{"id":100397,"date":"2018-05-13T10:36:47","date_gmt":"2018-05-13T13:36:47","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/?p=100397"},"modified":"2018-05-13T10:36:47","modified_gmt":"2018-05-13T13:36:47","slug":"duas-maes-duas-historias-e-a-forca-de-um-amor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=100397","title":{"rendered":"Duas m\u00e3es, duas hist\u00f3rias e a for\u00e7a de um Amor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\">Mais um ano, mais um Dia das M\u00e3es, mais uma vez a obriga\u00e7\u00e3o e a honra em demonstrar toda a gratid\u00e3o a elas. O Di\u00e1rio Regional apresenta duas hist\u00f3rias, de duas m\u00e3es, sob duas perspectivas diferentes, mas que demonstram como esse amor \u00fanico \u00e9 capaz de produzir uma infinidade de bons frutos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><span style=\"font-size: 18pt\"><strong>M\u00e3e e filho nas p\u00e1ginas de um livro<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_100384\" style=\"width: 437px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-100384\" class=\" wp-image-100384\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/georgia-300x294.jpeg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/georgia-300x294.jpeg 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/georgia-360x352.jpeg 360w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/georgia.jpeg 719w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><p id=\"caption-attachment-100384\" class=\"wp-caption-text\">Ge\u00f3rgia com o pequeno grande Enzo. Foto: Arquivo pessoal<\/p><\/div>\n<p>Ge\u00f3rgia Negreiros \u00e9 professora e m\u00e3e de tr\u00eas filhos. Willy de 23 anos, Yanna de 19 anos e Enzo de 9 anos. Este \u00faltimo, um filho especial, que de t\u00e3o especial deu vida a um livro. Enzo tem paralisia cerebral e como toda a chegada de um novo filho, tamb\u00e9m gerou transforma\u00e7\u00f5es na vida da fam\u00edlia e da m\u00e3e.<\/p>\n<p>A conversa com Ge\u00f3rgia \u00e9 algo natural. Os temas da maternidade e da defici\u00eancia para ela s\u00e3o uma coisa s\u00f3. \u201cEu tive uma gravidez normal. O Enzo nasceu com 38 semanas. Eu fiquei sabendo de seis pra sete meses que ele teria paralisia cerebral. De l\u00e1 pra c\u00e1 n\u00f3s agarramos com unhas e dentes e estamos na luta. Eu sou uma m\u00e3e super participativa, levo o Enzo a tudo, a show, a teatro. Tudo que a gente pode incluir ele, a gente inclui\u201d, conta ela.<\/p>\n<p>A not\u00edcia da chegada de uma crian\u00e7a especial tem um impacto sobre a m\u00e3e, o pai e a fam\u00edlia como um todo, mas Ge\u00f3rgia soube lidar com a situa\u00e7\u00e3o. \u201cEu n\u00e3o tive problema de aceita\u00e7\u00e3o. Falar para voc\u00ea que \u00e9 f\u00e1cil, nunca \u00e9. \u00c9 um desafio dia ap\u00f3s dia. O que \u00e9 desafio para uma m\u00e3e, para mim n\u00e3o \u00e9 e vice-versa. Mas como eu tenho deficientes na fam\u00edlia por parte de pais, sou filha de fonoaudi\u00f3loga, ent\u00e3o sempre vivenciei isso nos consult\u00f3rios e ainda fui trabalhar com inclus\u00e3o mais tarde.