{"id":131501,"date":"2019-01-19T14:22:33","date_gmt":"2019-01-19T16:22:33","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=131501"},"modified":"2019-01-19T14:22:33","modified_gmt":"2019-01-19T16:22:33","slug":"relatorio-mostra-desigualdade-no-mercado-de-trabalho-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=131501","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio mostra desigualdade no mercado de trabalho na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>No mercado de trabalho em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, a diferen\u00e7a entre homens e mulheres persiste e, em alguns casos, aumentou nos \u00faltimos anos. Esta \u00e9 uma das conclus\u00f5es do\u00a0relat\u00f3rio\u00a0Panorama Social de Am\u00e9rica Latina 2018, elaborado pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) e divulgado nesta semana.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, em 2016 a taxa de desemprego urbano era de 10,4% entre mulheres e de 7,6% entre homens. No mesmo ano, 48,7% das mulheres recebiam remunera\u00e7\u00f5es abaixo do sal\u00e1rio m\u00ednimo, \u00edndice que cai para 36,7% entre os homens. Na distribui\u00e7\u00e3o por faixa et\u00e1ria, a diferen\u00e7a se mant\u00e9m, alcan\u00e7ando o m\u00e1ximo nas trabalhadoras com idade entre 45 e 64 anos, parcela onde a diferen\u00e7a chegou a 16 pontos.<\/p>\n<p>No mesmo ano, em m\u00e9dia, 26,9% das mulheres ocupadas estavam em situa\u00e7\u00e3o classificada pelo estudo como \u201csubemprego\u201d (em raz\u00e3o dos valores abaixo da linha da pobreza e com jornadas extensas), contra 19% dos homens na mesma condi\u00e7\u00e3o. A m\u00e9dia geral foi de 21,5%. Na evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica desde 2002, os \u00edndices ca\u00edram para os dois g\u00eaneros, embora em ritmo maior no caso dos homens, \u201craz\u00e3o pela qual aumentou a brecha de g\u00eanero\u201d, destaca o documento.<\/p>\n<p>Considerando os trabalhadores que contribuem para a Previd\u00eancia, houve uma invers\u00e3o entre 2002 e 2016. Enquanto na primeira data a m\u00e9dia dessa condi\u00e7\u00e3o era maior entre mulheres (37,7%) do que entre homens (36,4%), na segunda essa preval\u00eancia mudou com \u00edndice maior no p\u00fablico masculino (46,5%) do que no feminino (45,5%).<\/p>\n<p><strong>\u201cNem nem\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A maior diferen\u00e7a de g\u00eanero no mercado de trabalho identificada pela pesquisa da Cepal est\u00e1 naquelas mulheres jovens fora dele: as que n\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o ocupadas nem estudam, denominadas \u201cnem nem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEnfatizamos o tema da juventude, porque \u00e9 a por\u00e7\u00e3o et\u00e1ria que est\u00e1 enfrentando as maiores dificuldades de inser\u00e7\u00e3o laboral e, sobretudo, as mulheres\u201d, afirmou a secret\u00e1ria executiva da Cepal, Alicia B\u00e1rcena.<\/p>\n<p>As jovens que n\u00e3o estudavam nem trabalhavam em 2016 correspondiam a 31,2% nos pa\u00edses pesquisados da regi\u00e3o. J\u00e1 quando a an\u00e1lise se voltou aos homens jovens, esse \u00edndice caiu quase tr\u00eas vezes, ficando em 11,5%. Embora nos \u00faltimos 15 anos a queda nas taxas dessa condi\u00e7\u00e3o tenha sido maior entre as mulheres, a diferen\u00e7a continua representativa.<\/p>\n<p>Entre os fatores para esse quadro, a Cepal citou a aus\u00eancia de pol\u00edticas e sistemas de cuidado, a manuten\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o sexual do trabalho nas fam\u00edlias, a gravidez na adolesc\u00eancia e a alta carga de trabalho dom\u00e9stico e de cuidado, ambos n\u00e3o remunerados.<\/p>\n<p>\u201cEm particular a distribui\u00e7\u00e3o desigual do trabalho n\u00e3o remunerado e de cuidado entre homens e mulheres, o n\u00e3o reconhecimento de seu valor econ\u00f4mico e das barreiras que isso imp\u00f5e a uma plena integra\u00e7\u00e3o das mulheres ao mercado de trabalho e, portanto, \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de autonomia econ\u00f4mica, reproduzem as desigualdades de g\u00eanero ao largo do ciclo de vida\u201d, analisam os autores do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Causas e impactos<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a oficial de G\u00eanero e Ra\u00e7a do Escrit\u00f3rio do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil e pesquisadora em g\u00eanero, Ism\u00e1lia Afonso, para entender o fen\u00f4meno \u00e9 preciso analisar o hist\u00f3rico dessas mulheres. No Brasil, o perfil mais comum \u00e9 de jovens negras de periferia, evidenciando uma inter-rela\u00e7\u00e3o entre g\u00eanero, ra\u00e7a e classe. Mas outros fatores devem ser considerados, como a viol\u00eancia presente nas hist\u00f3rias de vida e nos ambientes onde essas pessoas est\u00e3o inseridas.<\/p>\n<p>\u201cIsso vem sendo forjado ao longo de anos, elas s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica parental e indireta, dos pais contra as m\u00e3es. E isso ajuda que elas tenham mais dificuldade de se manter na escola. O ambiente p\u00fablico, a cidade mais violenta, concorre para que pessoas que morem em territ\u00f3rios mais violentos [se mantenham], porque \u00e9 muito dif\u00edcil sair de casa para estudar de forma est\u00e1vel se a escola \u00e9 violenta, se o trajeto \u00e9 violento\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Outro elemento que contribui, acrescenta Afonso, \u00e9 a sobrecarga de trabalho dom\u00e9stico. E a\u00ed n\u00e3o somente dos filhos, mas tamb\u00e9m de familiares e dos pr\u00f3prios companheiros ou companheiras. Assim, a explica\u00e7\u00e3o que busca sugerir como causa central da sa\u00edda da escola e da dificuldade de empregabilidade a gravidez da adolesc\u00eancia deveria ser observado com mais cuidado. Muitas vezes, a jovem j\u00e1 deixou a educa\u00e7\u00e3o formal antes, ou vivencia o casamento ou a gesta\u00e7\u00e3o como formas de socializa\u00e7\u00e3o em condutas mais pr\u00f3ximas do mundo adulto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ver o fen\u00f4meno em suas m\u00faltiplas causas, a oficial do Pnud defende que esse cen\u00e1rio deve merecer resposta do Poder P\u00fablico porque afeta n\u00e3o somente o presente com o futuro dessas jovens. \u201cSem contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, j\u00e1 que n\u00e3o trabalham, h\u00e1 uma s\u00e9rie de direitos que n\u00e3o ser\u00e3o garantidos a elas (licen\u00e7as, aposentadoria). Dessa maneira, \u00e9 poss\u00edvel esperar que avancem para a idade adulta e a velhice ainda mais empobrecidas\u201d, completa.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mercado de trabalho em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, a diferen\u00e7a entre homens e mulheres persiste e, em alguns casos, aumentou nos \u00faltimos anos. Esta \u00e9 uma das conclus\u00f5es do\u00a0relat\u00f3rio\u00a0Panorama Social de Am\u00e9rica Latina 2018, elaborado pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) e divulgado nesta semana. 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