{"id":109471,"date":"2018-06-28T06:00:24","date_gmt":"2018-06-28T09:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/?p=109471"},"modified":"2018-06-27T13:38:46","modified_gmt":"2018-06-27T16:38:46","slug":"decisao-da-oms-sobre-identidade-trans-e-vista-como-avanco-pela-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=109471","title":{"rendered":"Decis\u00e3o da OMS sobre identidade trans \u00e9 vista como avan\u00e7o pela comunidade"},"content":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) retirou neste m\u00eas a transexualidade da lista de transtornos mentais. A altera\u00e7\u00e3o foi confirmada no dia 18 de junho, com a publica\u00e7\u00e3o da 11\u00aa vers\u00e3o da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID), um sistema criado para relacionar, sob um mesmo padr\u00e3o, as principais enfermidades, problemas de sa\u00fade p\u00fablica e transtornos que causam morte ou incapacita\u00e7\u00e3o de pessoas. A transexualidade \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo cuja identidade de g\u00eanero difere daquela designada ao nascimento.<\/p>\n<p>\u201cA transexualidade era vista como uma condi\u00e7\u00e3o psicopatol\u00f3gica, que alimentava uma l\u00f3gica que apenas o psiquiatra era a pessoa apta para falar sobre pessoas trans porque o tema estava em um cap\u00edtulo que abordava sobre desordens mentais. Com a mudan\u00e7a, passou a integrar o cap\u00edtulo sobre as condi\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 sa\u00fade sexual e o impacto disso \u00e9 que estamos caminhando para despatologiza\u00e7\u00e3o das identidades trans\u201d, esclareceu a doutoranda em Psicologia na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Brune Coelho.<\/p>\n<p>Segundo a nova classifica\u00e7\u00e3o (CID-11), as identidades trans deixam de ser consideradas \u201ctranstorno de g\u00eanero\u201d e passam a ser diagnosticadas como incongru\u00eancia de g\u00eanero, uma condi\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 sa\u00fade sexual, que tamb\u00e9m passou a ganhar um cap\u00edtulo pr\u00f3prio na classifica\u00e7\u00e3o. \u201cAgora, os crit\u00e9rios trazem essa quest\u00e3o que a pessoa \u00e9 incongruente, mas incongruente com que? Qual \u00e9 o g\u00eanero que \u00e9 leg\u00edtimo? Esse novo termo ainda reafirma que o corpo carrega uma verdade sobre a identidade de uma pessoa e de fato n\u00e3o. Precisa avan\u00e7ar ainda mais e deixar de considerar caracter\u00edsticas corporais\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Um grande avan\u00e7o, de acordo com Brune, \u00e9 que a decis\u00e3o da OMS rompe com a divis\u00e3o criada entre transexuais e travesti. \u201cAssim, com os crit\u00e9rios mais amplos, mais pessoas passam a ser inclu\u00eddas dentro das condi\u00e7\u00f5es e podem ter assist\u00eancia m\u00e9dica, por exemplo\u201d, disse a doutoranda.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma conquista para a comunidade trans e travesti mundial, Brune acredita que a decis\u00e3o tamb\u00e9m abre terreno para outras discuss\u00f5es. \u201c\u00c9 um livro que traz algumas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e a transexualidade foi mantido l\u00e1. Precisamos pensar em porque mant\u00ea-la ou n\u00e3o? Quais os impactos da retirada ou perman\u00eancia na classifica\u00e7\u00e3o?\u201d, questionou a doutoranda. \u201cAl\u00e9m disso, os pa\u00edses n\u00e3o s\u00e3o obrigados a adotar a vers\u00e3o atualizada da CID, por\u00e9m se seguir, como implement\u00e1-lo de maneira que possa garantir que as pessoas tenham autonomia, acesso a sa\u00fade e sua cidadania respeitada?\u201d, observou.<\/p>\n<div id=\"attachment_109472\" style=\"width: 3466px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-109472\" class=\"size-full wp-image-109472\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/bruna.jpg\" alt=\"\" width=\"3456\" height=\"2304\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/bruna.jpg 3456w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/bruna-300x200.jpg 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/bruna-768x512.jpg 768w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/bruna-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/bruna-360x240.