\u201d<\/p>\n<p>Ge\u00f3rgia n\u00e3o sabia, mas o seu trabalho como professora, quando ainda morava em Petr\u00f3polis, j\u00e1 era um preparo para o que ela vivenciaria num futuro pr\u00f3ximo. \u201cComo professora a vida inteira trabalhei com crian\u00e7as especiais, at\u00e9 que veio o Enzo. Ele \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o de tudo que sempre lutei. Mas \u00e9 aquilo, uma coisa \u00e9 voc\u00ea colocar em pr\u00e1tica com o filho dos outros e a outra coisa \u00e9 com o seu. Voc\u00ea entra naqueles conflitos e precisa venc\u00ea-los\u201d, relatou a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Quando Enzo completou um ano, a fam\u00edlia se mudou para Juiz de Fora. Desde ent\u00e3o, as lutas e os desafios se multiplicaram um pouco, mas da mesma forma, a for\u00e7a de ser m\u00e3e tamb\u00e9m. \u201cEu sempre enfrentei dificuldades de inclus\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o da minha parte, mas dos outros. Acho que est\u00e1 na hora de falarmos sobre isso. Estamos no momento da diversidade e precisamos falar sobre essa diversidade seja ela qual for. Grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial tem algum tipo de defici\u00eancia. Eu n\u00e3o consigo dormir e pensar que o que \u00e9 comum ainda estranha tanta gente. A minha luta \u00e9 essa, para que o Enzo tenha um mundo de maior aceita\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com a m\u00e3e, Enzo \u00e9 um cadeirante e depende dela 24 horas por dia. Mas isso n\u00e3o diferencia o tratamento que ela d\u00e1 para ele, em rela\u00e7\u00e3o aos outros dois filhos. \u201cA gente trata o Enzo com toda naturalidade. Ele toma bronca como uma crian\u00e7a qualquer, ele fica de castigo como outra crian\u00e7a qualquer. Ele \u00e9 extremamente inteligente e est\u00e1 incluso em uma escola regular, com algumas adapta\u00e7\u00f5es, mas tudo dentro do contexto esperado.\u201d<\/p>\n<p>Os desafios de uma m\u00e3e especial s\u00e3o constantes. Ge\u00f3rgia j\u00e1 enfrentou ironias, xingamentos e as mais variadas formas de desrespeito. Em um dos casos chegaram a duvidar da real necessidade de uma vaga especial para ela estacionar o carro com o filho. \u201cEu levei tr\u00eas anos para conseguir uma vaga em frente a escola do Enzo. Quando eu consegui, eu ouvi todos os absurdos que voc\u00ea puder imaginar, inclusive, que eu tinha privil\u00e9gio e que tinha comprado aquela vaga. S\u00e3o coisas que n\u00e3o temos mais necessidade de ouvir nos dias de hoje\u201d, lamentou ela.<\/p>\n<p>A recompensa para os desafios superados s\u00e3o as conquistas di\u00e1rias de Enzo, quando, por exemplo, h\u00e1 dois meses, conseguiu sozinho, segurar um copo pela primeira vez e levar at\u00e9 a boca. Atos que podem parecer t\u00e3o simples para determinadas pessoas, mas que em outros contextos conseguem arrancar l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>A batalha para que o \u201cser diferente\u201d seja visto como \u201calgo normal\u201d tamb\u00e9m pode ganhar refor\u00e7o com pessoas, ideias e projetos que ampliam a inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia dentro da sociedade. Em Juiz de Fora, por exemplo, o Instituto Aviva \u00e9 um dos que cumprem esse trabalho. Ge\u00f3rgia se apegou ao grupo, onde encontrou um espa\u00e7o ideal para integrar o filho \u00e0 pr\u00e1tica de esportes. \u201cA gente v\u00ea como \u00e9 dif\u00edcil incluir essa crian\u00e7a em qualquer esporte. A gente n\u00e3o tem preparo, por isso minha liga\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande com o Aviva, que \u00e9 onde as crian\u00e7as conseguem presenciar e vivenciar algumas pr\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p>O livro, citado no in\u00edcio da mat\u00e9ria, foi uma outra forma que m\u00e3e e filho encontraram para se fortalecerem no dia-a-dia. \u201cSer Diferente \u00e9 Legal\u201d foi escrito pela professora de Enzo, Juliana James, que teve ideia de cri\u00e1-lo ap\u00f3s escutar os diversos relatos do menino sobre experi\u00eancias que vivia cotidianamente. Enzo foi a primeira crian\u00e7a no processo de inclus\u00e3o da professora. Ela j\u00e1 havia tido um aluno autista, mas nunca tinha trabalhado antes com a quest\u00e3o da diferen\u00e7a f\u00edsica.