{"id":135440,"date":"2019-03-08T14:15:23","date_gmt":"2019-03-08T17:15:23","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=135440"},"modified":"2019-03-08T14:15:23","modified_gmt":"2019-03-08T17:15:23","slug":"dia-internacional-da-mulher-tem-marchas-por-todo-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=135440","title":{"rendered":"Dia Internacional da Mulher tem marchas por todo o pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Em pelo menos 45 cidades brasileiras, incluindo 17 capitais, protestos marcam esta sexta-feira, 8, o Dia Internacional da Mulher. Os atos da Marcha Mundial das Mulheres defendem o\u00a0fim da viol\u00eancia, o respeito aos direitos civis e direitos reprodutivos e sexuais.<\/p>\n<p>As imigrantes e refugiadas, as mulheres com defici\u00eancia, a quest\u00e3o da representatividade pol\u00edtica, al\u00e9m do respeito aos direitos do p\u00fablico LGBTQIA+ est\u00e3o entre as bandeiras das manifesta\u00e7\u00f5es que ocorrer\u00e3o ao longo do dia. A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), cujo\u00a0assassinato\u00a0completa um ano sem solu\u00e7\u00e3o no dia 14, ser\u00e1 homenageada.<\/p>\n<p>A maior parte da agenda que motiva a mobiliza\u00e7\u00e3o no Brasil coincide com os pleitos que levam \u00e0s ruas mulheres de outros pa\u00edses nesta data.<\/p>\n<h2>Brasil<\/h2>\n<p>No caso brasileiro, o movimento tamb\u00e9m contesta a reforma da previd\u00eancia. Ganha destaque ainda a luta pela democracia, pelos direitos dos povos ind\u00edgenas e por uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista, princ\u00edpios defendidos, no final do m\u00eas passado, pela ent\u00e3o representante da Entidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Igualdade de G\u00eanero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Nadine Gasman,\u00a0pilares da igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios recentes, produzidos\u00a0 por diferentes fontes, mostram que, embora as bandeiras da marcha sejam id\u00eanticas de um ano para o outro, \u00e9 necess\u00e1rio manter os temas em discuss\u00e3o. De acordo com levantamentos condensados no\u00a0<em>site<\/em>\u00a0Viol\u00eancia contra as Mulheres em Dados, pelo\u00a0Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, a cada minuto, nove mulheres foram v\u00edtimas de agress\u00e3o, em 2018.<\/p>\n<h2>Viol\u00eancia<\/h2>\n<p>De acordo com informa\u00e7\u00f5es da segunda edi\u00e7\u00e3o do estudo\u00a0<em>Vis\u00edvel e Invis\u00edvel \u2013 A Vitimiza\u00e7\u00e3o de Mulheres no Brasil<\/em>\u00a0e do\u00a0<em>12\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/em>, em 2017, a cada nove minutos, uma mulher sofreu estupro. Al\u00e9m disso, diariamente, 606 casos de les\u00e3o corporal dolosa \u2013 quando \u00e9 cometida intencionalmente \u2013 enquadraram-se na Lei Maria da Penha (Lei n\u00ba 11.340\/2006).<\/p>\n<p>O elevado n\u00famero de estupros envolve um outro crime multiplicado na sociedade brasileira: o ass\u00e9dio sexual. Dados de 2015 da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Think Olga, as brasileiras s\u00e3o sexualmente assediadas, pela primeira vez, aos 9,7 anos de idade, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Em 2013, a pesquisa Percep\u00e7\u00e3o da Sociedade sobre Viol\u00eancia e Assassinatos de Mulheres, elaborada pelo Data Popular Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, revelou que quase metade dos homens (43%) acreditava que as agress\u00f5es f\u00edsicas contra uma mulher decorrem de provoca\u00e7\u00f5es dela ao ofensor. A propor\u00e7\u00e3o foi menor entre as mulheres: 27%.<\/p>\n<p>De janeiro de 2014 a outubro de 2015, informou a ONG Think Olga, as buscas por palavras como &#8220;feminismo&#8221; e &#8220;empoderamento feminino&#8221; cresceram 86,7% e 354,5%, respectivamente.<\/p>\n<h2>Mercado de trabalho<\/h2>\n<p>A aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a econ\u00f4mica tamb\u00e9m garante a ader\u00eancia de muitas mulheres \u00e0s passeatas. De acordo com documento divulgado ontem (7), pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), a diferen\u00e7a est\u00e1 presente nos contracheques. A entidade apontou que as mulheres ganham, em m\u00e9dia, sal\u00e1rio 20% menor que o dos homens.<\/p>\n<p>O Banco Mundial estimou que a desigualdade de g\u00eanero estendida ao ambiente profissional custa ao mundo US$ 160 trilh\u00f5es. A quantia est\u00e1 relacionada \u00e0 significativa participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho, pois as mulheres representam, no m\u00ednimo, 40% da for\u00e7a laborativa em 80 pa\u00edses, de acordo com o Pew Research Center.