{"id":128339,"date":"2018-12-16T06:00:02","date_gmt":"2018-12-16T08:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=128339"},"modified":"2018-12-14T01:36:04","modified_gmt":"2018-12-14T03:36:04","slug":"numero-de-registros-de-ocorrencias-de-violencia-contra-a-mulher-ainda-e-grande-em-juiz-de-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=128339","title":{"rendered":"N\u00famero de registros de ocorr\u00eancias de viol\u00eancia contra a mulher ainda \u00e9 grande em Juiz de Fora"},"content":{"rendered":"<p>Um dos principais problemas sociais do Brasil ainda \u00e9 a viol\u00eancia contra a mulher, sendo considerada tamb\u00e9m uma forma grave de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, atingindo os direitos femininos \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 integridade f\u00edsica. De acordo com o site Rel\u00f3gios da Viol\u00eancia, do Instituto Maria da Penha, a cada 2 segundos uma mulher \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia f\u00edsica ou verbal no pa\u00eds.J\u00e1 segundo o Atlas da Viol\u00eancia 2018, divulgado pelo IPEA, entre os anos de 2006 e 2016, os assassinatos de mulheres cresceram 6,4%. Somente em 2016 foram 4.645 homic\u00eddios cujas v\u00edtimas eram do sexo feminino. A viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 entendida como um fen\u00f4meno estrutural, cuja a responsabilidade \u00e9 da sociedade como um todo.<\/p>\n<p>De acordo com o artigo 7\u00b0 da Lei n\u00b011.340\/2006 \u2013 LEI MARIA DA PENHA \u2013 s\u00e3o consideradas formas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, entre outras, a viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral. Conforme consta no C\u00f3digo Penal Brasileiro, a viol\u00eancia sexual pode ser realizada de diversas formas: por meio f\u00edsico, psicol\u00f3gico ou amea\u00e7a, resultando nos delitos de estupro e o ato obsceno, por exemplo. De acordo com dados divulgados pela Pol\u00edcia Civil de Minas Gerais, em an\u00e1lise de janeiro a outubro deste ano,entre as maiores cidades de Minas Gerais, com exce\u00e7\u00e3o da capital Belo Horizonte, Juiz de Fora \u00e9 uma das que mais registrou viol\u00eancias contra a mulher em 2018. Esse n\u00famero chega a superar o de Uberl\u00e2ndia, segunda maior cidade do estado com cerca de 604 mil habitantes, segundo o IGBE, enquanto tem aproximadamente 516 mil habitantes.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o levantamento, os agressores s\u00e3o c\u00f4njuges, ex-c\u00f4njuges, irm\u00e3os, namorados, pais, filhos\/enteados, respons\u00e1veis legais, relacionamentosextra-conjugais,av\u00f4s\/bisav\u00f4s, netos\/bisnetos e pessoas da fam\u00edlia das v\u00edtimas. \u00c2ngela Fellet, delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento \u00e0 Mulher (DEAM), explica que os crimes de viol\u00eancia dom\u00e9stica s\u00e3o de dif\u00edcil preven\u00e7\u00e3o. \u201cNo geral acontecem no interior das resid\u00eancias. O que a gente faz s\u00e3o campanhas, tem o nosso legislativo que pode endurecer as leis para que haja inibi\u00e7\u00e3o. Com a preven\u00e7\u00e3o com policiamento \u00e9 muito pequena a possibilidade de evitar que esses crimes aconte\u00e7am, podemos depois investigar para pegar uma pena ou senten\u00e7a, por exemplo\u201d, disse. Segundo a delegada, nos \u00faltimos anos vem sendo realizado em Juiz de Fora um combate muito forte \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica. Ela acredita que esse n\u00famero est\u00e1 relacionado com o fato de que as mulheres est\u00e3o tendo mais coragem para denunciar os casos de viol\u00eancia. \u201cA gente sabe disso porque elas chegam aqui e relatam seus casos e dizem n\u00e3o ser a primeira vez. Algumas j\u00e1 sofrem com isso h\u00e1 anos e s\u00f3 agora tiveram coragem de denunciar. Tamb\u00e9m t\u00eam muitas outras que dizem que foi a primeira vez que foram v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e logo fazem den\u00fancia. Percebemos que h\u00e1 mais coragem, seja porque passaram muitos anos e n\u00e3o aguentam mais, seja porque est\u00e1 sendo divulgado que est\u00e1 dando problema para os agressores e elas v\u00eam at\u00e9 aqui para denunciar\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Somadas todos os tipos de viol\u00eancia, Juiz de Fora teve 4.304 registros durante o per\u00edodo analisado segundo balan\u00e7o da PCMG. O maior n\u00famero \u00e9 o de viol\u00eancia psicol\u00f3gica, que soma 1.838 casos registrados. Em an\u00e1lise baseada na rela\u00e7\u00e3o entre v\u00edtima e autor, o maior n\u00famero foi do registro de viol\u00eancia contra a mulher praticado por ex-conjuge\/ex-companheiro. No total, foram 1.429 ocorr\u00eancias no munic\u00edpio. A delegada explica que o ciclo da viol\u00eancia dom\u00e9stica come\u00e7a com a psicol\u00f3gica, podendo resultar na viol\u00eancia f\u00edsica.\u201cS\u00e3o v\u00e1rios exemplos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica que podem at\u00e9 n\u00e3o configurar crime, mas d\u00e1 o direito da mulher de solicitar as medidas protetivas de urg\u00eancia que ela tem direito\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para reverter esse quadro \u00c2ngela acredita que faltam pol\u00edticas p\u00fablicas, acompanhadas de uma integra\u00e7\u00e3o maior entre os \u201cpoderes\u201d e uma legisla\u00e7\u00e3o mais \u201cdura\u201d em todo o pa\u00eds.