{"id":144561,"date":"2019-07-24T17:27:46","date_gmt":"2019-07-24T20:27:46","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=144561"},"modified":"2019-07-24T17:27:46","modified_gmt":"2019-07-24T20:27:46","slug":"pf-ouve-suspeitos-de-invadir-telefone-celular-de-moro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=144561","title":{"rendered":"PF ouve suspeitos de invadir telefone celular de Moro"},"content":{"rendered":"<p>A Pol\u00edcia Federal (PF) come\u00e7ou a ouvir\u00a0hoje (24) os depoimentos de quatro suspeitos de acessar, sem autoriza\u00e7\u00e3o, o telefone celular do ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, Sergio Moro. Suspeitos de divulgar parte das comunica\u00e7\u00f5es do ministro com procuradores da Rep\u00fablica que integram a for\u00e7a-tarefa Lava Jato, Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira e Walter Delgatti Neto foram detidos ontem (23) em car\u00e1ter tempor\u00e1rio e prestam depoimento na Superintend\u00eancia da Pol\u00edcia Federal, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Segundo a PF, os quatro s\u00e3o investigados pela suposta pr\u00e1tica de crimes cibern\u00e9ticos e foram detidos nas cidades de Araraquara, S\u00e3o Paulo e Ribeir\u00e3o Preto. Al\u00e9m dos quatro mandados de pris\u00e3o tempor\u00e1ria, tamb\u00e9m foram cumpridos sete mandados de busca e apreens\u00e3o. Segundo Ariovaldo Moreira, advogado do casal Gustavo e Suellen, seus clientes foram detidos em S\u00e3o Paulo, de onde foram transferidos para a capital federal, onde passaram a noite em uma sala de delegacia no Aeroporto Juscelino Kubitschek.<\/p>\n<h2>Mensagens<\/h2>\n<p>Para o defensor, Gustavo foi detido por ser amigo de Walter. \u201cEstou presumindo que a Suelen est\u00e1 presa por ser companheira do Gustavo. E que ele est\u00e1 aqui por ter certa rela\u00e7\u00e3o de amizade com o Walter\u201d, disse Moreira, revelando que Gustavo confirmou ter recebido de Walter, pelas redes sociais, imagens de uma suposta mensagem enviada pelo ent\u00e3o juiz federal Sergio Moro a outras autoridades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cSegundo Gustavo, Walter mostrou a ele algumas intercepta\u00e7\u00f5es de uma autoridade h\u00e1 algum tempo. Essa autoridade era o hoje ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, Sergio Moro, mas Gustavo negou qualquer envolvimento com a intercepta\u00e7\u00e3o dessas mensagens. E, inclusive, chegou a alertar Walter que aquilo lhe causaria problemas\u201d, declarou o advogado, acrescentando que Gustavo n\u00e3o se recorda da data exata em que Walter lhe enviou c\u00f3pia das mensagens.<\/p>\n<p>Ainda segundo o defensor, seu cliente n\u00e3o denunciou o amigo pela rela\u00e7\u00e3o de amizade que os dois mantinham, mesmo que, segundo Gustavo, n\u00e3o se vejam h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com Moreira, na breve conversa que tiveram na delegacia da PF no Aeroporto Juscelino Kubitschek, Gustavo comentou que o quarto suspeito, Danilo Cristiano, tamb\u00e9m foi envolvido na investiga\u00e7\u00e3o devido a la\u00e7os de amizade com Walter. \u201cO Gustavo disse que, com certeza, o rapaz caiu de alegre, tal como ele mesmo. Esses foram os termos que ele usou\u201d, comentou o advogado, afirmando que seu cliente conhece Danilo \u201cde vista\u201d.<\/p>\n<p>Os quatro mandados de pris\u00e3o tempor\u00e1ria e os sete de busca e apreens\u00e3o foram emitidos pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10\u00aa Vara Federal de Bras\u00edlia. Em sua decis\u00e3o, o magistrado aponta que, ao pedir autoriza\u00e7\u00e3o para cumprir os mandados, a PF indicou, entre outras coisas, que, entre 18 de abril e 29 de junho, Gustavo movimentou em sua conta banc\u00e1ria R$ 424 mil. Suelen, por sua vez, movimentou pouco mais de R$ 203 mil entre 7 de mar\u00e7o e 29 de maio. Ainda segundo a PF, Gustavo, um DJ de 28 anos, informou ao banco em que tem conta que seu rendimento mensal \u00e9 da ordem de R$ 2.866. Suelen informou ganhar, mensalmente, cerca de R$ 2.192.