{"id":115553,"date":"2018-08-17T09:47:22","date_gmt":"2018-08-17T12:47:22","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=115553"},"modified":"2018-08-17T09:47:22","modified_gmt":"2018-08-17T12:47:22","slug":"com-fim-da-hegemonia-da-tv-internet-pode-ser-decisiva-nestas-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=115553","title":{"rendered":"Com fim da hegemonia da TV, internet pode ser decisiva nestas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>As pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es podem ficar para hist\u00f3ria e registrar o fim da era da televis\u00e3o aberta como o principal meio de informa\u00e7\u00e3o dos brasileiros para acompanhar a disputa de votos por cargos p\u00fablicos. Especialistas ouvidos pela\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0t\u00eam como hip\u00f3tese a possibilidade de a internet\u00a0ter\u00a0mais peso do que nunca na decis\u00e3o, e mudar em definitivo, a maneira de se fazer campanha eleitoral no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Pesquisadores de comunica\u00e7\u00e3o e consultores eleitorais assinalam que os 147,3 milh\u00f5es de eleitores brasileiros escolher\u00e3o seus representantes sob influ\u00eancia in\u00e9dita de conte\u00fados compartilhados nas redes sociais e aplicativos de mensagens instant\u00e2neas, em especial no Facebook e no WhatsApp.<\/p>\n<p>\u201cTem se especulado que esse pleito possa vir a ser a primeira elei\u00e7\u00e3o onde a internet assuma papel protagonista\u201d, resume o soci\u00f3logo e cientista pol\u00edtico Ant\u00f4nio Lavareda, que j\u00e1 trabalhou em mais de 90 elei\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias (campanhas para presidente, governador e senador).<\/p>\n<p>Nas plataformas da internet, diferente da televis\u00e3o e do r\u00e1dio, que veiculam o hor\u00e1rio eleitoral gratuito, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 individualizada e interativa. Os conte\u00fados s\u00e3o mediados pelos usu\u00e1rios, em lugar de v\u00eddeos e pe\u00e7as sonoras veiculados para grandes audi\u00eancias &#8211; sem possibilidade de resposta ou de reencaminhamento.<\/p>\n<p>\u201cA mensagem encaminhada, que consegue penetrar em grupos, \u00e9 mais influente do que aquela que vem pela televis\u00e3o\u201d, afirma o estat\u00edstico e doutor em psicologia social, Marcos Ruben.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Gouveia, coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES), assinala que \u201ca aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais concentrada na televis\u00e3o\u201d e, nesta campanha, os usu\u00e1rios \u201cassumem papel de filtros disseminadores\u201d, repassando ou retendo mensagens \u00e0s pessoas com quem est\u00e3o conectadas.<\/p>\n<p>Christian Dunker, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), aponta que a internet \u201cviabiliza informa\u00e7\u00e3o para uma quantidade grande da popula\u00e7\u00e3o que estava exclu\u00edda do debate pol\u00edtico\u201d. Segundo ele, \u201cisso ajuda a entender as formas de tratamento, usos de imagem, estrat\u00e9gias de ret\u00f3rica intimidativa e bipolarizante [hoje\u00a0verificados] que eram menos acess\u00edveis quando t\u00ednhamos a campanha baseada na televis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2>Riscos<\/h2>\n<p>Os especialistas n\u00e3o desconsideram os riscos da pr\u00f3xima campanha eleitoral como a circula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, deforma\u00e7\u00e3o de mensagens, difama\u00e7\u00f5es generalizadas e manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio e intoler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Para o jornalista M\u00e1rio Rosa, especialista em gest\u00e3o de crises de imagem, h\u00e1 forte possibilidade que, em paralelo \u00e0 campanha positiva e com propostas no hor\u00e1rio eleitoral, haja forte campanha negativa na troca de mensagens. \u201cO disparo do WhatsApp n\u00e3o pode ser monitorado e nem auditado. Podem atacar e n\u00e3o vai se saber qual a origem dos ataques\u201d, alerta M\u00e1rio Rosa ao lembrar que \u201co objetivo da campanha eleitoral n\u00e3o \u00e9 informar, mas convencer\u201d.<\/p>\n<p>Na mesma linha, Christian Dunker n\u00e3o afasta a possibilidade, especialmente ao fim da campanha, de serem disseminados \u201cfatos pol\u00edticos que possam vampirizar candidaturas e interferir nos resultados\u201d.<\/p>\n<h2>N\u00fameros<\/h2>\n<p>O Facebook chegou a 127 milh\u00f5es de usu\u00e1rios neste ano no Brasil e o WhatsApp tinha cerca de 120 milh\u00f5es de pessoas ligadas no ano passado (20 milh\u00f5es a mais do que em 2016). Facebook e WhatsApp n\u00e3o informaram o crescimento de usu\u00e1rios que tiveram entre a elei\u00e7\u00e3o de 2014 e at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Servi\u00e7os M\u00f3vel Celular e Pessoal (SinditeleBrasil), nos \u00faltimos quatro anos, o n\u00famero de usu\u00e1rios de aparelhos celulares 3G e 4G (que permitem acesso a redes sociais) passou de 143 milh\u00f5es para 188 milh\u00f5es \u2013 diferen\u00e7a de 45 milh\u00f5es, superior \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Argentina.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/20073-pnad-continua-tic-2016-94-2-das-pessoas-que-utilizaram-a-internet-o-fizeram-para-trocar-mensagens\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar<\/a>\u00a0do IBGE contabiliza que \u201centre os usu\u00e1rios da internet com 10 anos ou mais de idade, 94,6% se conectaram via celular\u201d.<\/p>\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es podem ficar para hist\u00f3ria e registrar o fim da era da televis\u00e3o aberta como o principal meio de informa\u00e7\u00e3o dos brasileiros para acompanhar a disputa de votos por cargos p\u00fablicos. 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