{"id":104049,"date":"2018-05-15T09:49:59","date_gmt":"2018-05-15T12:49:59","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/?p=104049"},"modified":"2018-05-15T11:54:50","modified_gmt":"2018-05-15T14:54:50","slug":"pesquisadores-cobram-investigacao-dos-crimes-de-maio-de-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=104049","title":{"rendered":"Pesquisadores cobram investiga\u00e7\u00e3o dos Crimes de Maio de 2006"},"content":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio final da pesquisa\u00a0<em>Viol\u00eancia de estado no Brasil: uma an\u00e1lise dos Crimes de Maio de 2006<\/em>, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), reafirma evid\u00eancias de execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria em 60 assassinatos \u2013 53 civis e 7 agentes de seguran\u00e7a \u2013 ocorridos de 12 a 20 de maio de 2006, na Baixada Santista, e aponta ainda falta de investiga\u00e7\u00e3o sobre os crimes. O documento re\u00fane estudos realizados anteriormente sobre os crimes e an\u00e1lises do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp, incluindo depoimento dos familiares das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Naquela semana de maio, agentes de seguran\u00e7a do estado de S\u00e3o Paulo e grupos de exterm\u00ednio sa\u00edram \u00e0s ruas em retalia\u00e7\u00e3o a ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC). No total, foram mais de 500 execu\u00e7\u00f5es no estado durante o per\u00edodo. As investiga\u00e7\u00f5es, no entanto, foram arquivadas a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual e, at\u00e9 hoje, ningu\u00e9m foi condenado pelos crimes.<\/p>\n<p>\u201cEsse relat\u00f3rio tamb\u00e9m \u00e9 um documento pol\u00edtico de cobran\u00e7a do Estado brasileiro da necessidade de reabertura dos casos. Antes de afirmar que n\u00e3o existem fatos novos, precisam ser investigados os fatos que existem e que nunca foram apurados\u201d, disse Javier Amadeo, professor da Unifesp e coordenador do projeto Viol\u00eancia de Estado no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA den\u00fancia est\u00e1 na Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica desde 2010, a doutora Raquel Dogde, hoje procuradora-geral da Rep\u00fablica, foi uma das pessoas que solicitaram a federaliza\u00e7\u00e3o dos Crimes de Maio de 2006, ent\u00e3o, por uma quest\u00e3o de coer\u00eancia, a gente acha que existe a possibilidade que a pr\u00f3pria procuradora conceda esse processo de federaliza\u00e7\u00e3o\u201d, disse Amadeo, ao afirmar que o relat\u00f3rio traz elementos importantes que podem servir como base para a reabertura das investiga\u00e7\u00f5es e a federaliza\u00e7\u00e3o dos crimes.<\/p>\n<h2>Ind\u00edcios de execu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A maioria dos disparos de arma de fogo ocorreram na cabe\u00e7a ou peito da v\u00edtima, de cima para baixo e em curta dist\u00e2ncia, que apontam para casos de exterm\u00ednio, segundo o relat\u00f3rio. Em 77% das v\u00edtimas civis analisadas, os disparos atingiram partes do corpo de alta letalidade \u2013 cabe\u00e7a e t\u00f3rax.<\/p>\n<p>Outro ind\u00edcio de que as v\u00edtimas foram executadas \u00e9 o elevado n\u00famero de disparos contra os corpos, ocorrendo 255 orif\u00edcios de entrada de bala nos 53 civis analisados, uma m\u00e9dia de 4,81 disparos por pessoa. O n\u00famero \u00e9 considerado elevado e superior \u00e0 m\u00e9dia de disparos em situa\u00e7\u00f5es de confronto com suspeita de execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cEsse relat\u00f3rio \u00e9 como se tivesse ressuscitando nossos filhos aos poucos, porque nossos filhos t\u00eam nome, sobrenome e resid\u00eancia fixa, e o Estado d\u00e1 eles como suspeitos\u201d, disse D\u00e9bora Maria da Silva, coordenadora do Movimento M\u00e3es de Maio e que teve seu filho assassinado em 2006. Segundo ela, que foi uma das pesquisadoras, o relat\u00f3rio comprova, com \u201criqueza de detalhes\u201d, que os casos correspondem a execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias.<\/p>\n<p>Sobre as solu\u00e7\u00f5es para acabar com a viol\u00eancia de Estado, ela acredita que \u00e9 preciso \u201cdesmilitarizar a pol\u00edcia e ter um outro olhar para a favela e periferia\u201d. \u201cMorar em favela e periferia, ser pobre, n\u00e3o \u00e9 crime. Quem criminaliza a gente \u00e9 o Estado, que \u00e9 muito presente para [fazer] desaparecer e matar e torturar, mas n\u00e3o \u00e9 muito presente para aplicar a verdadeira pol\u00edtica social que o Brasil precisa passar\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Nas recomenda\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio, est\u00e3o a reabertura da investiga\u00e7\u00e3o dos crimes, a fim de se identificar os autores dos disparos; deslocamento da compet\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a Estadual para a Federal; repara\u00e7\u00e3o dos danos materiais e imateriais das fam\u00edlias das v\u00edtimas; e pedido formal de desculpas \u00e0s v\u00edtimas por parte do Estado.<\/p>\n<p>Um memorial no Centro Cultural Jabaquaquara, um bairro na regi\u00e3o centro-sul da capital paulista, foi inaugurado em 2016, no dia em que os Crimes de Maio completaram 10 anos, para relembrar os quase 600 mortos nos ataques ocorridos em maio de 2006 e n\u00e3o deixar a s\u00e9rie de crimes cair no esquecimento.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio final da pesquisa\u00a0Viol\u00eancia de estado no Brasil: uma an\u00e1lise dos Crimes de Maio de 2006, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), reafirma evid\u00eancias de execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria em 60 assassinatos \u2013 53 civis e 7 agentes de seguran\u00e7a \u2013 ocorridos de 12 a 20 de maio de 2006, na Baixada Santista, e aponta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":104050,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[302,439],"tags":[],"class_list":["post-104049","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil-mundo","category-ultima-hora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/104049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=104049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/104049\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/104050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=104049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=104049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=104049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}