Arnaldo Niskier

Conheço Danilo Santos de Miranda há muitos anos. Ele é o competente diretor regional do Sesc-SP há 35 anos, atuando ao lado de Abram Szajman. A dupla tem feito muito pela educação e pela cultura de São Paulo e do país, como acaba de acontecer com a inauguração do Sesc-Guarulhos, uma unidade com 35 mil metros quadrados dotada de todo conforto possível.

Danilo tem uma posição crítica (não é só ele) sobre os rumos tomados pelo governo federal, na área da educação e da cultura: “Lutar contra o mundo das artes pode ser muito perigoso, um verdadeiro tiro no pé.” É contra esse atual discurso agressivo e despropositado.

O Sistema S operou o ano passado com um orçamento pouco superior a 17 bilhões de reais.  E é nesses recursos que o governo federal pretende “meter a faca”, sob alegações que não se sustentam.

“As instituições do Sistema S não são supérfluas, como querem fazer crer. Cultura e educação complementar são objetivos que estamos alcançando com toda competência, cumprindo o que reza o artigo 240 da Constituição.”

As acusações de irregularidades não são comprovadas, até porque existe um Conselho Fiscal nacional, de sete membros, quatro dos quais são nomeados pelo governo central, um dos trabalhadores e dois do empresariado.  Ainda por cima há o trabalho da CGU (Controladoria Geral da União) e do Tribunal de Contas.  Se as normas vigentes não são cumpridas de forma adequada, o que fazem todos esses órgãos que não vêem tudo isso?

Não é a primeira vez que o governo federal pretende criar problemas para o Sistema S (que envolve ainda o Senac, o Sesi e o Senar). Todos reconhecem a necessidade de educação profissional, mas esse não pode ser o objetivo único desses recursos retirados das empresas brasileiras. Para que tenhamos uma educação forte é preciso que as prioridades sejam vistas e revistas, como não se está fazendo no atual quadro de preocupações oficiais. O lado ideológico tem sido privilegiado, como se essa fosse a maior das nossas questões (e não é).

Para Santos de Miranda, numa opinião da qual também comunga o presidente Abram Szajman, tudo no sistema é definido de forma muito transparente: “Objetivo, clientela, como é paga a conta, governança de caráter privado com supervisão pública.  Mexer nisso, hoje, significaria tirar a essência desse importante projeto nacional.”

O Sistema S é um projeto social que não é feito em nome de uma empresa isolada, mas de todas.  É disso que não se pode, em nenhum momento, perder a perspectiva.

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