{"id":143319,"date":"2019-07-06T07:44:42","date_gmt":"2019-07-06T10:44:42","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=143319"},"modified":"2019-07-06T11:53:40","modified_gmt":"2019-07-06T14:53:40","slug":"deformacao-em-barragem-de-brumadinho-foi-detectada-antes-da-ruptura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=143319","title":{"rendered":"Deforma\u00e7\u00e3o em barragem de Brumadinho foi detectada antes da ruptura"},"content":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) apurou em depoimentos colhidos nesta semana que uma deforma\u00e7\u00e3o progressiva na barragem de Brumadinho (MG)\u00a0vinha sendo detectada em monitoramento da mineradora Vale antes da ruptura\u00a0ocorrida em\u00a025 de janeiro.\u00a0A trag\u00e9dia deixou, segundo\u00a0os\u00a0dados mais\u00a0atualizados\u00a0da Defesa Civil de Minas Gerais,\u00a0pelo menos 246 mortos. Ainda est\u00e3o desaparecidas 24 pessoas.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es acerca da deforma\u00e7\u00e3o foram inicialmente expostas na\u00a0segunda-feira (1\u00ba). O arquiteto T\u00e9rcio Andrade Costa, funcion\u00e1rio da Vale respons\u00e1vel por operar equipamentos chamados de radares interferom\u00e9tricos, apresentou dados observados no monitoramento 11 dias antes do rompimento. Uma deforma\u00e7\u00e3o era notada na barragem em uma \u00e1rea de aproximadamente 14,8 mil metros quadrados.<\/p>\n<p>&#8220;A \u00faltima leitura que fiz foi dia\u00a014 de janeiro. At\u00e9 ent\u00e3o, as \u00e1reas com deforma\u00e7\u00e3o identificadas pelo radar eram de, aproximadamente, 200 ou 400 metros quadrados. Em janeiro, o equipamento identificou uma \u00e1rea com 14,8 mil metros quadrados. Quase 1,5 hectare&#8221;, disse T\u00e9rcio. Segundo ele, todas as informa\u00e7\u00f5es foram repassadas a superiores hier\u00e1rquicos, alguns deles vinculados \u00e0 diretoria de Opera\u00e7\u00f5es do Corredor Sudeste da mineradora.<\/p>\n<p>Na quinta-feira (4), a CPI ouviu Silmar Silva, que \u00e0 \u00e9poca da trag\u00e9dia era o diretor de opera\u00e7\u00f5es do corredor sudeste da Vale. Atualmente, ele est\u00e1 afastado das fun\u00e7\u00f5es. Silmar foi questionado sobre as medi\u00e7\u00f5es. &#8220;Eu nunca tive nenhum conhecimento das altera\u00e7\u00f5es detectadas pelo radar. S\u00f3 tomei conhecimento dessas discuss\u00f5es expostas pelo T\u00e9rcio ap\u00f3s o rompimento. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o sei dizer qual a relev\u00e2ncia [dessas deforma\u00e7\u00f5es] ou se elas contribu\u00edram para a ruptura&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com T\u00e9rcio Andrade, as medi\u00e7\u00f5es na barragem de Brumadinho tiveram in\u00edcio em mar\u00e7o de 2018. A \u00e1rea de 14,8 mil metros onde foi detectada a deforma\u00e7\u00e3o, quando analisada em todo o per\u00edodo de monitoramento, apresentava um gr\u00e1fico em linha reta. Por outro lado, o gr\u00e1fico revela tend\u00eancia para virar uma par\u00e1bola ao se considerar apenas as medi\u00e7\u00f5es entre dezembro de 2018 e o dia\u00a025 de janeiro, data em que ocorreu a ruptura.<\/p>\n<p>&#8220;Quando isso ocorre, quer dizer que a \u00e1rea come\u00e7ou a se deformar mais rapidamente num curto per\u00edodo de tempo. A isso chamamos de deforma\u00e7\u00e3o progressiva&#8221;, explica T\u00e9rcio. O arquiteto disse operar radares interferom\u00e9tricos na Vale desde que a tecnologia chegou ao Brasil, em 2013. Um treinamento foi oferecido pelo fabricante do equipamento. Al\u00e9m da barragem em Brumadinho, ele monitora ainda estruturas em duas minas da mineradora localizadas em Nova Lima (MG).<\/p>\n<p>Em nota, a Vale afirmou que o radar interferom\u00e9trico era um instrumento complementar utilizado em conjunto com as demais ferramentas de monitoramento para verifica\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis anormalidades. A mineradora alega ainda que o equipamento estava operando em modo de teste para futura utiliza\u00e7\u00e3o durante o processo de descaracteriza\u00e7\u00e3o da estrutura. &#8220;A orienta\u00e7\u00e3o era que os resultados apontados pelas ferramentas de monitoramento fossem posteriormente analisados\u00a0<em>in loco<\/em>\u00a0pela inspe\u00e7\u00e3o da equipe de geot\u00e9cnicos para confirma\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de anomalias observadas nos instrumentos&#8221;, registra a nota.