{"id":120115,"date":"2018-09-20T14:24:17","date_gmt":"2018-09-20T17:24:17","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=120115"},"modified":"2018-09-20T14:24:17","modified_gmt":"2018-09-20T17:24:17","slug":"arroz-e-feijao-sao-os-alimentos-mais-desperdicados-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=120115","title":{"rendered":"Arroz e feij\u00e3o s\u00e3o os alimentos mais desperdi\u00e7ados no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Base da alimenta\u00e7\u00e3o do brasileiro, o arroz e o feij\u00e3o representam 38% do montante de alimentos jogado fora no pa\u00eds. O dado faz parte da pesquisa sobre h\u00e1bitos de consumo e desperd\u00edcio de alimentos, do projeto Di\u00e1logos Setoriais Uni\u00e3o Europeia \u2013 Brasil, liderado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) com apoio da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>A pesquisa ouviu 1.764 fam\u00edlias de diferentes classes sociais e de todas as regi\u00f5es brasileiras. O ranking dos alimentos mais desperdi\u00e7ados mostra arroz (22%), carne bovina (20%), feij\u00e3o (16%) e frango (15%) com os maiores percentuais relativos ao total desperdi\u00e7ado. \u201cA grande surpresa foram as carnes aparecerem com um \u00edndice t\u00e3o alto de desperd\u00edcio, um produto de alto valor agregado, de alto valor nutricional e que \u00e9 desperdi\u00e7ado. E destaco ainda o leite, que \u00e9 o quinto grande grupo mais jogado fora\u201d, disse o\u00a0professor de marketing da Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo, da FGV, Carlos Eduardo Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>Os dados detalhados da pesquisa foram apresentados\u00a0nessa quinta-feira, 20, no\u00a0Semin\u00e1rio Internacional Perdas e Desperd\u00edcio de Alimentos em Cadeias Agroalimentares: Oportunidades para Pol\u00edticas P\u00fablicas, na sede da Embrapa, em Bras\u00edlia (DF).<\/p>\n<p>No Brasil, a m\u00e9dia de alimentos desperdi\u00e7ados por domic\u00edlio \u00e9 de 353 gramas por dia. Individualmente a m\u00e9dia \u00e9 de 114 gramas por dia.<\/p>\n<p>Entre os motivos do desperd\u00edcio apontados pelos pesquisadores est\u00e1 a busca pelo sabor e a prefer\u00eancia pela fartura dos consumidores brasileiros. O n\u00e3o aproveitamento das sobras das refei\u00e7\u00f5es \u00e9 o principal fator para o descarte de arroz e feij\u00e3o. \u201cEssa busca pelo sabor e pelo frescor do alimento acaba tendo outro impacto que \u00e9 o descarte de um excesso ou quando acontece algum evento que muda o planejamento da fam\u00edlia\u201d, disse Louren\u00e7o, explicando, entretanto que a culin\u00e1ria diversa e saborosa do brasileiro deve ser valorizada.<\/p>\n<p>Como exemplo desses eventos, o professor da FGV cita o caso pesquisado de uma pessoa que, ap\u00f3s um churrasco, acabou descartando quatro quilos de carne ou ainda o caso de quem salgou demais o feij\u00e3o durante o cozimento e acabou jogando a panela toda fora, em vez de tentar recuperar o alimento.<\/p>\n<h5>Cultura da abund\u00e2ncia<\/h5>\n<p>Os resultados mostraram que 61% das fam\u00edlias priorizam uma grande compra mensal de alimentos, al\u00e9m de duas a quatro compras menores ao longo do m\u00eas. De acordo com os pesquisadores, esse h\u00e1bito leva ao desperd\u00edcio pois aumenta a propens\u00e3o de comprar itens desnecess\u00e1rios, especialmente quando a compra farta \u00e9 combinada com o baixo planejamento das refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Algumas contradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m aparecem entre o p\u00fablico pesquisado. Enquanto 94% afirmam ser importante evitar o desperd\u00edcio de comida, 59% n\u00e3o d\u00e3o import\u00e2ncia se houver comida demais na mesa ou na despensa. A maioria das fam\u00edlias (68%) valoriza muito\u00a0ter\u00a0uma despensa e geladeira cheias de alimento. \u201cO brasileiro gosta de abund\u00e2ncia, \u00e9 muito comum na nossa cultura\u201d, disse Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>Outra descoberta relevante da pesquisa \u00e9 que 43% das pessoas concordam que \u201cos conhecidos jogam comida fora regularmente\u201d, mas quando abordado o comportamento da pr\u00f3pria fam\u00edlia o problema n\u00e3o aparece tanto. Segundo Louren\u00e7o, apesar do grande desperd\u00edcio, o brasileiro tem a percep\u00e7\u00e3o do impacto social desse comportamento e parece\u00a0ter\u00a0um esfor\u00e7o de n\u00e3o desperdi\u00e7ar. \u201cEssa consci\u00eancia aparece na pesquisa\u201d, disse.<\/p>\n<h5>Vil\u00e3o do desperd\u00edcio<\/h5>\n<p>De acordo com o professor da FGV, o motivador do desperd\u00edcio \u00e9 transversal e acontece em todas as classes sociais. \u201cN\u00e3o h\u00e1 um vil\u00e3o\u201d, ressaltou Louren\u00e7o. \u201cTalvez fosse mais f\u00e1cil se tivesse, mas \u00e9 um problema geral da nossa sociedade\u201d. Segundo ele, apenas em hortali\u00e7as o desperd\u00edcio acontece mais nas classes A e B do que nas classes C e D.