<\/p>\n<p>\u201cDiante da incompatibilidade entre as movimenta\u00e7\u00f5es financeiras e a renda mensal, faz-se necess\u00e1rio realizar o rastreamento dos recursos recebidos ou movimentados pelos investigados e de averiguar eventuais patrocinadores das invas\u00f5es ilegais dos dispositivos inform\u00e1ticos\u201d, concluiu o juiz federal ao autorizar a quebra do sigilo banc\u00e1rio dos quatro suspeitos de integrar organiza\u00e7\u00e3o criminosa e invadir os celulares n\u00e3o s\u00f3 de Moro, mas tamb\u00e9m do desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o; do juiz federal Fl\u00e1vio Lucas, da 18\u00aa Vara Federal do Rio de Janeiro, e dos delegados federais Rafael Fernandes e Fl\u00e1vio Vieitez.<\/p>\n<p>Na casa de Gustavo, foram apreendidos R$ 100 mil que, segundo o advogado, seriam usados para a compra de bitcoins. \u201cEle garante ter como comprovar a origem do dinheiro apreendido\u201d.<\/p>\n<h2>Vazamento<\/h2>\n<p>A suspeita de invas\u00e3o do celular do ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica quando ele ainda era juiz na 13\u00aa Vara Federal de Curitiba, respons\u00e1vel por julgar os processos envolvendo r\u00e9us da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, foi tornada p\u00fablica pelo pr\u00f3prio minist\u00e9rio no come\u00e7o de junho. Na ocasi\u00e3o, a pasta informou que hackers tinham tentado invadir o telefone celular de Moro. O ministro s\u00f3 percebeu o que foi inicialmente classificado como uma mera tentativa no dia 4 de junho, quando recebeu uma liga\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio n\u00famero. Ap\u00f3s a chamada, ele recebeu novos contatos por meio do aplicativo de mensagens Telegram, que garante que j\u00e1 n\u00e3o usava h\u00e1 cerca de dois anos. Imediatamente, o ministrou abandonou a linha e acionou a PF.<\/p>\n<p>Dias depois, trechos de supostas mensagens que o ministro teria trocado com procuradores da for\u00e7a-tarefa da Lava Jato, do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), passaram a ser divulgados por ve\u00edculos de imprensa, principalmente, pelo site The Intercept Brasil, que informou que os arquivos foram entregues por uma fonte an\u00f4nima. O ve\u00edculo afirma que decidiu tornar p\u00fablica parte do conte\u00fado, tendo-o checado e confirmado a veracidade, por concluir tratar-se de assunto de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Hoje, em sua conta na rede social Twitter, o editor-chefe do Intercept, o jornalista Gleen Greenwald, publicou uma s\u00e9rie de coment\u00e1rios questionando a rapidez com que a Pol\u00edcia Federal, que \u00e9 subordinada ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, conseguiu localizar os suspeitos de invadir o telefone celular do ministro. Gleen tamb\u00e9m lembrou que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, algumas reportagens marcantes sobre fatos pol\u00edticos foram realizadas a partir do vazamento de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO jornalismo mais importante nas \u00faltimas d\u00e9cadas foi feito com fontes que obtiveram provas de corrup\u00e7\u00e3o sem autoriza\u00e7\u00e3o: os Pap\u00e9is do Pent\u00e1gono, Watergate, abusos da Guerra ao Terror, espionagem da NSA\u201d, escreveu Greenwald, antes de republicar uma mensagem que prop\u00f5e que, mesmo a invas\u00e3o de celular sendo um crime que precisa ser investigado e punido, \u201cnada diminui o interesse p\u00fablico nas revela\u00e7\u00f5es\u201d do conte\u00fado das supostas conversas entre Moro e os procuradors da Lava Jato.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pol\u00edcia Federal (PF) come\u00e7ou a ouvir\u00a0hoje (24) os depoimentos de quatro suspeitos de acessar, sem autoriza\u00e7\u00e3o, o telefone celular do ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, Sergio Moro. 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