<\/p>\n<p>A obra surgiu a partir de um bate-papo entre a professora e a m\u00e3e. Durante o processo de cria\u00e7\u00e3o uma situa\u00e7\u00e3o pegou as duas de surpresa. De acordo com Ge\u00f3rgia, \u201cquando o livro do Enzo foi escrito com o t\u00edtulo \u2018Ser Diferente \u00e9 Legal\u2019, ele questionou a professora: \u2018Ju, mas ser diferente n\u00e3o \u00e9 legal.\u2019 A\u00ed a gente levou aquele baque, por que ser diferente incomoda tanto. A\u00ed a professora falou, \u2018n\u00e3o Enzo, a gente precisa mudar essa concep\u00e7\u00e3o. A gente precisa aceitar que todos somos diferentes\u2019. E \u00e9 a mais pura verdade, a gente precisa aceitar que a diferen\u00e7a est\u00e1 em cada um de n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>A partir do livro, m\u00e3e e filho, juntamente com o Aviva, seguem agora com um projeto de inclus\u00e3o nas escolas da cidade, a fim de discutirem e auxiliarem as pessoas como receber crian\u00e7as especiais nas escolas.<\/p>\n<p>Ge\u00f3rgia pede mudan\u00e7a, aceita\u00e7\u00e3o e um novo olhar para as pessoas com defici\u00eancia. \u201cA gente s\u00f3 enxerga com naturalidade quando convivemos. Todo mundo quer o deficiente para abaixar tirar uma foto e falar: \u2018T\u00e1 inclu\u00eddo\u2019. A gente precisa mudar essa realidade e isso precisa se torna normal. Tudo que \u00e9 tratado com naturalidade \u00e9 t\u00e3o tranquilo\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>As lutas de Ge\u00f3rgia e Enzo ainda n\u00e3o terminaram. Novas p\u00e1ginas de um livro que com toda certeza, m\u00e3e e filho saber\u00e3o escrever primorosamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-size: 18pt\"><strong><em>Quando se \u00e9 um filho adorado<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_100387\" style=\"width: 435px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-100387\" class=\" wp-image-100387\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-180x180.jpg 180w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-600x600.jpg 600w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-120x120.jpg 120w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-360x360.jpg 360w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1-80x80.jpg 80w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tila-1.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><p id=\"caption-attachment-100387\" class=\"wp-caption-text\">Tila com sua fam\u00edlia reunida. Foto: Arquivo pessoal<\/p><\/div>\n<p>Tila Maria do Carmo Barbosa da Silva Teixeira \u00e9 uma professora aposentada, de 58 anos, com um sobrenome extenso tal qual o tamanho de suas hist\u00f3rias. Com tr\u00eas filhos, Isabela de 34 anos, Andr\u00e9 Luiz de 30 e o mais novo, Leonardo, de 14, hoje \u00e9 uma m\u00e3e experiente e que sabe se colocar no lugar de suas pr\u00f3prias m\u00e3es.<\/p>\n<p>Natural da cidade de Ub\u00e1, Tila foi adotada logo que nasceu. \u201cCom apenas tr\u00eas dias de vida eu fui adotada. A hist\u00f3ria que eu sei da m\u00e3e que me gerou \u00e9 que era uma menina nova, foi mandada embora de casa por causa da gravidez e ficou num hospital de freiras, l\u00e1 em Ub\u00e1, at\u00e9 me ganhar. Ela deve ter tido um motivo muito forte, pois naquela \u00e9poca era complicado.