{"id":132851,"date":"2019-02-02T10:28:13","date_gmt":"2019-02-02T12:28:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=132851"},"modified":"2019-02-02T10:28:13","modified_gmt":"2019-02-02T12:28:13","slug":"lanternas-informacao-e-abracos-o-trabalho-de-voluntarios-em-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=132851","title":{"rendered":"Lanternas, informa\u00e7\u00e3o e abra\u00e7os: o trabalho de volunt\u00e1rios em Minas"},"content":{"rendered":"<p>Ainda n\u00e3o se tinha no\u00e7\u00e3o clara do tamanho dos estragos da trag\u00e9dia de Brumadinho (MG) quando Rafaella Cervantes chegou no munic\u00edpio mineiro no \u00faltimo dia 25 de janeiro. Horas antes, uma avalanche de lama havia vazado ap\u00f3s o rompimento da barragem da Vale na Mina do Feij\u00e3o. Diante das primeiras not\u00edcias, Rafaella e alguns amigos se voluntariaram, recolheram donativos, encheram seus carros e partiram em comboio. O que\u00a0presenciou, ela afirma, ficar\u00e1 marcado para sempre em sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;Vi rodas de um tamanho que nunca havia visto jogadas no meio da lama, vi vag\u00f5es de trem amassados como se fossem bolinhas de papel&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Figurinista e diretora de arte, Rafaella fez o trajeto\u00a0 Belo Horizonte -Brumadinho por seis dias seguidos. A dist\u00e2ncia entre os dois munic\u00edpios \u00e9 de 60 quil\u00f4metros. Na maior parte dos dias, por\u00e9m, seu destino foi Casa Branca, um povoado rural pertencente a Brumadinho e localizado a 35 quil\u00f4metros da capital mineira.<\/p>\n<p>Famoso por atrair turistas em busca de cachoeiras e de outras atra\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, Casa Branca se fixou como um ponto de apoio \u00e0 trag\u00e9dia. Pousadas locais receberam desabrigados e a Escola Municipal Carmela Caruso Aluoto se tornou um ponto para recebimento de donativos. &#8220;Na ter\u00e7a-feira, havia l\u00e1 21 crian\u00e7as que precisavam de material de recrea\u00e7\u00e3o. Na quarta-feira, aumentou para 54. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 levar roupa, \u00e1gua e comida&#8221;, destaca Rafaella.<\/p>\n<p>A figurinista divulgou nas redes sociais que receberia donativos, mas muitos entraram em contato querendo doar dinheiro. Embora n\u00e3o fosse o objetivo inicial, ela acabou aceitando. Para as crian\u00e7as, ela comprou bolas, petecas, caixas de giz de cera, jogos de dama, pacotes de papel e cartolinas.<\/p>\n<p>As demandas, entretanto, eram bem mais amplas. Os brigadistas, bombeiros civis e at\u00e9 mesmo militares precisavam de equipamentos. &#8220;N\u00e3o conseguimos comprar bin\u00f3culos, cada um girava em torno de R$300. Mas compramos 12 mon\u00f3culos que custaram R$70. E tamb\u00e9m dez\u00a0lanternas de cabe\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Um tenente do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais disse a ela que faltavam pilhas para GPS e lanternas. &#8220;Demandas espec\u00edficas eu entregava na m\u00e3o de quem me pedia. N\u00e3o fa\u00e7o ideia de quantas pilhas compramos. \u00c9 gratificante poder entregar algo simples e ver como faz diferen\u00e7a&#8221;, diz a volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>Rafaella conta que, muitas vezes, as necessidades dos brigadistas e dos bombeiros iam\u00a0al\u00e9m do material. &#8220;Eles s\u00e3o pessoas que precisam colocar as coisas para fora. Eu conversei muito com eles. Voc\u00ea nota que, \u00e0s vezes, o olhar muda totalmente. \u00c9 um lugar onde\u00a0eu vi como um abra\u00e7o \u00e9 muito importante.