{"id":112290,"date":"2018-07-22T06:00:04","date_gmt":"2018-07-22T09:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/?p=112290"},"modified":"2018-07-20T15:34:07","modified_gmt":"2018-07-20T18:34:07","slug":"arte-na-religiao-um-valor-inalienavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=112290","title":{"rendered":"Arte na religi\u00e3o: um valor inalien\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>No caminhar da hist\u00f3ria \u00e9 necess\u00e1rio estar sempre atento aos valores. Na \u00e2nsia natural de progresso, corre-se o risco de mudar por mudar, esquecendo-se que h\u00e1 certas coisas que devem ser legitimamente conservadas. H\u00e1 o risco da superficialidade na an\u00e1lise e acabar por ter preconceito contra a palavra conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ser conservador pode ser um crasso erro ou um genial acerto. H\u00e1 certas coisas das quais n\u00e3o se pode abrir m\u00e3o, porque representam riqueza inalien\u00e1vel. H\u00e1 de se ver que em quest\u00f5es art\u00edsticas entendemos bem isto, pois mesmo havendo express\u00f5es novas, nunca se destr\u00f3i uma obra de arte antiga. Quem seria louco de, em valorizando as edifica\u00e7\u00f5es de Niemeyer, p\u00f4r ao ch\u00e3o as obras de Aleijadinho ou de Leonardo da Vinci ou de Michelangelo? Quem, apreciando Portinari ou Picasso, despreza Rafael, Giotto, Ata\u00edde, ou Pedro Am\u00e9rico? Em arte n\u00e3o h\u00e1 competi\u00e7\u00e3o. Os poemas de Ad\u00e9lia Prado ou de Cec\u00edlia Meireles ou de Manoel Bandeira n\u00e3o se rivalizam com os sonetos de Raimundo Correia, nem com as poesias de Castro Alves. As composi\u00e7\u00f5es musicais de Bela Bart\u00f3k, de Vila Lobos, de Antonin Dv\u00f3rak n\u00e3o s\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o dos concertos de Brandenburgo ou das seis su\u00edtes para Violoncelo de Johann Sebastian Bach, nem das Quatro Esta\u00e7\u00f5es de Antonio Vivalvi, nem das sinfonias imortais de Ludwig van Beethoven.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas festas comemorativas de Nossa Senhora do Carmo, a convite, estive outra vez em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, onde celebrei a Missa solene, dia 16 de julho. A parte musical foi enriquecida pela Orquestra Ribeiro Bastos que levou as lindas composi\u00e7\u00f5es de Padre Jos\u00e9 Maria Nunes Garcia, celebrando exatos 200 anos de sua primeira execu\u00e7\u00e3o acontecida a 16 de julho de 1818, na Corte de Dom Jo\u00e3o VI, no Rio de Janeiro. O noven\u00e1rio e as festas de Nossa Senhora do Carmo s\u00e3o celebrados em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei desde o s\u00e9culo XVIII, tendo a Ordem Terceira do Carmo sido fundado ali em 1.746.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tais celebra\u00e7\u00f5es tradicionais, feitas em grande parte na l\u00edngua latina, tendo o povo o Ritual bil\u00edngue nas m\u00e3os, onde pode ler a tradu\u00e7\u00e3o dos textos em portugu\u00eas, s\u00e3o enlevantes e possibilitam aut\u00eantico encontro pessoal com Jesus, alimentando a piedade e o genu\u00edno amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. Com ora\u00e7\u00f5es, ant\u00edfonas, ladainhas e aclama\u00e7\u00f5es, celebra-se jubilosamente a \u00fanica media\u00e7\u00e3o de Cristo, na qual encontra-se presente a intercess\u00e3o de Maria, como em Can\u00e1 da Galil\u00e9ia (cf. Jo. 2, 1-12), dos Santos, como Pedro e Jo\u00e3o \u00e0 porta do Templo de Jerusal\u00e9m (cf. Atos 3, 1-9) e dos Anjos, como, por exemplo, a fiel presen\u00e7a do Arcanjo Rafael ao lado de Tobias (Cf. Tobias 3,25). Os serm\u00f5es s\u00e3o momentos importantes, prop\u00edcios para aprofundamento do conhecimento b\u00edblico e sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, sendo dividido o noven\u00e1rio em tr\u00eas tr\u00edduos confiados cada um a um pregador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei distingue-se como capital brasileira da m\u00fasica sacra, das artes sacras em geral, da catolicidade presente em sua gente que, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, procura conservar tradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem se perder, e preservar valores que n\u00e3o podem ser diminu\u00eddos, pois seria o mesmo que perder inesgot\u00e1vel fonte de f\u00e9, de espiritualidade e de viv\u00eancia crist\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Concilio Vaticano II (1962-1965), obra extraordin\u00e1ria do Esp\u00edrito Santo, verdadeiro novo pentecostes na Igreja, renovou leg\u00edtima e necessariamente muitas coisas, por\u00e9m teve o cuidado de n\u00e3o desconhecer os valores j\u00e1 presentes nas comunidades marcadas pela hist\u00f3ria. Sobre a m\u00fasica sacra, ensina a Constitui\u00e7\u00e3o Sacrosactum Concilium: Havendo em algumas regi\u00f5es [&#8230;] povos que t\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o musical pr\u00f3pria, a qual desempenha importante fun\u00e7\u00e3o em sua vida religiosa e social, a esta m\u00fasica se d\u00eaem a devida estima\u00e7\u00e3o e o lugar conveniente, tanto para lhes formar o senso religioso, quanto para adaptar o culto \u00e0 sua mentalidade [&#8230;] (SC 119).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diz ainda o mesmo Documento Conciliar: A Igreja aprova e admite no culto divino todas as formas de verdadeira arte, contanto que estejam dotadas das devidas qualidades (SC 112).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de tais valores religiosos, a Igreja n\u00e3o exige que se extingam para simplesmente dar lugar a outras formas, podendo, como acontece na intelig\u00eancia das artes em geral, conviverem pacificamente de forma complementar, pois seria lastim\u00e1vel perder o que serve, de maneira t\u00e3o bela e forte, para a pr\u00e1tica da viv\u00eancia do povo de Deus no que diz respeito aos mist\u00e9rios de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No caminhar da hist\u00f3ria \u00e9 necess\u00e1rio estar sempre atento aos valores. 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