Arnaldo Niskier

 

Não existe um significado exclusivo para o que é educação. Seus princípios variam conforme a época, o lugar, as circunstâncias, a concepção ideológica e política de um dado momento, através de um plano de educação.

Recuando no tempo, é possível verificar o quanto sua conceituação pode assumir formas diversas, ao sabor da história e também da necessidade de preparar o homem para uma determinada posição.

Platão (427/428-347/348 a.C.), por exemplo, achava que “uma boa educação consistia em dar ao corpo e à alma toda a beleza e toda a perfeição de que são capazes”.

Em Esparta, a educação voltava-se para a preparação de guerreiros, sem interesse algum pela literatura ou pelas artes; em Atenas, dava-se ênfase a uma visão mais universal da cultura. Os romanos, ocupados com sua tarefa de expansão, valorizavam a formação do patriota através do sistema escolar. O próprio Aristóteles (384-322 a.C.) há 2.500 anos, em sua obra “Política”, já se preocupava com o problema da educação, admitindo mesmo que sua prática, em vigor naquela época, era de perplexidade. Ninguém sabia sobre qual princípio se deveria proceder: sobre a utilidade da vida? Ou seria a virtude esse princípio? Ou seria um conhecimento mais elevado o objetivo da educação? Considerava Aristóteles que sobre esses três significados não havia consenso, uma vez que as ideias divergiam sobre a natureza da virtude e, ipso facto, sobre sua prática.

Esse filósofo e seus contemporâneos discordavam sobre o que seria a educação da juventude naquela época. As condições sociais predominantes naquele momento estavam em mudança: da elite governamental passava-se à democracia e a Grécia liderava o desenvolvimento comercial e econômico no Mediterrâneo, provocando um questionamento filosófico.

Para Sócrates, a educação tinha como última instância uma função social. Assim, não era o brilhantismo de cada um o mais importante, mas a forma como as ideias de cada um são disseminadas e o modo como podem modificar a sociedade, de tal forma que a inteligência e a moralidade se combinassem.

Na época renascentista, o homem achava imprescindível o desenvolvimento de todos os seus interesses: físicos, mentais, estéticos e espirituais. A valorização da autoexpressão e da confiança no próprio homem levou o humanismo a tomar-se um dos movimentos mais significativos da educação.

O término do século XIX e o início do seguinte assistiram a grandes mudanças. A tão falada “Belle Époque” só foi bela para alguns. Enquanto pacifistas e belicistas se defrontavam, as teorias anarquistas procuravam seu lugar ao sol. As estruturas políticas, que até então se apresentavam como sólidas e imutáveis, tornaram-se menos sólidas ou assumiram outras formas.

As instituições monárquicas desapareceram em quase todos os países que as mantinham e as democracias viram-se atingidas pelo fascismo e pelo comunismo. Nesse mesmo período ocorreram duas Grandes Guerras mundiais, mas, nada disso impediu que se caminhasse para o desenvolvimento científico e tecnológico e para uma grande expansão de ideias.

Não é, pois, de estranhar que idêntica perplexidade à percebida por Aristóteles preocupe aqueles que hoje se dedicam à educação. Em tempos de incertezas e dúvidas, como obter respostas definitivas? De qualquer modo que se considere o problema, a pergunta pertinente é “como educar para novos tempos”. O que se deve fazer?

 

 

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