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 3456px) 100vw, 3456px\" \/><p id=\"caption-attachment-109472\" class=\"wp-caption-text\">Bruna Leonardo comemorou sobre a retirada da transexualidade da lista de transtornos mentais como um grande avan\u00e7o para a comunidade. Foto: Arquivo\/Jessica Pereira<\/p><\/div>\n<p><strong>PARALELO HIST\u00d3RICO<\/strong><\/p>\n<p>A militante, Bruna Leonardo, afirmou que a retirada da transexualidade da lista de transtornos mentais \u00e9 um avan\u00e7o para a comunidade como a remo\u00e7\u00e3o da homossexualidade da mesma lista na d\u00e9cada de 90. \u201cMuitas fam\u00edlias internavam filhos e parentes trans, como aconteceu com pessoas homossexuais, porque tinham um laudo psiqui\u00e1trico que diagnosticava aquela pessoa com um transtorno e por isso, teria uma cura\u201d, ressaltou Bruna. \u201cA transexualidade era considerada um transtorno mental e por isso, dependia de um laudo psiqui\u00e1trico dando este diagn\u00f3stico e a gente ficava na m\u00e3o de uma pessoa que n\u00e3o vivenciava as trans-identidades na pele\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Bruna, \u00e9 um avan\u00e7o porque quando voc\u00ea tira da lista de transtornos mentais, voc\u00ea passa a ver as pessoas trans como um cidad\u00e3o comum. \u201cSomos diversos em individualidades, mas somos iguais em direitos e quando voc\u00ea considera como uma doen\u00e7a, o preconceito ainda \u00e9 maior e marginaliza\u201d, disse.<\/p>\n<p>Bruna tamb\u00e9m ressaltou que as trans-identidades v\u00e3o al\u00e9m da apar\u00eancia da pessoa. \u201cEu, como militante LGBTTI e mulher trans, acredito que as identidades trans e travesti s\u00e3o mais uma forma de ser, uma forma de externar nossa ess\u00eancia, mais uma condi\u00e7\u00e3o humana.\u00a0 \u00c9 algo muito subjetivo e \u00e9 da pessoa n\u00e3o cabe algu\u00e9m dizer quem a gente \u00e9. Vai al\u00e9m de cirurgia de resigna\u00e7\u00e3o sexual, de tratamentos hormonais, de procedimento cir\u00fargico e est\u00e9tico\u201d frisou a militante.<\/p>\n<p><strong>FOR\u00c7A TRANS<\/strong><\/p>\n<p>A militante tamb\u00e9m est\u00e1 a frente do For\u00e7a Trans, grupo de acolhimento dedicado a pessoas trans, travesti e intersexuais. \u201cA maioria das vezes, quando a pessoa se assumi trans, por exemplo, ela sofre preconceito dentro de casa porque os pais aprenderam que isso \u00e9 errado, \u00e9 desvio de car\u00e1ter ou coisa do diabo e por isso, n\u00e3o tem apoio nenhum, n\u00e3o pode se expressar como se conhece e nem usar o nome de sua prefer\u00eancia\u201d, relatou Bruna sobre a principal motiva\u00e7\u00e3o do surgimento do grupo, que iniciou as atividades no dia 7 de maio.<\/p>\n<p>O grupo se re\u00fane a cada 15 dias, as segundas-feiras, \u00e0s 19h30 no Tenetehara Instituto Cultural. \u201cNossa reuni\u00e3o serve pra que ela possa ser quem ela \u00e9, compartilhar suas conquistas e viv\u00eancias al\u00e9m de apoiar um o outro\u201d, contou Bruna. \u201cOs encontros s\u00e3o tamb\u00e9m para aquelas pessoas que est\u00e3o do nosso lado. Pais, av\u00f3s, tios, irm\u00e3os, amigos, companheiros s\u00e3o bem-vindos e podem tirar suas d\u00favidas e entender melhor, pois a falta de um referencial leva ao preconceito\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima reuni\u00e3o do For\u00e7a Trans ser\u00e1 realizada nesta segunda-feira, 2 de julho, e o Tenetehara Instituto Cultural est\u00e1 localizado na Avenida Costa e Silva, n\u00b02776, no bairro S\u00e3o Pedro, Cidade Alta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) retirou neste m\u00eas a transexualidade da lista de transtornos mentais. 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