&#8221;<\/p>\n<h2>Falta de informa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>De acordo com a empres\u00e1ria D\u00e9bora Farias, outra volunt\u00e1ria que deixou Belo Horizonte rumo a Brumadinho, muitos atingidos sentiam falta de informa\u00e7\u00e3o. &#8220;As pessoas estavam querendo saber se podiam voltar para suas casas, mas n\u00e3o tinham informa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma a empres\u00e1ria que ajudou uma fam\u00edlia alojada em Casa Branca a entrar em contato com os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>D\u00e9bora integra a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria internacional Arte de Viver, fundada na d\u00e9cada de 1980 na \u00cdndia e atualmente presente em cerca de 160 pa\u00edses. Entre as a\u00e7\u00f5es que a entidade desenvolve, est\u00e3o aulas de ioga, de medita\u00e7\u00e3o e de t\u00e9cnicas de respira\u00e7\u00e3o em projetos sociais em pres\u00eddios, escolas p\u00fablicas e em cat\u00e1strofes.<\/p>\n<h2>Direito dos animais<\/h2>\n<p>A figurinista e diretora de arte Rafaella Cervantes afirma que costuma se mobilizar em a\u00e7\u00f5es de defesa aos direitos dos animais, mesmo n\u00e3o sendo integrante de nenhuma organiza\u00e7\u00e3o. Em novembro de 2015, logo ap\u00f3s a trag\u00e9dia de Mariana (MG), ela se mobilizou em busca de donativos &#8211; principalmente, ra\u00e7\u00e3o &#8211; j\u00e1 que nas comunidades afetadas as fam\u00edlias criavam diversos animais.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas pet shops me doaram ra\u00e7\u00e3o para cachorro, para gato. Depois eu soube que estavam precisando de milho e ra\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas. Eu liguei para uma empresa que fica em Santa Luzia, na regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, e pedi uns cinco sacos. Eles me retornaram depois dizendo que decidiram doar 17 toneladas. Quase desmaiei&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Em Brumadinho, ela afirma que n\u00e3o demorou a perceber que teria poucos animais para ajudar e que o desafio se concentraria no apoio \u00e0s pessoas que perderam parentes ou amigos. Ainda assim, ela relata momentos que lhe marcaram.<\/p>\n<p>&#8220;No domingo, foi resgatado um sapinho. E um sapinho te revigora de um jeito que eu n\u00e3o conseguia imaginar. A felicidade de saber que um ser daquele tamanho sobreviveu a essa trag\u00e9dia. E na quarta, tivemos not\u00edcias de que encontraram pegadas de uma on\u00e7a na lama, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mata&#8221;.<\/p>\n<h2>Esconder a emo\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s seis dias de trabalho volunt\u00e1rio, Rafaella parou de ir a Brumadinho na \u00faltima quinta-feira, 31. Ela afirma que mant\u00e9m contato com outros volunt\u00e1rios e que pretende voltar na pr\u00f3xima semana.<\/p>\n<p>&#8220;A gente precisava esconder a emo\u00e7\u00e3o, porque os parentes das pessoas desaparecidas est\u00e3o ali e eles veem voc\u00ea como um ponto de apoio. Mas a\u00ed, um dia, voltando para Belo Horizonte, quando estava no carro somente eu e meu cunhado, n\u00f3s choramos muito&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Ela conta que pensou em ficar em casa na quarta-feira, 30, mas acabou n\u00e3o conseguindo. &#8220;As pessoas come\u00e7am a te passar demanda \u00e0s 7h da manh\u00e3. Como voc\u00ea n\u00e3o vai?&#8221;.<\/p>\n<p>A volunt\u00e1ria disse que foi at\u00e9 uma \u00e1rea pr\u00f3xima ao local do rompimento para levar uma jornalista e um cinegrafista e afirma que a magnitude da \u00e1rea tomada pela lama a impressionou.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito diferente de ver na TV. Provavelmente tem gente que nunca vai ser encontrada. Me falaram que h\u00e1 lugares com 18 metros de lama&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda n\u00e3o se tinha no\u00e7\u00e3o clara do tamanho dos estragos da trag\u00e9dia de Brumadinho (MG) quando Rafaella Cervantes chegou no munic\u00edpio mineiro no \u00faltimo dia 25 de janeiro. Horas antes, uma avalanche de lama havia vazado ap\u00f3s o rompimento da barragem da Vale na Mina do Feij\u00e3o. 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