\u201d<\/p>\n<p>A tia de Tila juntamente com sua m\u00e3e adotiva frequentavam constantemente as missas da cidade. Em uma delas escutaram o relato da crian\u00e7a para a ado\u00e7\u00e3o. \u201cEm uma das idas \u00e0 missa, minha tia e minha m\u00e3e ouviram a hist\u00f3ria. Como minha m\u00e3e n\u00e3o podia ter filhos, ela e meu pai foram at\u00e9 as freiras e como naquela \u00e9poca n\u00e3o havia tanto rigor, me pegaram como filha\u201d, relatou.<\/p>\n<p>A inf\u00e2ncia de Tila foi muito tranquila. \u201cEu tive uma inf\u00e2ncia muito boa, n\u00e3o posso me negar. Meus pais fizeram de tudo de mim. Fui filha \u00fanica. N\u00e3o tive irm\u00e3os. E uma conviv\u00eancia muito bacana com meus primos. Eu tenho duas primas, que a gente se parecia tanto que at\u00e9 confundiam a gente. E eu n\u00e3o era de sangue. As duas sim. Penso que devido \u00e0 conviv\u00eancia ou o h\u00e1bito ou por ter sido pega muito pequeninha.<\/p>\n<p>A descoberta de ser adotada, quando n\u00e3o tratada de forma natural, pode criar impactos na vida de uma crian\u00e7a. O caso de Tila foi um desses. \u201cFui crescendo sem a no\u00e7\u00e3o de ser adotada. Eu descobri aos 9 anos de idade. Eu e mais duas amigas \u00e9ramos adotadas. Eu sabia que as duas eram, mas n\u00e3o sabia de mim mesma. Uma vez numa briga de crian\u00e7a, uma delas jogou isso na minha cara\u201d, contou Tila.<\/p>\n<p>Os questionamentos e os momentos de revolta come\u00e7aram a surgir durante o per\u00edodo da adolesc\u00eancia, ou \u201caborrec\u00eancia\u201d como a pr\u00f3pria Tila refor\u00e7ou durante a entrevista. \u201cEu perguntei pra minha m\u00e3e, minha m\u00e3e negou. Minha m\u00e3e tinha horror de eu falar que fui adotada. Ela achava que as pessoas iriam me discriminar. Ent\u00e3o ela n\u00e3o gostava. Mas quando fiquei sabendo mesmo eu revoltei. Falava que ia sair de casa. Pedia para sair e minha m\u00e3e n\u00e3o deixava, ent\u00e3o eu falava que aos 15 anos iria sair de casa para procurar minha outra m\u00e3e\u201d.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos Tila tomou conhecimento de outra hist\u00f3ria em rela\u00e7\u00e3o a m\u00e3e biol\u00f3gica. \u201cFiquei sabendo que ela foi enfermeira em um hospital e andou com um m\u00e9dico e que me deu pra ado\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o pra me criar. Ela teria ido para Vi\u00e7osa para trabalhar em um hospital de l\u00e1\u201d. Uma de suas amigas que trabalhava neste hospital, lembrou da hist\u00f3ria de Tila e tentou buscar informa\u00e7\u00f5es sobre o paradeiro da suposta m\u00e3e. \u201cMinha amiga que trabalhou andou sondando e tinha mesmo uma mulher que trabalhava naquele local, com mesmo nome da minha m\u00e3e. Mas n\u00e3o conseguimos encontrar mais informa\u00e7\u00f5es. Ela deve ter morrido.\u201d<\/p>\n<p>O tempo passou e ela n\u00e3o chegou a conhecer nenhum dos parentes biol\u00f3gicos, pelo menos at\u00e9 o momento. Entretanto, hoje em dia, tamb\u00e9m n\u00e3o tem esse objetivo. Segundo ela, o amor dos pais, principalmente da m\u00e3e Donatila, foram t\u00e3o grandes que ela n\u00e3o v\u00ea mais a necessidade de buscar outros familiares de sangue. Aqui vale aproveitar o gancho e destacar a atitude da m\u00e3e, que deu a Tila metade do pr\u00f3prio nome, e colocou Maria do Carmo no sobrenome, devido a uma promessa da m\u00e3e biol\u00f3gica para a santa Nossa Senhora do Carmo.