u00e3o das tropas aliadas. Ap\u00f3s o fim da II Guerra Mundial, foi incorporado \u00e0 Segunda Flotilha de Contratorpedeiros, depois transferido para o Esquadr\u00e3o de Avisos Oce\u00e2nicos. Ap\u00f3s 37 anos, teve um nobre e permanente destino: tornou-se o primeiro navio-museu da Marinha do Brasil, ao lado do antigo submarino Riachuelo. Ambos se encontram hoje em pleno uso, no jardim ol\u00edmpico do centro da cidade, visitados por interessados estudantes de escolas p\u00fablicas e particulares.<\/p>\n<p>Aproveitamos o ensejo da visita para uma proveitosa conversa com alguns estudantes. Eles est\u00e3o empolgados pelo ensino t\u00e9cnico, o que \u00e9 extremamente saud\u00e1vel. O naipe feminino tem prefer\u00eancia pela enfermagem, onde a Marinha oferece oportunidades concretas em suas unidades. Tivemos a curiosidade de perguntar pelo magist\u00e9rio. Fez-se um expressivo sil\u00eancio, quebrado apenas por um professor, com essas palavras: \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum interesse pela carreira. Ela est\u00e1 socialmente desprestigiada e n\u00e3o oferece bons sal\u00e1rios.\u201d N\u00e3o h\u00e1 como aceitar passivamente essa triste realidade, na verdade sinal dos tempos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O contratorpedeiro Bauru, nascido nos Estados Unidos, tem uma hist\u00f3ria muito bonita. Esteve na II Guerra Mundial e foi cedido ao Brasil, para operar como navio-escolta. J\u00e1 se chamou U-28 e hoje \u00e9 um navio-museu, ancorado permanentemente no parque ol\u00edmpico do Rio de Janeiro, servindo de inspira\u00e7\u00e3o aos milhares de estudantes que o visitam diariamente. 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