{"id":100094,"date":"2018-05-11T08:29:15","date_gmt":"2018-05-11T11:29:15","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/?p=100094"},"modified":"2018-05-11T08:29:15","modified_gmt":"2018-05-11T11:29:15","slug":"geisel-autorizou-execucoes-de-opositores-durante-ditadura-diz-cia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=100094","title":{"rendered":"Geisel autorizou execu\u00e7\u00f5es de opositores durante ditadura, diz CIA"},"content":{"rendered":"<p>Documento tornado p\u00fablico pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos mostra que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou que o Centro de Intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito (CIE) continuasse a pol\u00edtica de execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias contra opositores da ditadura militar no Brasil adotadas durante o governo de Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, mas que limitasse as execu\u00e7\u00f5es aos mais \u201cperigosos subversivos\u201d.<\/p>\n<p>O memorando de 11 de abril de 1974, assinado pelo ent\u00e3o diretor da CIA (servi\u00e7o de intelig\u00eancia dos EUA) Willian Colby e endere\u00e7ado ao ent\u00e3o secret\u00e1rio de Estado Henry Kissinger, afirma que o presidente Geisel disse ao chefe do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) \u00e0 \u00e9poca, Jo\u00e3o Baptista Figueiredo, que se tornou presidente entre 1979 e 1985, que as execu\u00e7\u00f5es deveriam continuar.<\/p>\n<p>Segundo o documento, Geisel e Figueiredo concordaram que quando o CIE detivesse algu\u00e9m que poderia cair na categoria de subversivo perigoso, o chefe do Centro de Intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito deveria consultar o general Figueiredo que, por sua vez, deveria dar sua aprova\u00e7\u00e3o antes da execu\u00e7\u00e3o. De acordo com o texto, Figueiredo insistiu na continuidade das execu\u00e7\u00f5es e Geisel fez coment\u00e1rios sobre os aspectos potencialmente prejudiciais da quest\u00e3o e pediu para refletir sobre o assunto no final de semana, antes de tomar uma decis\u00e3o.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o perdeu o sigilo em dezembro de 2015, mas o documento ganhou publicidade nessa quinta-feira, 10, por meio do professor Matias Spektor, coordenador do Centro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). Nas redes sociais, onde divulgou o documento, o professor disse que &#8220;este \u00e9 o documento mais perturbador que j\u00e1 li em 20 anos de pesquisa: Rec\u00e9m-empossado, Geisel autoriza a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de assassinatos do regime, mas exige ao Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito a autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do pr\u00f3prio Pal\u00e1cio do Planalto&#8221;.<\/p>\n<p>O memorando relata que o encontro teria ocorrido em 30 de mar\u00e7o de 1974 entre Geisel, Figueiredo e os generais do CIE Milton Tavares de Souza (ent\u00e3o comandante do centro) e Conf\u00facio Danton de Paula Avelino (que assumiria o comando do CIE posteriormente). Ainda segundo o documento, o general Milton Tavares de Souza afirmou, na reuni\u00e3o, que cerca de 104 pessoas que entraram na categoria de subversivos foram sumariamente executadas pelo CIE no ano anterior.<\/p>\n<p>O texto revela que, no dia 1\u00ba de abril, Geisel informou ao general Figueiredo que a pol\u00edtica deveria continuar, mas que era preciso assegurar-se de que apenas \u201csubversivos perigosos\u201d fossem executados. Os militares acertaram tamb\u00e9m que o CIE deveria dedicar quase todos os esfor\u00e7os ao combate da \u201csubvers\u00e3o interna\u201d.<\/p>\n<p>Para Spektor, o memorando \u201c\u00e9 a evid\u00eancia mais direta do envolvimento da c\u00fapula do regime (M\u00e9dici, Geisel e Figueiredo) com a pol\u00edtica de assassinatos\u201d.<\/p>\n<p>O memorando de n\u00famero 99 faz parte de uma s\u00e9rie intitulada Foreign Relations of the United States (Rela\u00e7\u00f5es Exteriores dos Estados Unidos) e documenta a hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos com a Am\u00e9rica do Sul entre 1973 e 1976.<\/p>\n<p>Apesar de os EUA terem retirado o sigilo em 2015, o primeiro e quinto par\u00e1grafos do texto sobre a reuni\u00e3o permanecem sigilosos.<\/p>\n<p>O documento original est\u00e1 arquivado no escrit\u00f3rio do diretor da CIA em Washington. A transcri\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel online em um site do governo federal norte-americano.<\/p>\n<p>Em nota, o Ex\u00e9rcito Brasileiro informou que os documentos que poderiam comprovar as afirma\u00e7\u00f5es foram destru\u00eddos, de acordo com norma da \u00e9poca que visava preservar informa\u00e7\u00f5es sigilosas. &#8220;O Centro de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Ex\u00e9rcito informa que os documentos sigilosos, relativos ao per\u00edodo em quest\u00e3o e que eventualmente pudessem comprovar a veracidade dos fatos narrados foram destru\u00eddos, de acordo com as normas existentes \u00e0 \u00e9poca &#8211; Regulamento da Salvaguarda de Assuntos Sigilosos (RSAS) &#8211; em suas diferentes edi\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento tornado p\u00fablico pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos mostra que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou que o Centro de Intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito (CIE) continuasse a pol\u00edtica de execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias contra opositores da ditadura militar no Brasil adotadas durante o governo de Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, mas que limitasse as execu\u00e7\u00f5es aos mais \u201cperigosos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":97343,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[436,254],"tags":[],"class_list":["post-100094","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-da-semana","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100094","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=100094"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100094\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/97343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=100094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=100094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=100094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}