{"id":125982,"date":"2018-11-20T06:00:05","date_gmt":"2018-11-20T08:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=125982"},"modified":"2018-11-19T21:33:47","modified_gmt":"2018-11-19T23:33:47","slug":"dia-nacional-da-consciencia-negra-racismo-ainda-e-realidade-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=125982","title":{"rendered":"Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra: racismo ainda \u00e9 realidade no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, o dia 20 de novembro \u00e9 marcado como o Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra. A data, que \u00e9 celebrada h\u00e1 mais de 40 anos por ativistas do movimento negro, faz refer\u00eancia \u00e0 morte de Zumbi dos Palmares, l\u00edder do Quilombo dos Palmares que representou a luta do negro contra a escravid\u00e3o, no per\u00edodo do Brasil Colonial. Em 2003, foi inclu\u00edda no calend\u00e1rio escolar. O Dia da Consci\u00eancia Negra come\u00e7ou a ser discutido no governo Lula, no entanto foi somente no governo de Dilma Rousseff e atrav\u00e9s da Lei n\u00ba 12.519 de 10 de novembro de 2011, que essa data foi oficializada.<\/p>\n<p>Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio Cont\u00ednua, Pnad, entre 2016 e 2017, o n\u00famero de brasileiros que se declararam negros subiu 6%. A alta foi de 1%, totalizando 96,9 milh\u00f5es.O aumento vem sendo observado desde 2015, quando os brancos deixaram de ser maioria no Brasil. Esse mesmo dado comparado com o in\u00edcio da realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa em 2012, os autodeclarados pretos cresceram 21,8%. J\u00e1 o total de pardos aumentou 7,7%, e o de brancos caiu 2,4%. O dia 20 de novembro serve como um momento de conscientiza\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da cultura e do povo africano na forma\u00e7\u00e3o da cultura nacional. A data enfatiza as pautas que s\u00e3o discutidas durante todo o ano pelos movimentos negros, sendo uma delas o racismo.De acordo com dados doInstituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), atualmente o \u00edndice de brasileiros considerados negros e pardos somam quase 55% da popula\u00e7\u00e3o. Mesmo negros representando a maioria, o racismo continua sendo uma realidade no pa\u00eds. Martvs Chagas, soci\u00f3logo e coordenador do Movimento Converg\u00eancia Negra, acredita que o pa\u00eds ainda n\u00e3o tem consci\u00eancia da import\u00e2ncia do povo negro. \u201c\u00c9 um momento muito delicado da sociedade brasileira, onde vemos a ascens\u00e3o de grupos que condenam as pol\u00edticas p\u00fablicas que foram implementadas nos \u00faltimos anos, como pol\u00edticas de cotas, pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativas, e a condena\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas far\u00e3o com que esses 130 anos de aboli\u00e7\u00e3o inacabada possam continuar por muitos e muitos anos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os dados de cor ou ra\u00e7a apresentados pelo IBGE mostram que o Brasil ainda est\u00e1 longe de se tornar uma democracia racial. Em m\u00e9dia, pessoas brancas t\u00eam os maiores sal\u00e1rios, sofrem menos com o desemprego e s\u00e3o maioria entre aqueles que frequentam o ensino superior, por exemplo. J\u00e1 nas an\u00e1lises dos indicadores socioecon\u00f4micos da popula\u00e7\u00e3o preta e parda, assim como os dos ind\u00edgenas, costumam ser bem mais desvantajosos.\u201cOBrasil sempre renegou sua condi\u00e7\u00e3o escravocrata, mesmo sendo o \u00faltimo pa\u00eds a abolir a escravid\u00e3o. Muito disso se deve a teoria da democracia racial, sempre tivemos essa ideia de que no Brasil as pessoas n\u00e3o tinham nenhum problema contra a ra\u00e7a e cor do outro, mas isso dito pelos brancos, por aqueles que escreviam hist\u00f3ria e desenhavam a sociedade. A parte negra dessa hist\u00f3ria, o que se viu e se v\u00ea at\u00e9 hoje, \u00e9 uma enorme discrimina\u00e7\u00e3o, falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, falta de acesso \u00e0 cultura, ao mercado de trabalho e ao sistema de sa\u00fade. E isso quem diz n\u00e3o sou eu, basta verificar todos os n\u00fameros do Brasil que apontam a popula\u00e7\u00e3o negra nos mais baixos estratos da sociedade\u201d, completa.