<\/p>\n<h2>Diretores<\/h2>\n<p>A CPI ouviu\u00a0na quinta-feira (4) dois executivos da Vale. Al\u00e9m de Silmar, prestou depoimento L\u00facio Cavalli, que respondia pela diretoria de planejamento e desenvolvimento de ferrosos e carv\u00e3o. Ambos\u00a0est\u00e3o\u00a0afastados\u00a0de suas fun\u00e7\u00f5es desde mar\u00e7o de 2019, quando a mineradora acatou uma recomenda\u00e7\u00e3o emitida conjuntamento pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), pela Pol\u00edcia Federal, pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG) e pela Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n<p>Como em\u00a0outras\u00a0ocasi\u00f5es, Silmar e L\u00facio afirmaram que,\u00a0 antes do rompimento, a barragem n\u00e3o apresentou nenhum sinal de instabilidade. Eles sustentam que n\u00e3o houve nenhum alerta para o risco de ruptura, que ocorreu de forma abrupta. \u201cEstamos debru\u00e7ados sobre a quest\u00e3o para entender o que aconteceu\u201d, acrescentou L\u00facio Cavalli. A vers\u00e3o dos dois diretores tem sido confrontada pelos parlamentares com depoimentos prestados por outros funcion\u00e1rios da Vale.<\/p>\n<p>Em abril desse ano, por exemplo, o engenheiro de recursos h\u00eddricos da mineradora, Felipe Figueiredo Rocha, prestou depoimento \u00e0 CPI do Senado Federal e afirmou que, no \u00faltimo dia de um painel de especialistas internacionais realizado pela Vale em novembro de 2018, Silmar e L\u00facio estavam presentes. Na ocasi\u00e3o foi apresentado um estudo interno da mineradora, no qual a barragem de Brumadinho estava em uma lista com\u00a0dez estruturas classificadas em\u00a0&#8220;zona de aten\u00e7\u00e3o&#8221;. Felipe foi um dos autores deste estudo. &#8220;Apesar de n\u00e3o serem riscos iminentes e sim riscos poss\u00edveis, foram apresentados tanto para a diretoria como para a diretoria executiva&#8221;, disse o engenheiro em abril.<\/p>\n<h2>CPIs<\/h2>\n<p>Enquanto a CPI da ALMG ainda agenda depoimentos, a CPI do Senado caminha para a conclus\u00e3o dos seus trabalhos. Na\u00a0ter\u00e7a-feira (2), o relator Carlos Viana (PSD-MG)\u00a0apresentou seu\u00a0parecer\u00a0 pedindo indiciamento de 14 pessoas, incluindo Silmar e L\u00facio. A lista inclui ainda o presidente afastado da Vale, F\u00e1bio Schvartsman e dois diretores-executivos: Gerd Peter Poppinga e Luciano Siani.<\/p>\n<p>O pedido de indiciamento inclui outros sete empregados da mineradora: Alexandre de Paula Campanha, Rodrigo Artur Gomes de Melo, Joaquim Pedro de Toledo, Renzo Albieri Guimar\u00e3es Carvalho, Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Ara\u00fajo, C\u00e9sar Augusto Paulino Grandchamp e Cristina Heloiza da Silva Malheiros. Completam os 14 nomes Makoto Namba e Andr\u00e9 Jum Yassuda, dois engenheiros da T\u00fcv S\u00fcd, empresa que atestou a estabilidade da barragem.<\/p>\n<p>Uma terceira CPI, que avan\u00e7a na C\u00e2mara Municipal de Belo Horizonte, investiga o impacto da trag\u00e9dia na capital mineira. De acordo com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a interrup\u00e7\u00e3o da capta\u00e7\u00e3o no Rio Paraopeba amea\u00e7a a seguran\u00e7a h\u00eddrica da cidade. A Vale j\u00e1 se comprometeu com a constru\u00e7\u00e3o de um novo sistema de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua.\u00a0Na quinta-feira (4), representantes da estatal mineira respons\u00e1vel por abastecer a maioria dos munic\u00edpios do estado alertou os vereadores da necessidade de acelera\u00e7\u00e3o dessas obras, pois se os n\u00edveis de chuva do pr\u00f3ximo ver\u00e3o forem similares aos observados durante a crise h\u00eddrica de 2013, existe o risco de racionamento.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) apurou em depoimentos colhidos nesta semana que uma deforma\u00e7\u00e3o progressiva na barragem de Brumadinho (MG)\u00a0vinha sendo detectada em monitoramento da mineradora Vale antes da ruptura\u00a0ocorrida em\u00a025 de janeiro.\u00a0A trag\u00e9dia deixou, segundo\u00a0os\u00a0dados mais\u00a0atualizados\u00a0da Defesa Civil de Minas Gerais,\u00a0pelo menos 246 mortos. 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