<\/p>\n<p>Para o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, \u00e9 preciso atuar em todos os elos da cadeia: evitar que o produto fique no campo, com tecnologias e capacita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que aumentem a produtividade e preservem o meio ambiente; garantir que o alimento chegue \u00e0 mesa do consumidor, com a comercializa\u00e7\u00e3o in natura ou para agroind\u00fastrias; e educar as pessoas para ao consumo, para evitar o desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cUm\u00a0ter\u00e7o de toda a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola est\u00e1 sendo desperdi\u00e7ada, seja no p\u00f3s-colheita, seja em toda a cadeia de alimentos. Se combat\u00eassemos isso com efetividade, estar\u00edamos combatendo a fome e diminuindo a press\u00e3o sobre nossas florestas e nossos recursos naturais\u201d, disse.<\/p>\n<h5>Design dos alimentos<\/h5>\n<p>A pesquisa iniciou com uma fase qualitativa, na qual 62 consumidores foram entrevistados em supermercados, lojas de conveni\u00eancia e feiras livres. A coleta de dados envolveu um grupo de p\u00f3s-graduandos europeus das universidades de Bocconi (It\u00e1lia), St Gallen (Su\u00ed\u00e7a), Viena (Su\u00ed\u00e7a) e Groningen (Holanda). O objetivo foi avaliar h\u00e1bitos de compra e consumo de alimentos dos brasileiros, a partir do olhar dos europeus.<\/p>\n<p>\u201cOs estudantes europeus ficaram impressionados com a quantidade dos alimentos adquiridos pelos brasileiros, principalmente nas compras semanais\u201d, disse Louren\u00e7o, contando que os estudantes se perguntavam por que nas lojas de conveni\u00eancia, onde as compras s\u00e3o menores, os carrinhos utilizados eram enormes.<\/p>\n<p>Na\u00a0segunda\u00a0fase da pesquisa, foi utilizado um painel com mais de 600 mil consumidores brasileiros. Depois de uma triagem, foram selecionadas tr\u00eas mil pessoas de todo o pa\u00eds e, dessas, 1.764 participaram efetivamente da primeira fase quantitativa da pesquisa. Entre elas, 638 fam\u00edlias participaram tamb\u00e9m do preenchimento de um di\u00e1rio alimentar, que incluiu dados sobre quantidades desperdi\u00e7adas e fotos dos alimentos descartados.<\/p>\n<p>Nessa etapa, foi observado que o brasileiro est\u00e1 mais preocupado com sabor e apar\u00eancia dos alimentos, do que em consumir alimentos saud\u00e1veis ou pouco cal\u00f3ricos.\u00a0Para o\u00a0presidente da Embrapa, Maur\u00edcio Lopes,\u00a0na hora da compra, o brasileiro exalta mais o design dos alimentos do que seu valor nutricional. \u201cTemos uma cultura de\u00a0expor em excesso, de exaltar o visual. Quando entramos no supermercado \u00e9 \u00f3timo\u00a0ter\u00a0g\u00f4ndolas cheias de alimentos bonitos e polidos, consumimos primeiro com os olhos para depois pensar na consequ\u00eancia desse consumo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Lopes, esse problema de consumo tomou grandes dimens\u00f5es no sistema agroalimentar e faz com que a perda e o desperd\u00edcio sejam quase que necess\u00e1rio. \u201cDo ponto de vista da produ\u00e7\u00e3o, muitas vezes faz mais sentido deixar os alimentos se perderem do que viabilizar outra rota de uso para esses produtos\u201d, disse, explicando que, quando se fala em desperd\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de alimento, mas de \u00e1gua, energia e m\u00e3o de obra, al\u00e9m da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa em toda essa cadeia. \u201cOs n\u00fameros dessa pesquisa s\u00e3o nada menos que alarmantes\u201d, ressaltou.<\/p>\n<h5>Engajamento<\/h5>\n<p>Por fim, na terceira fase da pesquisa, foi realizado um levantamento de dados em blogs e redes sociais como Facebook e Twitter, com o objetivo de avaliar como o tema desperd\u00edcio de alimentos foi propagado na internet nos \u00faltimos meses. Os resultados indicaram que 75% desse assunto \u00e9 tratado por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas e h\u00e1 pouco envolvimento das pessoas nesse tema.<\/p>\n<p>Para Louren\u00e7o, \u00e9 preciso pensar em estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o para sensibilizar e engajar o p\u00fablico nessa causa. \u201cH\u00e1 um esfor\u00e7o institucional que n\u00e3o reverbera nas pessoas, elas n\u00e3o reportam, n\u00e3o fazem a viraliza\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se propaga\u201d, destaca o professor da FGV. \u201cNos surpreendeu como ainda n\u00e3o conseguimos engajar o brasileiro num assunto que \u00e9 t\u00e3o relevante\u201d.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o para o combate ao desperd\u00edcio alimentar, financiada pela Uni\u00e3o Europeia, s\u00e3o desenvolvidas com outros parceiros, como o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social (MDS) e a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental WWF-Brasil.<\/p>\n<p>Segundo o embaixador da Uni\u00e3o Europeia no Brasil, Jo\u00e3o Gomes Cravinho, o tema n\u00e3o tem audi\u00eancia nos debates p\u00fablicos como deveria\u00a0ter, mas quando a perspectiva \u00e9 de 10 bilh\u00f5es de pessoas no planeta em 2050, \u00e9 preciso pensar em formas de alimentar essas pessoas com alimentos seguros e nutritivos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que saibamos escolher pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00e3o nos obrigue a escolher entre alimentar o planeta ou salvar o planeta. A produ\u00e7\u00e3o deve se tornar cada vez mais sustent\u00e1vel e menos um peso para os nossos recursos naturais\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Base da alimenta\u00e7\u00e3o do brasileiro, o arroz e o feij\u00e3o representam 38% do montante de alimentos jogado fora no pa\u00eds. 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