<\/p>\n<p>Diego Augusto Ventura, estudante de Economia, conta que j\u00e1 passou por situa\u00e7\u00f5es em que foi v\u00edtima de racismo. \u201cEu j\u00e1 estudei em col\u00e9gios em que eu notava diferen\u00e7a de tratamento, mas eu dava a volta por cima. Vivi uma situa\u00e7\u00e3o em um estabelecimento onde algu\u00e9m me pediu informa\u00e7\u00e3o e eu disse que n\u00e3o era funcion\u00e1rio do local e a pessoa que perguntou ficou indignada ao ver que eu tamb\u00e9m era cliente. Eu n\u00e3o deixo isso me abalar, n\u00e3o levo para a vida. Fico mais indignado quando vejo isso acontecer com algu\u00e9m pr\u00f3ximo\u201d, comenta. Ventura aponta que \u00e9 preciso discutir mais sobre racismo para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o. \u201cAtualmente ainda \u00e9 muito questionado se existe ou n\u00e3o racismo. \u00c9 preciso esclarecer o que \u00e9 o racismo, \u00e9 preciso mais informa\u00e7\u00f5es. Muitas pessoas apontam que isso \u00e9 \u2018mimimi\u2019. As pessoas precisam ter consci\u00eancia dessa pr\u00e1tica e a partir disso come\u00e7aremos a trabalhar uma forma de elimin\u00e1-lo\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Segundo os dados do Atlas da Viol\u00eancia de 2017, publicado pelo Ipea, Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada, e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, a n\u00edvel nacional, em an\u00e1lise pela cor da pele, negros e pardos (53,6% da popula\u00e7\u00e3o) correspondam a tr\u00eas de cada quatro pessoas assassinadas em 2016. Os que se declaram brancos (45,5% dos brasileiros) foram v\u00edtimas em 25% dos casos. Para o soci\u00f3logo, \u201ca grande maioria dessas mortes s\u00e3o de jovens negros e essa situa\u00e7\u00e3o, infelizmente, n\u00e3o tende a minimizar com esse discurso de \u00f3dio racial, de meritocracia, com o discurso de que essas pessoas n\u00e3o fazem porque n\u00e3o querem. Com as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es do Brasil a popula\u00e7\u00e3o negra vai ter vida muito mais dif\u00edcil do que teve nos \u00faltimos anos. Vamos passar por situa\u00e7\u00f5es em que a simples vis\u00e3o de um negro vai conden\u00e1-lo a pris\u00e3o ou a ser subalterno, pura e simplesmente por ter a cor da pele diferente da maioria branca do poder\u201d, comenta.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>DADOS<\/strong><\/p>\n<p>Em Juiz de Fora, de acordo com dados disponibilizados pela Pol\u00edcia Militar, com an\u00e1lise de janeiro a outubro de 2018, foram registrados 1.093 crimes considerados violentos. Desse total, nos registros preenchidos foram identificadas 1.434 v\u00edtimas. O dado aponta que 201 s\u00e3o negras e 443 s\u00e3o pardas.<\/p>\n<p>Chagas defende que a solu\u00e7\u00e3o para reverter essa situa\u00e7\u00e3o envolve a conscientiza\u00e7\u00e3o de toda sociedade.Para o soci\u00f3logo \u00e9 preciso que a popula\u00e7\u00e3o negra crie mecanismos de enfrentamento e resist\u00eancia di\u00e1rios ao racismo. \u201cNossos ancestrais conseguiram sobreviver atrav\u00e9s dos quilombos, atrav\u00e9s da resist\u00eancia, da irmandade, da religiosidade, atrav\u00e9s da cultura. N\u00f3s conseguimos nos manter e ser maioria da sociedade brasileira.Se conseguimos de antes at\u00e9 hoje, conseguiremos sobreviver de hoje em diante. A nossa sa\u00edda \u00e9 resist\u00eancia!\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, o dia 20 de novembro \u00e9 marcado como o Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra. 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