<\/p>\n<p>A gratid\u00e3o \u00e9 facilmente notada em suas falas. Ela deixa claro esse sentimento pela fam\u00edlia que a escolheu como filha. \u201cAi de mim se n\u00e3o tivesse sido adotada. N\u00e3o sei o que seria hoje. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de inc\u00f3gnita. Meus pais, tanto a fam\u00edlia do meu pai e da minha m\u00e3e, nunca fizeram distin\u00e7\u00e3o de mim. N\u00e3o posso reclamar de nada\u201d, refor\u00e7ou Tila.<\/p>\n<p>Quando perguntada sobre as principais li\u00e7\u00f5es passadas pela m\u00e3e e que faz quest\u00e3o de repassar aos pr\u00f3prios filhos ela \u00e9 categ\u00f3rica. \u201cEu acho que a quest\u00e3o do respeito aos mais velhos. Pedir ben\u00e7\u00e3o, por exemplo, isso \u00e9 uma coisa enraizada. Por mais modernos que a gente tenta ser, ainda temos esse costume. Tamb\u00e9m ter um carinho mais especial com o idoso, com tios, tias, e outros parentes. Isso que eu tento passar para meus filhos. Primeiro vem a fam\u00edlia, que \u00e9 uma coisa que a gente tem que aprender a respeitar e compreender. N\u00e3o tem nenhum perfeita.\u201d<\/p>\n<p>A filha adotada, hoje m\u00e3e, tem conhecimento de causa para alertar sobre o processo de ado\u00e7\u00e3o. \u201cPra voc\u00ea adotar voc\u00ea tem que ter uma cabe\u00e7a muito boa, por que s\u00e3o muitos desafios. Hoje em dia as pessoas escolhem muito, querem crian\u00e7as parecidas, quando na verdade a conviv\u00eancia, a cria\u00e7\u00e3o e o amor fazem a gente parecer. Ado\u00e7\u00e3o \u00e9 uma escolha. \u00c9 um filho que voc\u00ea escolhe. Por que o filho que voc\u00ea gera voc\u00ea n\u00e3o escolhe. Voc\u00ea nem sabe como ele vai ser. A crian\u00e7a que voc\u00ea adota, voc\u00ea adota com amor, porque voc\u00ea viu algo que te atraiu.\u201d<\/p>\n<p>Sobre o que representa ser m\u00e3e, por alguns momentos, Tila ficou sem palavras, mas com f\u00f4lego conseguiu se expressar. \u201cSer m\u00e3e representa tudo. A concep\u00e7\u00e3o \u00e9 um milagre. Eu tenho exemplo do meu \u00faltimo, a \u2018rapa do tacho\u2019. Eu nem poderia ter, pois tive HPV e para engravidar era chance de um em um milh\u00e3o. A\u00ed eu falo que ele estava encubado. N\u00e3o era pra ter acontecido, mas acabei engravidando com 44 anos. Ele \u00e9 milagre duas vezes. Por que estava passando problemas na escola e ele veio tamb\u00e9m para amenizar.\u201d<\/p>\n<p>Para quem quer adotar, e para quem \u00e9 adotado, nossa personagem tamb\u00e9m deixa seus conselhos. \u201cAs pessoas que adotam t\u00eam que dar muito amor, muito respeito e principalmente, muito di\u00e1logo. E quem \u00e9 adotado tamb\u00e9m precisam ter respeito e agradecer pela fam\u00edlia. \u00c9 muito dif\u00edcil esse reconhecimento quando a gente \u00e9 muito novo, mas tem que ter. Hoje em dia est\u00e1 faltando muito essa compreens\u00e3o e esse di\u00e1logo. Tanto de um lado quanto do outro\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>Hoje, Tila \u00e9 m\u00e3e duas vezes. Com seu netinho passa agora a uma nova forma de m\u00e3e, com um pouco mais de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em><span style=\"font-size: 14pt\">Tantas m\u00e3es. Tantos filhos.\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 14pt\">Mas indiscutivelmente um Amor, talvez o dos mais fortes.<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um ano, mais um Dia das M\u00e3es, mais uma vez a obriga\u00e7\u00e3o e a honra em demonstrar toda a gratid\u00e3o a elas. 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