\u201cAqui em Juiz de Fora, especificamente, precisamos de mais policiais para que possamos atender com mais celeridade as v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, mais campanhas.Termos tamb\u00e9m uma multidisciplinaridade, uma equipe n\u00e3o s\u00f3 de policiais, mas tamb\u00e9m de psic\u00f3logos, assistentes sociais, conselho tutelarpara casos que envolvem menores. Precisamos tamb\u00e9m de uma integra\u00e7\u00e3o maior entre a Pol\u00edcia Militar com a Pol\u00edcia Civil\u201d, comenta.<\/p>\n<p>A delegada \u00c2ngela Fellet explica que os crimes que t\u00eam viol\u00eancia f\u00edsica e\/ou sexual podem ser denunciados por outras pessoas. \u201cAs pessoas podem intervir, podem denunciar porque estes s\u00e3o crimes de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada. Outros crimes como amea\u00e7a, cal\u00fania, injuria ou difama\u00e7\u00e3o s\u00e3o crimes que dependem da manifesta\u00e7\u00e3o da vontade da v\u00edtima para que sejam apurados\u201d, disse. A delegada ressalta que a mulher v\u00edtima de viol\u00eancia pode ligar para a Pol\u00edcia Militar ou procurar a Casa da Mulher, onde funciona a Delegacia Especializada da Mulher, para registrar o boletim de ocorr\u00eancia e pedir as provid\u00eancias.<\/p>\n<p>A \u201cCasa da Mulher\u201d, da Secretaria de Governo (SG), da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), completou em 2018, cinco anos. A \u201cCasa\u201d j\u00e1 contabilizou 12 mil atendimentos, desde sua cria\u00e7\u00e3o. Somente em 2018, at\u00e9 abril, foram 783 registros.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise geral dos dados da PCMG, foram registrados em Minas Gerais 11.288 casos de viol\u00eancia contra a mulher de janeiro a outubro, sendo o \u00faltimo m\u00eas analisado com maior n\u00famero de ocorr\u00eancia deste tipo, com 1.224.<\/p>\n<p>Confira a tabela:<\/p>\n<p><strong>Tabela 1 &#8211; Quantitativo de registros de v\u00edtimas de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra Mulher, por tipo de viol\u00eancia e munic\u00edpio.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-128340 aligncenter\" src=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/z-300x230.png\" alt=\"\" width=\"573\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/z-300x230.png 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/z-768x588.png 768w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/z-360x275.png 360w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/z.png 1009w\" sizes=\"auto, (max-width: 573px) 100vw, 573px\" \/><\/p>\n<p><strong>Tabela 2 &#8211; Quantitativo de registros de v\u00edtimas de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra Mulher, por rela\u00e7\u00e3o v\u00edtima\/autor e munic\u00edpio.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-128341 aligncenter\" src=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/zz-300x290.png\" alt=\"\" width=\"588\" height=\"568\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/zz-300x290.png 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/zz-768x742.png 768w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/zz-360x348.png 360w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/zz.png 815w\" sizes=\"auto, (max-width: 588px) 100vw, 588px\" \/><\/p>\n<p>O CICLO DA VIOL\u00caNCIA<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-128342 aligncenter\" src=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/x-300x178.png\" alt=\"\" width=\"582\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/x-300x178.png 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/x-768x455.png 768w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/x-1024x607.png 1024w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/x-360x213.png 360w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/x.png 1385w\" sizes=\"auto, (max-width: 582px) 100vw, 582px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-128343 aligncenter\" src=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xx-300x182.png\" alt=\"\" width=\"588\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xx-300x182.png 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xx-360x218.png 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 588px) 100vw, 588px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-128344 aligncenter\" src=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xxx-300x163.png\" alt=\"\" width=\"615\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xxx-300x163.png 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xxx-768x417.png 768w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xxx-1024x555.png 1024w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xxx-360x195.png 360w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/xxx.png 1453w\" sizes=\"auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><\/p>\n<p>Fonte: Instituto Maria da Penha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos principais problemas sociais do Brasil ainda \u00e9 a viol\u00eancia contra a mulher, sendo considerada tamb\u00e9m uma forma grave de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, atingindo os direitos femininos \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 integridade f\u00edsica. 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