<\/p>\n<h2>Dupla jornada<\/h2>\n<p>No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), h\u00e1 mais mulheres entre os trabalhadores com ocupa\u00e7\u00f5es por tempo parcial (at\u00e9 30 horas semanais) do que homens. Elas s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pelo cuidado de pessoas e afazeres dom\u00e9sticos, perfazendo, por semana, tr\u00eas horas a mais de trabalho do que os homens. A disparidade salarial chega a ser de 23,5% no pa\u00eds, outro desafio a ser enfrentado.<\/p>\n<p>Para a terapeuta de ThetaHealing Rosana Almeida, deve-se ter cuidado com idealiza\u00e7\u00f5es do que \u00e9 ser mulher, sobretudo quando restringem as ambi\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o feminina ou enaltecem a imagem da mulher que tudo resolve, porque refor\u00e7am estere\u00f3tipos de g\u00eanero.<\/p>\n<p>&#8220;[Isso] \u00e9 algo imposto a imagem da mulher maravilha, da guerreira: &#8216;Guerreira, voc\u00ea sustenta a casa. Guerreira, voc\u00ea cria seu filho sozinha.&#8217; Isso \u00e9 uma coisa que fica imposta, uma press\u00e3o que t\u00e1 aqui ativa, de que voc\u00ea vai ter que lidar sozinha, lutar o tempo inteiro\u201d, disse. &#8220;N\u00e3o que esse processo de conquista seja uma coisa ruim, mas a luta em si o tempo inteiro, essa sobrecarga vai nos deslocando do principal, que \u00e9 ser mulher\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Rosana Almeida, as mulheres, em geral, t\u00eam questionado os pap\u00e9is que foram historicamente associados a elas. Assim como os homens, que, na sua opini\u00e3o, t\u00eam se mostrado mais propensos a viver de outras formas. &#8220;Isso \u00e9 uma mudan\u00e7a. H\u00e1 muita coisa ainda imposta, registrada como sendo papel a ser feito. Cada vez mais, as mulheres est\u00e3o querendo romper com isso ou adoecem, e \u00e9 inevit\u00e1vel querer mudar.&#8221;<\/p>\n<h2>Conscientiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Por interm\u00e9dio de palestras, oficinas e reuni\u00f5es programadas, as participantes da mobiliza\u00e7\u00e3o Marcha Mundial das Mulheres promover\u00e3o ao longo do dia e tamb\u00e9m durante o ano eventos para discuss\u00e3o. Debate incentivado pelo feminismo asi\u00e1tico p\u00f5e em pauta a busca pela compreens\u00e3o sobre mulheres racializadas.<\/p>\n<p>Como esclarecem Caroline Ricca Lee, Gabriela Akemi Shimabuko e La\u00eds Miwa Higa, no livro\u00a0<em>Explos\u00e3o Feminista<\/em>, em um cap\u00edtulo dedicado ao tema, a vertente asi\u00e1tica do feminismo tem, entre suas pautas, a quebra da tradi\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio, t\u00e3o disseminada nas culturas asi\u00e1ticas e que contribui para a omiss\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 obter mais reconhecimento de identidades constitu\u00eddas a partir de processos diasp\u00f3ricos e dar mais visibilidade a trajet\u00f3rias que t\u00eam como contexto a guerra ou a coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Compreender a pr\u00f3pria linhagem feminina e o que simboliza essa sucess\u00e3o pode ser uma experi\u00eancia rica, na avalia\u00e7\u00e3o da terapeuta Kakal Alc\u00e2ntara, idealizadora do m\u00e9todo Ciranda Sist\u00eamica, que incorpora princ\u00edpios da constela\u00e7\u00e3o familiar. Ao tratar de quest\u00f5es como o patriarcado, por exemplo, a terapeuta explica que algumas participantes dividem a hist\u00f3ria de suas ascendentes, o que \u00e9, muitas vezes, libertador.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito interessante perceber como as mulheres t\u00eam tido essa, eu at\u00e9 uso essa palavra \u2018ousadia\u2019 de olhar l\u00e1 para atr\u00e1s e salvar as m\u00e3es, os relacionamentos das m\u00e3es, as vidas financeiras das m\u00e3es, entendendo, de um lugar muito profundo, o tamanho e o lugar de filha\u201d, ressaltou Kakal Alc\u00e2ntara. \u201cQuando elas se percebem nesse lugar, que podem receber e n\u00e3o se sentir endividadas, \u00e9 como se elas fossem liberadas de poder viver todo o prazer do feminino.&#8221;<\/p>\n<p>A terapeuta ressaltou que os processos de conhecimento s\u00e3o distintos. &#8220;As alian\u00e7as passam a acontecer n\u00e3o s\u00f3 pela dor, mas, desta vez, pelo pleno exerc\u00edcio de poder escolher fazer diferente e ainda ser aben\u00e7oada pela ancestralidade, pra poder atuar de um modo diferente.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pelo menos 45 cidades brasileiras, incluindo 17 capitais, protestos marcam esta sexta-feira, 8, o Dia Internacional da Mulher. 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