{"id":121063,"date":"2018-09-30T06:00:15","date_gmt":"2018-09-30T09:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=121063"},"modified":"2018-09-28T12:37:07","modified_gmt":"2018-09-28T15:37:07","slug":"o-ensino-medio-esta-falido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=121063","title":{"rendered":"O ENSINO M\u00c9DIO EST\u00c1 FALIDO"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 muito tempo o nosso ensino m\u00e9dio convive com evas\u00e3o, abandono e distor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie. O somat\u00f3rio desses tr\u00eas problemas provocou no sistema o que os especialistas consideram o \u2018maior gargalo da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica brasileira\u2019. N\u00e3o foi por falta de aviso: bem antes da aprova\u00e7\u00e3o da atual Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o, em 1996, portanto h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, j\u00e1 alert\u00e1vamos sobre a necessidade de mudan\u00e7as profundas em sua estrutura, ou ent\u00e3o estaria fadado ao fracasso. E \u00e9 isso que estamos verificando agora, com a divulga\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros referentes a 2017 do Saeb (Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica) e do Ideb (\u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica). A ponto de o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Rossieli Soares da Silva, desalentado, dar o diagn\u00f3stico fat\u00eddico: \u201cO ensino m\u00e9dio est\u00e1 falido\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os resultados da prova de 2017 do Saeb realmente s\u00e3o preocupantes: 70,5% dos alunos do ensino m\u00e9dio t\u00eam n\u00edvel insuficiente de profici\u00eancia em l\u00edngua portuguesa. Segundo a pesquisa, eles s\u00e3o incapazes de executar tarefas simples, como \u201clocalizar informa\u00e7\u00f5es em infogr\u00e1ficos, reportagens, cr\u00f4nicas e artigos\u201d, e tamb\u00e9m t\u00eam dificuldades de \u201creconhecer a rela\u00e7\u00e3o de causa e consequ\u00eancia em piadas e fragmentos de romance\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 matem\u00e1tica, a defici\u00eancia neste n\u00edvel \u00e9 ainda maior: 71,67% dos alunos n\u00e3o s\u00e3o capazes de resolver quest\u00f5es que utilizam a proporcionalidade ou problemas de contagem com uso do princ\u00edpio multiplicativo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Saindo da zona cr\u00edtica do Saeb, encontram-se outros dois patamares que medem a profici\u00eancia dos alunos. No segmento intermedi\u00e1rio (chamado de \u2018b\u00e1sico\u2019), est\u00e3o 27,5% dos estudantes em l\u00edngua portuguesa, e 23,81%, em matem\u00e1tica. J\u00e1 acima da m\u00e9dia (chamado de \u2018avan\u00e7ado\u2019), apenas 1,64%, em l\u00edngua portuguesa, e 4,52%, em matem\u00e1tica. Em termos geogr\u00e1ficos, apenas quatro das 27 redes estaduais de ensino do pa\u00eds conseguiram avan\u00e7o de aprendizagem nas duas mat\u00e9rias, nos \u00faltimos 11 anos: Esp\u00edrito Santo, Goi\u00e1s, Pernambuco e Sergipe. Isso \u00e9 pouco para um pa\u00eds que pretende atingir n\u00edveis de desenvolvimento semelhantes aos dos pa\u00edses desenvolvidos. O caminho para se chegar a este objetivo deve ser longo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os n\u00fameros do Ideb (\u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica), referentes ao ano passado, tamb\u00e9m decepcionaram. A m\u00e9dia nacional foi de 3,8 pontos (avan\u00e7o de apenas 0,1%), e nenhum estado conseguiu atingir a meta prevista (\u00edndice de 4,7). E para piorar, cinco estados \u2013 Rio de Janeiro, Bahia, Amazonas, Amap\u00e1 e Roraima \u2013 conseguiram a proeza de diminuir o resultado em rela\u00e7\u00e3o ao Ideb de 2015. O estado do Esp\u00edrito Santo apresentou o melhor desempenho no pa\u00eds, com o \u00edndice de 4,4, mas mesmo assim n\u00e3o conseguiu alcan\u00e7ar a sua meta, que era de 5,1. <\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Lembramos que o ensino m\u00e9dio \u00e9 oferecido em 28,6 mil escolas no Brasil, representando um total de 7,9 milh\u00f5es de matr\u00edculas, das quais 6,7 milh\u00f5es s\u00e3o da rede estadual (84,8%). Ou seja: o ensino m\u00e9dio \u00e9 predominantemente de responsabilidade dos governos estaduais e do Distrito Federal. J\u00e1 a rede privada, que participa com 12,2% das matr\u00edculas, obteve um desempenho 2,3 pontos superior ao obtido pela rede estadual, ou seja, Ideb igual a 5,8 contra 3,5 da rede estadual. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante desse triste quadro, o que fazer para promover as mudan\u00e7as necess\u00e1rias que levem ao ensino m\u00e9dio o grau de excel\u00eancia que ele merece? Ser\u00e1 que a aprova\u00e7\u00e3o do texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para esse segmento, no Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, vai ajudar a melhorar o desempenho dos alunos? S\u00e3o quest\u00f5es que precisam de respostas urgentes. S\u00f3 nos resta aguardar os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos desse filme, que est\u00e1 mais parecendo um drama.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito tempo o nosso ensino m\u00e9dio convive com evas\u00e3o, abandono e distor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie. 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